Na Grande Área Armando Nogueira ‘‘Michael Jordan’’ é um livro que vale a pena ler. Conta da vida e da carreira do maior jogador de basquete. Pelo menos, quem entende do riscado tem essa certeza. Jordan é o Pelé das quadras. O livro encerra muitas lições que Jordan aprendeu e outras tantas que ele ensinaria, ao longo de uma trajetória radiosa. Outro dia, mesmo, eu lia entrevista de alguém (se não me engano, de Antônio Lopes) dizendo que Romário não precisa treinar. Ele sabe tanto de futebol e de gol que pode se dispensar da prática sistemática. Se Lopes fala de habilidade técnica, talvez. Mas, eu pergunto: e fisicamente? Antes de mais nada, energia não é um bem que se armazena pra ir consumindo aos pouquinhos. Se a energia que se conquista com o exercício não for empregada no jogo seguinte, simplesmente, se esvairá com o tempo, como luz de vela. A certa altura da carreira, Michael Jordan sentiu que lhe faltava melhor condição atlética. Ele já era uma sumidade mas achava que um bom trabalho muscular poderia ajudá-lo a suportar o tranco das quadras. Decidiu, então, contratar um preparador físico. Queria ter mais massa muscular. Um amigo achou que aquela não era uma boa idéia. ‘‘Você é um verdadeiro puro-sangue’’ – dizia-lhe Howard White – ‘‘por que, então, está querendo estragar tudo? Você vai acabar perdendo sua velocidade.’’ Michael Jordan, decidido, respondeu: ‘‘Olha Howard, não é você que está sendo caçado na quadra. Esses caras estão me matando. Eu preciso ficar mais forte.’’ Durante sete temporadas inteiras, Jordan só não jogou seis partidas. Não tinha mais distensão muscular. Jordan dizia, com orgulho: ‘‘Joguei fora todo meu guarda-roupas. Não caibo mais nas minhas roupas.’’ Jordan tinha ficado mais forte. Um dos primeiros sinais de que Jordan ficara mais resistente fisicamente foi que, nas subidas à cesta, ele se tornou um finalizador muito mais eficiente. ‘‘Antes – revela o autor do livro – quando Jordan subia pra cesta, se recebesse um toque, geralmente errava no lançamento. Agora, ele podia driblar, sofrer trombadas, absorvê-las e conservar energia pra finalizar a jogada.’’ Já pensou, amigo leitor, se um jogador com o talento de Romário, no esplendor de sua carreira, tivesse feito com seus músculos o que Jordan fez com os dele? Pra concluir, três informações complementares sobre o livro que se chama ‘‘Michael Jordan, a história de um campeão e o mundo que ele criou’’. O autor é David Halberstam, os tradutores são Alexandre Barbosa de Souza e Cide Piquet. A editora é a 34. Brigadeiro impiedoso A aviação esportiva brasileira só não morre porque é teimosa. Dou um exemplo acachapante: semana passada, saímos do Rio, quatro ultraleves. Destino: Guarapari, no Espírito Santo. Devíamos fazer pouso técnico em Macaé, pra reabastecimento. Falei, por telefone, com alguém do aeroclube de Macaé que me deu a seguinte informação: o aeroclube tem gasolina, sim senhor, mas não pode vender pra estranhos à casa. Pergunto, estarrecido, de onde vem tão chocante decisão. Resposta: foi o brigadeiro que proibiu. O rapaz nem sabia o nome do brigadeiro. Em tantos anos de céu esportivo, conheci muitos brigadeiros. De alguns tenho a alegria de ser amigo. Nunca imaginei que, nessa nobre patente da FAB, pudesse haver alguém, assim, tão implacável. É preciso esclarecer que, hoje em dia, não há mais gasolina na maioria dos aeródromos controlados do Brasil. Aviões e helicópteros usam querosene. Gasolina, que é o combustível dos aviões primários ou esportivos, essa, só existe nos aeroclubes. Então, é ou não é impiedosa a decisão do brigadeiro? Seguimos viagem, medindo a conta do chá do nosso combustível. No aeroclube do Espírito Santo, a nossa revoada foi recebida com tapete vermelho. Lá, nos reabasteceram, fraternalmente. É... o brigadeiro deles é melhor que o nosso... RÁPIDAS E RASTEIRAS - Na final do Rio–São Paulo, o time do Palmeiras consagrou a verdade de que dá, sim, pra jogar bonito e com raça. - Há muito não se via, numa decisão, o que fez o Palmeiras: em vez de ficar, timidamente, encolhido, a defender a vantagem do empate, já saiu atirando, com o desassombro dos grandes guerreiros. Ponto pra Scolari. - O time do Vasco teve a posse de bola, o tempo todo. E daí? Controlava a bola, trocava passes, não por que jogasse melhor e sim porque a isso era forçado pelo time do Palmeiras que não lhe deixava brechas, nem frestas pra enfiar um único passe de gol. - Um fato que me conquistou na vitória do Palmeiras: seus ataques, fulminantes, eram sempre à base de passes rápidos, precisos e vistosos. Não foi uma vitória do contra-ataque, com passes longos; foi a vitória da técnica radiante a serviço da tática mais rigorosa. - Não vejo o menor fundamento na versão saída em alguns jornais de que o jogo Palmeiras x Vasco foi a disputa entre a vontade e a falta de vontade. Quem viu o jogo assim, com certeza, viu de forma distorcida: o Palmeiras é que não deu ao Vasco da Gama nem o direito de ter vontade. Massacrou-o física, técnica, tática e mentalmente. - A diretoria do Vasco, com medo de mais um vice, esqueceu as desavenças e reincorporou os rebeldes Edmundo e Felipe. Fraquejou e cometeu um erro grave: escalou Edmundo que estava há quase um mês sem jogar e, naturalmente, sem a conta da bola. Resultado: fracassou justamente no fundamento que mais o distingue que é o drible curto, mano a mano. - O time do Vasco é tão submisso ao vice Eurico que, pra imitá-lo, ganha um vice atrás do outro. Quem avisa amigo é: ser vice vicia...