Festival de contra-ataques
Uma coisa dá pra afirmar, desde logo: o campeão brasileiro de 99 é alvinegro, dos sapatos à camisa. A série final não deixa de ter uma surpresa: o Atlético Mineiro, em dado momento da competição, parecia até carta fora do baralho. O técnico Daryo Pereira chegou a ser demitido, como sinal de crise interna. De repente, o time estoura e chega às semifinais. Geralmente, uma equipe começa por ser tecnicamente capaz e, só depois, sobrevem a auto-confiança. Pois com o Atlético talvez tenha ocorrido o oposto: a força da mente chegou primeiro. Provida de grande destemor, a equipe organizou-se em campo. Fez do contra-ataque um instrumento decisivo de suas vitórias.
Agora, pode-se dizer que o Corinthians terá pela frente uma equipe consistente e que, tal como o próprio Corinthians, sabe contra-atacar com respeitável eficiência. E se o Corinthians dispõe de Luizão e Edilson, dois relâmpagos do contra-ataque, o Atlético dispõe de Marques e Guilherme que são igualmente irresistíveis no caminho do gol.
A série final do Brasileiro pode ser um festival de contra-ataques.
O dinheiro da America’s Cup
Diz o ditado que é falando que os homens se entendem. Pois ando inclinado a achar que é escrevendo que os homens se desentendem. Há dias, registrei, surpreso, que o iatista brasileiro Torben Grael ganha mil dólares por dia, como timoneiro do barco Prada Challenger, de bandeira italiana, que disputa a America’s Cup. Pois um leitor me escreve, cuspindo fogo por entender que eu estivesse indignado como o tamanho do cachê. Eu, hein!
Longe de mim o sentimento que me atribui o leitor. Apenas e tão somente destaquei o fato pra mostrar que, além do futebol-negócio, há outras modalidades em que o dinheiro corre, caudaloso. Outro dado impressionante da América’s Cup é que cada barco, pra entrar na prova, não gasta menos de 30 milhões de dólares. Como diz o próprio Torben, é dinheiro que daria pra bancar uma equipe de vela em 15 olimpíadas seguidas.
Quem quiser saber mais sobre a America’s Cup é só acessar o site de Torben Grael: www.torben-grael.com
Duas omissões
Esses gringos são de amargar. A revista inglesa World Soccer, por sinal uma das minhas leituras sistemáticas, comete o mau gosto de não incluir nem Garrincha, nem Zizinho entre os Nomes do Século, da edição de dezembro. Aparece gente como Oman Biyik, um camaronês de segunda linha. Aparece o goleiro sueco Thomas Ravelli, além de cartolas como Silvio Berlusconi. Considero uma heresia a omissão de nomes como Zizinho e Garrincha.
Ou são desinformados ou – o que é pior – são pobres de espírito, caso em que não merecem senão a nossa piedade cristã.
Romário-Edmundo?
O leitor Emerson me pergunta se acho que vai dar certo no Vasco a dupla Romário-Edmundo. Bom, se os dois estiverem a fim de jogar futebol, só pode dar certo. São dois atacantes excepcionais e com uma vantagem, a meu ver, importante: os dois têm estilos bem distintos. Taticamente, não são excludentes. O Romário é econômico de gestos. Fica ali na grande área, encolhido como uma serpente. De repente, dá o bote e é gol. O Edmundo, ao contrário, é uma espécie de corre-mundo. Não sossega. Circula pelo campo, driblando, correndo pra todo lado. Tanto ele pode dar um passe de meio gol, como fazer ele sozinho um gol de placa. Se os dois quiserem entrar numa de vedetismo, aí, azar deles e do Vasco.
Rápidas e rasteiras
- Quem não tem cão caça com gato. É o caso do torcedor carioca que nada mais tendo a ver com o Campeonato brasileiro, volta-se de coração aberto pro basquete. As finais de Botafogo e Vasco e do Fla-Flu foram soberbas.
- Blatter garante que já está pronto o estudo sobre o calendário único, a ser imposto ao futebol internacional, a partir do próximo ano. Cá entre nós, quero ver pra crer.
- Colegas de imprensa queixam-se de que Pelé foi injusto quando afirmou, lá fora, que o Brasil não está em condições de hospedar a Copa do Mundo. Pois tendo a concordar com Pelé. Não creio que ele tenha desmerecido o Brasil; desmereceu, sim, a CBF, pela bagunça completa na gestão do futebol.
- Do jornal português A Bola: ‘‘A equipe deixou o relvado, depois de fazer o golo da igualdade’’. É outro idioma, às vezes, mais delicioso que o nosso.
- O fato a registrar: a arbitragem, nos jogos semifinais, foi satisfatória. Teria sido impecável se os bandeirinhas não continuassem a ignorar a recomendação da FIFA de que, na mesma linha do rival, não há impedimento.
- Guilherme, do Atlético, está com a cachorra: a bola chega a ser subserviente, catando ele em todo lugar da grande área. Artilheiro procede por fases, como a lua. A luz de Guilherme varia entre a lua nova e a lua cheia.

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