Com a palavra, a bola
Por mais que medite, por mais que pondere, não consigo ver, de véspera, o vencedor do jogo de hoje, no Morumbi. Vou repartindo prós e contras: o elenco do Corinthians, a auto-confiança do Atlético, valores concretos e subjetivos – e não chego, senão, à maior dúvida. O Atlético Mineiro, da noite pro dia, converteu-se numa equipe empolgada e empolgante. O Corinthians, por sua vez, iniciou a partida do Mineirão deitado em berço esplêndido e quando acordou já era tarde. Ainda assim, porém, soube deixar em campo e no placar a sua marca de equipe poderosa.
À luz do regulamento, o Atlético tem uma vantagem: uma simples vitória, com um golzinho chorado, lhe assegura o título. Já o Corinthians, mesmo vencendo, terá provocado, no máximo, o terceiro jogo.
Na primeira partida, as duas equipes ficaram subitamente privadas de dois craques: Rincón e Marques. O drama se repete hoje. Marques não pode jogar e Rincón vai poder estar, pelo menos, nas tintas da súmula. O ‘‘capitão’’ corintiano passou a semana sob bombardeios da fisioterapia. A escalação, na verdade, vai depender dele próprio. Não está sentindo dor no músculo? Então, vamos lá. O técnico tem que se louvar na palavra do jogador. Pelo menos, é o que dita a experiência.
Na Copa do Mundo de 54, a Hungria pagou caríssimo, na final, pela escalação de Puskas que, mal curado de um tornozelo avariado, achou que daria pé. Não deu. No Mundial da França, Ronaldinho, sobrepondo-se aos médicos e ao técnico, escalou-se e deu no que deu.
O próprio Rincón, depois de sentir a fisgada na coxa, achou que fosse uma dorzinha passageira. Não pediu pra sair. O treinador foi criticado por não tê-lo afastado, de pronto. Em situações assim, envolvendo um grande jogador, a última palavra acaba sendo do craque, mesmo. Até porque a dor é questão muito pessoal. Há quem tolere mais e quem não tolere nem um pouquinho.
De qualquer modo, é pra se ver com reservas a escalação de Rincón. O Atlético não quis correr risco com Marques. As duas atitudes talvez reflitam o estado de espírito das duas equipes.
Enfim, seja o que a bola quiser.
O susto de Leila
Todo mundo festeja o vôlei e, principalmente, o par de olhos de Leila, realmente uma beleza. O que ninguém sabe é que um desses tesouros ia se perdendo. Foi assim: no jogo com o Rexona, Leila salta pra cortar. Do outro lado, Érika sobe e bloqueia. A bola resvala na antena que, por sua vez, atinge e fere o supercílio direito de Leila, provocando, ainda, um derrame no globo ocular.
Felizmente, Leila escapou de um acidente que poderia ter lhe custado um olho.
Três heróis, três medalhas
Ainda Leila: outro dia, ancorei uma mesa-redonda ao lado dela, da Maureen e do cavaleiro Doda. Três atletas de ouro do esporte brasileiro. Cada um falou de suas conquistas, do suor que poreja de suas medalhas. A platéia, de cerca de 400 empresários, aplaudiu, com fervor, o depoimento dos três.
No fim, quando acabei de falar do sucesso do encontro, o cavaleiro Doda, da equipe de hipismo do Brasil, me fez uma surpresa que me deixou tonto: pendurou no meu pescoço a medalha de ouro – a própria – que ganhou nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg.
Hei de honrar a medalha, por sinal, a única de minha frustrada carreira esportiva. Passei por diversos esportes, sem jamais ter sido notado, inclusive por mim mesmo. Se no jornalismo tenho falado com entusiasmo e carinho, de esportes menos votados, como hipismo, atletismo e iatismo, nas quadras e nos campos sempre fui um zero à esquerda. Foi assim, na mocidade, quando eu ainda tinha futuro. Como poderia ser diferente, hoje, se o que está por vir não chega a ser futuro? Daí, o meu desvanecimento diante do gesto de Doda.
Enfim, acabo de ser feito herói esportivo por interposta pessoa, o que não deixa de ser original.
Eu, quem diria, medalha de ouro! Realmente, meu passado é, mesmo, imprevisível.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Wanderley Luxemburgo enquadrou o Ronaldinho Gaúcho: primeiro, a seleção; depois, todo tipo de badalação. Ronaldinho, inspirado no seu modelo, queria matar treinos da seleção pra ir gravar comerciais. É de menino que se torce o pepino.
- Leilane Neubarth, que vi nascer no telejornalismo da Globo, está lançando ‘‘Faróis de Milha’’, livro em que narra a sua grande aventura, cobrindo, como repórter, o Rali Granada-Dacar, certamente o mais espinhoso do mundo. São nove mil quilômetros de deserto.
- Uma coisa que esqueci de dizer, no texto sobre o jogo de hoje, o segundo das finais do Brasileiro: não há de ser sem muito suar que o Corinthians consegue levar o Atlético a um terceiro jogo. Até agora, o coração que pulsou mais intensamente foi o do time mineiro.
- Palmas pra CBF, que decidiu contratar a Fundação Getúlio Vargas pra por ordem na vida do futebol brasileiro. Antes tarde que nunca.
- Uma boa notícia: piloto esportivo (ultraleve) não precisa mais passar pelo corredor polonês do exame médico do CEMAL. A prova de saúde, agora, consiste num atestado médico, assegurando que o piloto tem perfeitas condições físicas e mentais pra voar de ultraleve. De parabéns o DAC e a Diretoria de Saúde da Aeronáutica.
- De excelente padrão técnico e disciplinar a partida Flamengo, 4 x Palmeiras, 3, no Maracanã, quinta de noite. O Rio amanheceu com cheiro de porco assado...
- A FINA, entidade que manda na natação mundial, aprovou o maiô de corpo inteiro, lançado, recentemente, por Ian Thorpe, o bam-bam-bam das piscinas recordistas. Já em Sidney, os nadadores poderão usar o novo modelo que permite cobrir o corpo inteiro, menos as mãos, os pés e o rosto.

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