Na Grande Área Armando Nogueira Haja futebol Sai dessa, futebol profissional! Os cartolas inventam taças, torneios e campeonatos. Entopem o calendário. O jogador não tem tempo de treinar, o técnico se desespera, querendo elencos maiores, pra contornar os problemas de fadiga e contusões. Pra agravar o quadro, ninguém quer ficar no banco, mesmo sabendo que entrará a qualquer momento. A condição de suplente fere a auto-estima do jogador, gerando um ambiente tenso no cotidiano do clube. Seria tão bom se o futebol-negócio pudesse limitar a atividade do clube a um jogo por semana. Estaria resolvida uma penca de problemas como lesões, desmotivação, tamanho do elenco e a eterna bronca de jogador que não tolera a reserva. Sem contar que o futebol ficaria livre de um fenômeno que o ameaça: a banalização do esporte. Sinceramente, eu sou um dos milhões de cidadãos que já não está aguentando ligar a tevê e esbarrar com três quatros canais (cabo e tevê aberta) mostrando futebol. Está virando carne de vaca. Até quando? Trocando figurinhas O leitor Nelson Calheiros, de Niterói, me pergunta: ‘‘Afinal, qual é a do Guga, que vive um angustiante (pra ele, Calheiros) perde-ganha? Será que Guga não precisa de um psicólogo, no pé dele?’’ Minha resposta não é inédita. Já falei do assunto, noutras oportunidades, tanto no jornal como na tevê e no rádio. Guga é um tenista excepcional. Tem um talento luminoso. Figura, hoje, entre os grandes ídolos do tênis. Isso de perder e ganhar é do esporte. A verdade é que, na temporada de 99, teve uma extraordinária performance. Sucede que o tênis é um jogo de alta precisão. O simples fato de haver diversos tipos de quadra afeta profundamente o rendimento do tenista. Guga é um especialista de saibro. Na terra batida, hoje, ele é o máximo em todo mundo. Em quadra rápida, até que ele tem progredido, mas nunca será a fera que é em piso lento. Um bom exemplo: Pete Sampras é incomparável em quadras rápidas, mas é uma nulidade em terra batida. Passa por Roland Garros como um ilustre desconhecido. Gol entre as pernas Entramos no ano 2000 e não me liberto de uma pergunta que nunca ninguém me fez, mas que me faço, agora em nome do brio profissional: onde é que estava mesmo a reportagem brasileira naquela tarde de 98 em que o Ronaldo teve um treco? Eram centenas de jornalistas, dia e noite, a rondar a concentração brasileira. Pois não houve um, ao menos um, que descobrisse nada. O mundo se acabando dentro do ‘‘bunker’’ e a imprensa toda, do lado de fora, comendo mosca. Nós jornalistas somos muito exigentes, vivemos a cobrar da CBF o silêncio da delegação sobre o que houve com o Ronaldo. Sempre é tempo de cobrar de nós mesmos. A grande indagação, que não deixa nada bem a mídia, é esta: que é que aconteceu com a imprensa (rádio e tevê estão no bolo, também) naquela tarde? Ronaldo teve o piripaque às três da tarde, foi levado a um hospital distante do ‘‘bunker’’ brasileiro e a imprensa só ficou sabendo às oito da noite, já no estádio, assim mesmo em nota oficial. A informação chegou como chega um ‘‘press-release’’: de mão beijada. Fomos passados pra trás, bonitinho. Pra mim, o episódio passa à história como o maior vacilo do jornalismo esportivo brasileiro. Não há como esconder o sol com a peneira. Tomamos um gol, com aquele requinte de bola entre as pernas. RÁPIDAS E RASTEIRAS - Robert Scheidt sobrou na última regata de Laser, em Cabo Frio. Porém, todo cuidado será pouco, em Sidney. Apareceu em Cabo Frio um argentino chamado Diego Rivera. Sergio Goretkin, meu guru pra assunto de vela, me conta que o argentino é fera. - Quanto brasileiro bom de bola já passou pelo futebol espanhol! A revista ‘‘Don Balon’’ faz um retrospecto de respeito, sob o título ‘‘Brasileiros Inesquecíveis’’. Lá estão Luis Pereira, Evaristo, Romário, Leonardo, Ronaldo, Leivinha, Vavá, Didi. Além, naturalmente, dos grandes jogadores do momento: Rivaldo, Djalminha, Roberto Carlos, Sávio e Denilson. A reportagem, altamente elogiosa, menciona, ainda os artilheiros Waldo e Baltazar. - Uma revelação do boletim de notícias da Fifa: na festa de Bruxelas, que celebrou a entrada de Zico e Didi no ‘‘hall’’ da fama, o britânico George Best realizou um velho anseio: conhecer, pessoalmente, Didi, que foi um dos seus ídolos. Best assistiu à cerimônia sentado ao lado de Didi. - Ottmar Ritzfeld, treinador do Bayern Munique, julga obsoleta a máxima segundo a qual não mexe em time que está vencendo. O argumento dele é incontestável: a sobrecarga de jogos do calendário atual, no mundo inteiro, mina as forças do jogador. Daí, Ritzfeld ter oficializado, na sua equipe, o princípio da rotação, que consiste em revezar metade da equipe pra dar descanso ao elenco. A prova de que o sistema está dando certo é que caiu, sensivelmente, o índice de lesões musculares e articulares. As distensões praticamente sumiram do Bayern. Não deixa de ser um alerta aos clubes brasileiros, com o nosso calendário homicida. - Uma cifra respeitável: pesquisa comercial revela que são vendidas, por ano, no mundo inteiro, 40 milhões de bolas de futebol. A maioria das bolas com o selo da Fifa são feitas no Paquistão e na Índia. - Outra revelação sobre a bola é que, pra ser aprovada pela Fifa, a bola tem que passar pelo seguinte teste: um canhão fica disparando a bola contra uma parede de aço nada menos de duas mil vezes, a 50 quilômetros por hora. As costuras e a válvula de ar devem permanecer intactas, com uma insignificante perda de pressão e uma mínima deformação da circunferência.