PARIS - A seleção brasileira entra em campo, hoje, com os pés sempre leves do otimismo. Nada mal. Costumo dizer que o otimista erra tanto quanto o pessimista, mas leva uma vantagem: o otimista sofre menos... Gostei de ver Zagallo, falando à imprensa, num tom mais confiante que confiado. Ele estava, certamente, no embalo pelo bom treino de Ozoir e, principalmente, pelo rendimento de Leonardo, cujo vai-e-vem, todo mundo me garante, foi a melhor coisa do treino, anteontem. Ao contrário de Giovanni, Leonardo mesmo canhoto, teria desempenhado, com desenvoltura, o papel de meia-direita, naturalmente atribuído aos destros. A tal ponto, que parece ter aflorado na equipe, ao mesmo tempo, uma maior consistência defensiva e maior poder de fogo no ataque.
Sinceramente, quero ver pra crer; e ver, querendo crer. Afinal, com o elenco de que dispõe, a seleção brasileira está devendo ao mundo uma satisfação pelo pálido futebol que tem jogado, nas últimas partidas amistosas e, até mesmo, na estréia contra a Escócia. Daquele jogo, de bom, mesmo, só a vitória que, aliás, é o que mais importa no futebol-negócio. O universo da Copa do Mundo é movido por um sentimento nacionalista a que não escapa ninguém. Os próprios franceses, que adoram o bom futebol, proclamam, agora, que querem ver sua seleção vencer a Copa, mesmo se estiver jogando pedrinhas.
Não há de ser por acaso que foi a França que inventou a palavra chauvinismo...
Quando digo que o Brasil está devendo ao futebol uma grande exibição, não falo com o coração, mas com a mais singela das razões. Nenhum país, até hoje, conseguiu dar mais esplendor técnico a esse esporte quanto o Brasil. Não conheço outra seleção que se dê ao luxo ter no banco de reservas duas preciosidades como Denílson e Edmundo. Sem falar na defecção de Romário que o mundo inteiro reverencia como o soberano da grande área. Não há um só mistério que Romário não tenha desvendado no território encantado da meia-lua. Pra contentamento de todos, inclusive, das esfinges que povoam a grande área.
No dia do segundo jogo do Brasil, não deixarei de louvar Zagallo pela entrevista que deu, logo depois do treino de anteontem. Pela primeira vez, em muito tempo, um leve sorriso sublinhou o semblante de alguém que sempre aparece carrancudo. Diz um velho ditado húngaro que um bom sorriso é prenúncio de felicidade. Sorria, Zagallo, quanto mais, melhor.
O arco-íris da contrafação
A Holanda, de camisa azul. A Espanha, de camisa branca. É uma estranha desfiguração. Um desapreço à tradição da camisa. Em nome de que se perpetua semelhante disparate? A Nigéria joga de camisa verde e calções brancos. Quando é que esse padrão de uniforme pode se confundir com o vermelho-sangue da camisa e o azul dos calções da seleção espanhola? Símbolo da fúria ibérica. Sanguínea como uma praça de touros. Alguém pode imaginar a seleção italiana sem a camisa ‘‘azzurra’’? E se o Brasil resolvesse jogar com uma camisa vermelho-tórrido? Não te reconheço, Espanha, de camisa branca. Nem a ti, Holanda, sem a cor laranja que tanto embelezou teus carrosséis, nos anos 70.
O futebol não merece tanta contrafação.
Uma avenida que anda...
Subo e desço o Champs-Elysées, onde fica o meu hotel. Cada vez mais me deslumbro. O Champs-Elysées, sempre coalhado de gente feliz, me dá a sensação de que a humanidade ignora sofrimento. As pessoas passam com um ar de que não vão morrer nunca. Pedaço mágico do mundo, o Champs-Elysées é uma avenida que anda...
RÁPIDAS E RASTEIRAS

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