Na Grande Área (Armando Nogueira)
PARIS - Vejam só: a única vez em que Denílson foi ele mesmo, a seleção do Brasil fez um gol. Foi uma invenção maravilhosa. Denílson driblou em pé, driblou deitado, levantou-se com a bola atada ao pé e lançou, com uma rara precisão, uma bola com açúcar e com afeto. Cabeçada de Bebeto.
Nada mais de bom fez a equipe do Brasil, com uma formação que só era ofensiva na teoria. Estéril na meia-cancha, estéril no ataque. Noite sombria.
Não gostei do primeiro tempo; e muito menos do segundo. Que diabo de configuração é essa do Brasil? Leonardo atrelado a Rivaldo pela direita, ambos transferindo pra Dunga o papel de regente ofensivo. Dunga é a encarnação do passe óbvio que não desequilibra ninguém. Por que será que Denílson só tentou um drible em 90 minutos? Limitou-se a fazer passes banais de dois, três metros. Passes horizontais.
Se não for pra driblar, então, é melhor que Denílson fique no banco, que é o lugar de jogador bem comportado. Um ataque de estilo ousado, como Denílson, tem que ter liberdade pra inventar.
A seleção brasileira sofreu uma recaída. Voltou a ser a equipe opaca e melancólica da fase pré-Copa.
Deus nos livre de outra exibição assim.
Agora, a Copa entra no sistema de nocaute. Quem for à lona, adeus. E o Brasil não podia desejar adversário mais a contento. O Chile sempre será menos incômodo que a Itália. A história não fala dos chilenos como rivais tinhosos do Brasil. Nem na Copa, nem nas paradas sul-americanas. É bem verdade que jamais se viu uma seleção chilena embalada por dois excepcionais atacantes como Marcelo Salas e Zamorano.
Ainda assim, vejo o Brasil dois palmos acima, dia 27, em Paris. Até lá, amigo leitor.
A Copa manda flores





