A CBF sai da encolha e surpreende meio mundo com um tiro certeiro: Wanderley Luxemburgo. Sem medo de errar, direi que estamos diante do mais brasileiro dos técnicos brasileiros. Que o digam o Corinthians de hoje e o Palmeiras de passado recente. O bom treinador não é aquele que chega com um esquema na cabeça e, a partir do tabuleiro, seleciona os jogadores. Acaba dando no besteirol do número 1 que reduziria a mera paçoca meia-dúzia de craques como Raí, Giovanni, Muller e outros menos votados.
Wanderley Luxemburgo opera em sentido oposto: o ponto de partida dele é o craque. Quanto mais, melhor. Haja vista a equipe do Corinthians que esbanja talento em todas as linhas do campo, da zaga à linha de frente. O mérito dele tem sido fazer a cabeça do craque, levando-o a portar-se como um guerreiro, sem, contudo, perder a espontaneidade do talento.
A escolha é feliz. Desfaz-se, assim, a impressão de que a CBF iria se render ao lobby do continuísmo. Ainda assim, não gostaria de ver Wanderley Luxemburgo enfeixando todos os poderes sobre a Seleção. O erro de Ricardo Teixeira foi dar a Zagallo uma carta branca ampla e irrestrita.
Prefiro, mil vezes, o regime que vingou em 58 e 62, quando o treinador compunha um colegiado em que todos os membros tinham voz. É claro que a voz do treinador terá, sempre, um peso respeitável. Nunca, porém, no registro em que ressoava sobre nós, como um trovão, cada agudo do tenor Zagallo, antes, durante e depois da Copa. Que a CBF tenha cuidado de poupar a Seleção do técnico onipotente, único, pontifical. Chega de solistas absolutos. A Seleção precisa é de um coral.
Romário e Orson Wells

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