A FORCA DO PRÉ-OLÍMPICO
O futebol brasileiro está nadando em água de rosas, com o mundial de clubes. Ter feito a final em família, deixando pra trás o Real e o Manchester, devolve ao Brasil um prestígio que já vinha abalado, primeiro, na Copa de 98, depois na Copa das Confederações e, mais recente na Copa Toyota. A festa é nossa, como bem diz a canção dos irmãos Valle e Nelson Motta.
Mal saído de uma consagração, o futebol do Brasil, começa a enfrentar, a partir de hoje, uma batalha gigantesca, que é esse pré-olímpico de Londrina. A primeira parada, o Chile, já será indigesta – podem crer.
Minha avaliação, aparentemente pessimista, é, porém, de um realismo irrecusável. Digo porque: na Copa América, em 99, o Brasil chegou a penar e lá estava com sua seleção principal. Já, os rivais, esses jogavam com suas equipes suplentes, embora fossem todas de muito bom nível, principalmente, Argentina e Uruguai. Pois agora quem entra na competição enfraquecida, em relação à Copa América, é o Brasil. A versão olímpica é forte mas a da Copa América tinha melhor peso atômico. Psicologicamente, pros rivais, é bem melhor pegar a turma do degrau de baixo.
É bem verdade que o torneio classifica dois pra Sidney, o que torna mais leve o piano brasileiro, mas ainda assim, Wanderley Luxemburgo, que não é bobo, sabe muito bem que a Argentina, Uruguai e Paraguai são páreos duríssimos. Na melhor das hipóteses, estará coberto de razão quem, como eu, disser que, nesse pré-olímpico, serão quatro candidatos a duas vagas: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
E não custa nada ficar de olho vivo no Chile e na Colômbia.

ARDENTE CORAÇÃO
Ainda ressoa pelo país o grito triunfal do Corinthians. Em verdade, o que se deve celebrar, nessa bela equipe, é uma admirável sucessão de títulos: campeão paulista, bicampeão brasileiro e campeão mundial. Uma coleção de ouro conquistada em apenas meio ano de muito suor e muitas artes.
Pros rivais de morte que querem ver a caveira do Corinthians deve ser duro aturar um rosário de glórias de tal dimensão. É, realmente, uma consagração. Três campanhas que põem em relevo, acima de tudo, o brilho e o senso profissional de jogadores e técnicos. O Corinthians culminou, agora, no Maracanã, uma cruzada heróica de 89 partidas. Poucas equipes no mundo teriam sobrevivido a semelhante prova de estoicismo, de competência, de determinação. Tardará muito tempo até que outro clube, brasileiro, ou não, possa estufar o peito e sair por aí, festejando três epopéias, uma regional, uma nacional e outra internacional. Cada uma maior que a outra. Três maravilhosas aventuras vividas, em estado de graça, pelo coração corinthiano.

EDMUNDO, POR QUE NÃO?
Tenho uma velha teoria: comentarista esportivo jamais é derrotado. Termina o jogo, saímos todos, ar catedrático, a mostrar o caminho das pedras; pedras já pisadas e repisadas pelas equipes. Pois é chegada a minha vez de estranhar por que cargas d’água o técnico do Vasco não deslocou Edmundo pra ponta-direita? Edmundo nasceu jogando na posição. Era, no Palmeiras, a peça que desmantelava as defesas rivais.
No jogo com o Corinthians, dava pra notar duas situações claríssimas: a) Edmundo não conseguia respirar, asfixiado o tempo todo por Rincón; b) O lateral Paulo Miranda subia pela ponta-direita, desmarcado, livre como ninguém. Ora, se Edmundo tivesse descambado pra ponta, certamente teria levado com ele Rincón, e assim, desarrumava o bloco defensivo corinthiano. Se Rincón não o seguisse, tanto melhor: Edmundo estaria, até hoje, criando pânico, ali, onde Paulo Miranda, limitadíssimo, só criava expectativas frustradas e nada mais.
Pergunta que, certamente, cairá no vazio das coisas já vividas, das coisas mortas: por que Edmundo não explorou a ponta-direita, uma única vez, em 120 minutos de jogo?

RÁPIDAS E RASTEIRAS
O esporte mercantilista está cheio de cara-de-pau: o corredor alemão Dieter Baumann, apanhado duas vezes no exame de doping, apresentou, como defesa, a ‘‘prova’’ de que alguém misturou nandrolona na sua pasta de dentes. A nandrolona, que é um esteróide anabolisante, vai começar a aparecer no abacate, no leite desnatado, no picolé de limão... / / / / / Dinheiro grosso rola mesmo é no golfe: o espanhol Sergio Garcia, 20 anos, novo prodígio do esporte, acaba de assinar com a Adidas um contrato estratosférico de 90 milhões de dólares por cinco anos. / / / / / Conclusão de um congresso norte-americano sobre obesidade: ‘‘Uma caminhada de 30 minutos, por dia, reduz o risco de doenças cardiovasculares, e de diabetes. Mas, se alguém quiser perder peso, mesmo, tem que andar duas vezes mais. / / / / / Primeiro, foi o filho, Helinho; agora, é o pai, Hélio Rubens, trazidos de Franca pelo Vasco da Gama. O amor-próprio de Franca deve estar duramente alcançado. Franca transpira basquete, há meio século. / / / / / Ainda o basquete: recente estudo, feito na Europa, revela que o basquete é o segundo esporte mais praticado no mundo, depois do futebol e antes do atletismo. / / / / / Quem é da velha-guarda do futebol é capaz de concordar comigo: o jovem goleiro Helton, do Vasco, começa a lembrar o legendário Moacir Barbosa, o melhor goleiro brasileiro que vi jogar. Na agilidade, na elasticidade, Helton pinta como herdeiro do magistral Barbosa.
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