Na Grande Área (Armando Nogueira)
A vitória brasileira na estréia da Copa do Mundo tem a sua expressão maior no brio com que se deram à partida todos os jogadores. Nada que lembrasse aquela cadência sonolenta dos últimos jogos preparatórios. Houve uma nítida evolução tática, sobretudo, no papel de César Sampaio que, pela primeira vez em muitos jogos, deixou de ser o volante só ofensivo para dar apoio sistemático ao lateral Cafu. E foi graças à solidariedade dele que Cafu realizou um trabalho de atacante como há muito tempo não se via. Ao mesmo tempo, Junior Baiano ficou desobrigado de sair da área para dar cobertura a Cafu.
Coletivamente, a equipe brasileira não empolgou, mas não desapontou. Falta, ainda, apertar parafusos. No plano individual, porém, merece registro o que fizeram com e sem a bola jogadores como Cafu, Dunga, os dois centrais e Rivaldo. Denílson, como sempre, dá muito mais graça ao jogo com a alegria e a leveza de seus dribles. Aquém do próprio talento, Giovanni. Não teve a clarividência que o distingue no Barcelona. Leonardo, que o sucedeu no segundo tempo, pouco realizou ofensivamente. O estilo de Leonardo entrou numa fase nebulosa não é de hoje. Já é tempo de Leonardo reencontrar a fluidez de seu jogo.
Pelas características do jogo, uma estréia plena de tensões, acho que foi até razoável. Falta, porém, mais desenvoltura, sobretudo defensiva. Contra equipes mais fortes, o Brasil pode ter dificuldades maiores. Uma vitória que teve, ainda, o mérito de abalar uma tradição que já se firmava.
Em 66, na Inglaterra, a FIFA criou o jogo inaugural da Copa, tendo como atração o vencedor do título. E desde então tem dado mais zero-a-zero de que outra coisa. São oito Copas, com apenas cinco gols marcados. Convenhamos, é muito pouco. Ou melhor, era, porque, hoje, o Brasil se subverteu a conta e melhorou a idéia. Venceu a partida, o que não chega a ser surpresa nem mesmo pro técnico Craig Brown, da Escócia, que aqui chegou sem esconder um certo desânimo. Com uma frase repassada de velho humor britânico, mister Brown abriu o jogo: Estou achando que nosso time vai embora mais cedo. Tão cedo que é bem possível que os jogadores cheguem em casa antes dos cartões-postais...
Em socorro do apito





