Na Grande Área (Armando Nogueira)
RIVALDO, COM TODA ALEGRIA
Vamos ver se, agora, Rivaldo deixa de choramingar: que ninguém gosta dele porque ele é nordestino; que a imprensa só elogia jogador nascido no centro-sul do Brasil. Um bla-bla-blá sem o menor sentido. No duro, no duro, Rivaldo jamais jogou na seleção o que sempre joga em time de clube. Era um contentamento vê-lo inventar jogadas no Palmeiras. Como é bom e bonito o futebol que joga no Barcelona, em cuja equipe, repleta de craques, ninguém lhe chega aos pés, seja em brilho, seja em eficiência, ou em constância; justamente os três atributos que escapam de Rivaldo quando ele entra na seleção nacional.
É verdade que o apogeu de Rivaldo coincidiu com aquela obsessão de Zagallo pelo tal do número 1. O papel de Rivaldo, na seleção de Zagallo, se não era de todo absurdo, era no mínimo nebuloso. Devia inibi-lo. Aliás, não só a ele. Outros jogadores também padeciam quando eram metidos naquela esdrúxula equação. Na era de Wanderley Luxemburgo, Rivaldo tem se sentido mais à vontade pra fazer o que lhe der na veneta. Porque Rivaldo é um peladeiro. Um soberbo peladeiro, desses que não precisam de ninguém, além de uma bola, pra fazer um gol de antologia.
A escolha do melhor jogador do mundo, feita pela FIFA, há de contribuir pra adoçar a alma de Rivaldo. São os nossos votos mais ardentes. Afinal, a cara emburrada não combina com o estilo de jogo de tão ilustre personagem.
Parabéns, Rivaldo e, por favor vê se trazes pra fora do campo o sopro de alegria que vem de ti, quando passas com a tua bola, tão risonha e franca.
SELEÇÃO, DESOLAÇÃO
A seleção pré-olímpica jogou duas vezes, empatou uma, venceu a outra. Em ambas, jogou bolotas, ficou devendo. Veremos se, hoje, se desfaz a impressão desoladora que restou das duas primeiras partidas. Confesso que, até, agora, só há razões pra negar equipe. Gente, de onde nosso bom Wanderley Luxemburgo foi buscar um trio de armação tão desconjuntado? Mozart, Fabiano e Baiano podem até desencabular, daqui pra frente. Até agora, porém, são três zeros à esquerda um do outro.
Se alguém fizer uma enquete nacional, vai concluir que a pátria acha que Athirson não pode ser preterido por ninguém. O lateral do Flamengo tem um poder ofensivo muitas vezes maior que Fábio Aurélio. E é justamente por não haver jogadas de ponta que a seleção tem sido tão estéril na grande área adversária. A turma do meio não está criando nada, momento algum.
O trio Fabiano-Mozart-Baiano está sobrecarregando a dupla Alex-Ronaldinho. Por favor, Luxemburgo, nós merecemos uma meia-cancha mais pródiga. Senão, a seleção terá que viver dos milagres de Alex e Ronaldinho.
FULGURAÇÕES DE AGASSI
Quem tem visto jogar o André Agassi? Com a graça de Deus, eu tenho visto. O moço vive um momento de esplendor técnico, físico e mental. Tem um aproveitamento espantoso, em todos os fundamentos do tênis: saca com precisão, devolve bola de serviço como devolvia Jimmy Connors. A bem da verdade, a bola de Connors levava menos peso. A de Agassi é puro megaton. Fiquei deslumbrado com as devoluções dele no serviço de Phillipoussis, que é bazuca o tempo todo.
André Agassi não desliga do jogo um instante sequer. Não se permite, nem mesmo, cerrar o punho quando faz um ponto do mais fino lavor. O público delira e ele, impassível, pede ao boleiro que lhe passe a toalha. Enxuga a careca e vai em frente, acachapante como um buldôzer.
Do alto da tribuna, Steffi Graf contempla as fulgurações do doce amado.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
Jaqueline e Ana Paula já não dividem a mesma bola. No mínimo, uma rede as separa. É mais uma dupla feminina que se desmancha. O vôlei das moças dá, mesmo, uma paródia do poema de Drummond: Jaqueline que jogava com Sandra, que jogava com Adriana, que jogava com Mônica, que jogava com Shelda / / // / Francisco Milani, meu querido Milani, interpretou, no Esporte Real, a deliciosa crônica de Luis Fernando Veríssimo chamada Sexo e Futebol, do livro A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto. É lançamento da Editora Objetiva de meu bom companheiro Roberto Feith. / / / / / O Inmetro tem um estudo que revela desvios de medição nas balizas dos principais estádios brasileiros. O Maracanã está quase dentro dos padrões da FIFA, mas, ainda assim, acusa desvio de um centímetro e meio na altura de uma das balizas. / / / / / Muita gente me pergunta se estou contra ou a favor da medida provisória do Governo que proíbe que uma empresa administre dois clubes participantes da mesma competição. Confesso que ainda não formei juízo completo sobre a questão, até porque a medida inspira-se numa resolução de texto nebuloso editada pela FIFA. / / / / / Samaranch, que é o manda-chuva do Comitê Olímpico Internacional, não se saiu nada bem da audiência no Congresso dos Estados Unidos. Os deputados americanos apuram uma grande velhacaria em torno da escolha de Salt Lake City como sede dos próximos Jogos de Inverno. Samaranch tentou levar na vaselina os congressistas americanos mas não convenceu. Até agora, perdura a suspeita de que houve mutreta, também, na escolha de Atlanta, nos Jogos de Verão de 1996. / / / / / Amar a Deus, amar a bola, a Maradona, que tanto carece de amor.
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