Na grande área (Armando Nogueira)
Na grande área (Armando Nogueira)
Pesquisa IBOF
revela...
Conheço dois institutos de pesquisa de opinião: um é o IBOPE, do Carlos Augusto Montenegro, que sonda a sociedade em geral; o outro é o IBOF, que capta a opinião dos amigos. Daí, a sigla: Instituto Brasileiro de Opinião Familiar. O Boni, mestre na matéria, sempre recorreu ao primeiro mas nunca desprezou o segundo. Pra medir o interesse de uma novela, Boni ouvia o IBOPE e o IBOF. Sondava, pessoalmente, uma arrumadeira aqui, um chofer de praça mais adiante. Se fosse jantar na casa de um amigo, arranjava um jeito de ouvir a copeira e a mulher do porteiro do edifício.
No futebol, costumo fazer como o Boni: saio sondando Deus e o mundo. Agora, de volta da Copa, recorri ao IBOF pra saber, por exemplo, se alguém gostou do Brasil. Não encontrei uma só pessoa satisfeita com a seleção. E não escapa ninguém. A escolha do Ronaldinho como o melhor jogador de futebol do Mundial, essa, então, é vista como mais uma jogada de marketing. Pior, segundo as pessoas consultadas, só mesmo o nome de Roberto Carlos na seleção da FIFA. É um espanto!
E por aí vai. Ninguém entende porque Zagallo escalou, sempre, o canhoto Leonardo, do lado direito do campo, fazendo um papel que não era nem de lateral, nem de apoiador, nem de atacante. O rapaz corria adernado pra esquerda como se as traves do adversário estivessem na bandeira da linha central do campo. Há quem estranhe, espumando, que, no corte de Romário, tivesse sido chamado o volante Emerson e não um atacante. Já não digo com a genialidade do cortado mas que, pelo menos, tivesse o faro de gol de um artilheiro. E o pior é que o meu IBOF não sabe da missa a metade. Pois, dias antes do corte de Romário, alguém da comissão técnica telefonou pro atacante Elber, que joga na Alemanha pedindo-lhe que ficasse de sobreaviso.
Elber, mais que depressa, meteu bronca na física, passou a dormir com as galinhas da Baviera, cortou o chopinho. Dispensado o Romário, convocaram o Emerson, que é de outra freguesia.
De tudo que tenho ouvido, posso fazer o seguinte resumo: a seleção brasileira tinha menos craques do que se pensava; a seleção brasileira fez muito mais do que podia e muito menos do que queríamos; a melhor seleção da Copa foi a holandesa; a seleção francesa não vai deixar saudades; o melhor atacante foi o croata Suker; o melhor jogador de defesa foi o francês Desailly; a grande novidade tática foi a escalação de dois pontas bem abertos na seleção da Holanda; a melhor coisa da Copa foi a abolição do carrinho por trás.
O IBOF não falha.
Doença de torcedor
O drama do Fluminense me fez lembrar um diálogo entre Ary Barroso e Haroldo Barbosa. Ary, rubro-negro abrasivo, interpela Haroldo Barbosa em pleno auditório da TV Tupi:
- Ô Haroldo, me contaram que você é Fluminense?
- Sou, torço pelo Fluminense, com muito orgulho.
- Desde quando? Porque eu te conheci Flamengo. E digo mais: torcedor doente!
- De fato, Ary - responde Haroldo - eu era doente pelo Flamengo. Aí, minha família, preocupada com a minha doença, me internou numa clínica, fiz um tratamento sério e fiquei bom. Devidamente curado, comecei a torcer pelo Fluminense...
Ary rosnava de ódio.
Rápidas e rasteiras
- A morte súbita introduzida na Copa do Mundo-98 não é, como parece, coisa nova no futebol. Uma pesquisa feita por Hans Henningsen revela que a moda foi usada durante seis temporadas na Taça da Alemanha, de 1930 até 36.
- Na crônica que escrevi, sobre a dimensão humana do Fluminense, omiti alguns nomes ilustres que merecem ser lembrados como símbolos da paixão tricolor. Ei-los: o saudoso Evaristo de Morais, Nelsinho Motta, Fagner, Walter Mesquita, Paulo Henrique Amorim, Carlos Lemos, Leonan, Elis Regina, João Luis Albuquerque, Abel Silva, o maestro Arthur Moreira Lima, Raphael de Almeida Magalhães e Zé Lino Grunewald.
- O futebol holandês tem três treinadores da maior competência: John Cruyff, Van Gaal e Hiddink. O primeiro não está querendo voltar a meter a mão na massa. Os outros dois vão se enfrentar no caldeirão do futebol espanhol: Van Gaal no Barcelona e Hiddink, no Real Madri. Hiddink conduziu a Holanda no Mundial da França.
- Sepp Blatter garante a don Balon: O Mundial de 2002 será encurtado pelo menos uma semana.
- Uma pergunta que Armando Marques não vai responder porque não tem apreço por jornalista: por que os árbitros consentem que os técnicos fiquem o jogo inteiro à beira do campo, dando instruções, fazendo teatro, incitando a torcida contra a arbitragem? A lei é clara: o lugar do treinador é no banco e só. Eventualmente, tem o direito de ir dar uma instrução e se retirar o mais rápido possível.
- Campeonato Brasileiro: tenho visto bons jogos, este ano. O nível de violência, a meu ver, caiu sensivelmente. Equipes estão jogando pro gol, de peito aberto. Que bom.
- Entrevistei essa semana, no Esporte Real, Roberto Marsiglia, ex-árbitro da FIFA e hoje comentarista de futebol da rede gaúcha RBS. Marsiglia é contra a idéia de futebol com dois árbitros em campo. Acha que os dois vão bater cabeça com cabeça. Prefere a solução de aumentar as atribuições do quarto árbitro que fica na beira do campo. É contra também o uso do vídeo pra dirimir dúvidas em lances capitais. A posição de Marsiglia coincide com a de Joseph Blatter. O presidente da FIFA acha que o quarto árbitro deveria ajudar mais seus companheiros.
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