Um só coração
Meu personagem da semana poderia ser o Guilherme, temível atacante do Atlético Mineiro. Fazer três gols, numa partida extra-classe, é de empolgar qualquer crítico de futebol. O grande artilheiro exala triunfo; parece que o instinto do gol lhe sai pelos poros. Assim é esse glacial Guilherme que, dentro da pequena área, não pensa noutra coisa a não ser fulminar o goleiro.
Acontece que meu personagem é mais que um jogador – é um time inteiro. O time do Atlético que, na primeira partida da série final, fez valer o velho ditado: um por todos e todos por um. Esplêndido Atlético Mineiro: foste, em campo, um exemplo de bravura, movido por um senso coletivo que está fazendo de ti uma equipe irresistível.
Meu personagem da semana, amigos, são onze criaturas de um só coração. Um tremendo coração, precisamente do tamanho da memorável história do Atlético Mineiro.
Rincón e Marques
São as artes do futebol. De repente, o jogo perde dois astros da mais intensa luminosidade: Rincón e Marques. Em campo, os dois são criaturas especiais. Rincón é um regente de orquestra; o outro, Marques, é a intuição em figura de gente, com suas fintas estonteantes. Pois bem: Marques e Rincón deixam a partida, ambos com estiramento muscular.
Cá com meus botões, imaginei, logo, que o Atlético iria perder o instrumento principal de seus mortais contra-ataques. Por sua vez, o Corinthians ficaria privado do olhar esférico de Rincón, perdendo, com isso, em força coletiva.
Nada disso aconteceu: o espetáculo se empobreceu, naturalmente, mas as duas equipes sobreviveram à adversidade. O Atlético manteve o mesmo poder de fogo, com Adriano, dando de bandeja, as bolas chegadas a Guilherme e o Corinthians arrancou do coração de Vampeta e Ricardinho o entusiasmo pra tentar se salvar. E por um triz não se salvou.
O que fica do episódio é que os dois jogadores aqui destacados certamente entraram em campo, ambos aquém da capacidade física. Os dois já tinham acusado problemas musculares, na arrancada das semifinais. Agora, a medicina esportiva vai ter que obrar milagres pra curar músculos até aqui curados apressadamente.
Pois que se recuperem tanto Rincón como Marques. A bola das finais se enobrece com o magistral futebol que os dois sabem jogar.
O rei da noite
Eurico Miranda entrega os pontos e admite: Edmundo pode sair de noite, com plena liberdade. Um privilégio que o vice vascaíno não concede a mais ninguém, seja ele Romário, Felipe ou Zé das Couves. Convenhamos, só a justiça tem sido tão tolerante com Edmundo. Todos sabemos que dorme, numa gaveta de tribunal, uma sentença de prisão contra Edmundo por crime culposo de atropelamento com morte.
Enquanto o processo ressona, Edmundo desfruta de liberdade ilimitada no Vasco da Gama. Não deixa de ser um insulto às famílias das vítimas das imprudências noturnas de Edmundo. Além do que, a mim me parece que o tratamento especial dispensado a Edmundo pode custar caro ao sonho vascaíno de ser campeão mundial de clubes.
Depois, não me venham dizer que o grupo está unido.
Rápidas e rasteiras
- Um jogo de basquete, ontem, em Ourinhos, impediu que Paula participasse de um evento da empresa Odebrecht, no qual eu sentaria ao lado dela. Ambos falaríamos sobre uma paixão comum a nós dois que é o esporte. Não faltará oportunidade, espero.
- Por falar na deusa do basquete, fico sabendo que ela está em forma física excepcional: perdeu seis quilos. Está uma sílfide.
- O curta-metragem ‘‘Uma história de Futebol’’, de Paulo Machline, foi exibido com grande sucesso, primeiro, em Nova York, e, agora, no Festival de Cinema de Belém do Pará. Ao mesmo tempo, Machline dá uma excelente entrevista, falando do curta, no programa de cultura ‘‘Starte’’, da Globonews, dirigido por Theresa Walcacer.
- Decisão é fogo na roupa: o calouro Kléber, do Corinthians, sentiu o peso do Mineirão, domingo passado. Além de se deixar ultrapassar por Belleti, na jogada do primeiro gol do Atlético, pisou na bola o tempo todo em que esteve em campo. Torço pelo guri porque vejo nele uma pinta de craque da posição de lateral.
- Fui dizer que os cariocas nada tinham a ver com o campeonato brasileiro, tomei pela tromba uma dezena de e-mails, me avisando que o Fluminense representa o futebol do Rio na 3ª divisão. Portanto, ressaltam os leitores, o Rio não está nada alheio ao campeonato brasileiro. Perdão pelo vacilo.
- O Clube dos Treze admite: se a justiça impuser mesmo o Gama na 1ª divisão, a Liga sonhada pro ano 2001 pode chegar mais cedo. Nessa hipótese, o campeonato principal do país passaria a ser o da Liga, com a participação só de clubes convidados. Naturalmente, o Gama estaria de fora da jogada.
- O Congresso empurrou pra mais adiante a Lei Pelé. Tome nota: a Lei Pelé vai acabar reduzida a pó.

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