Na Grande Área (Armando Nogueira)
Fim da Ferrari?
Wanderley Luxemburgo é o maior moita do mundo. Dele, ninguém arranca uma informação exclusiva. Não gosta de falar em off e só abre o jogo quando abre em entrevistas coletivas. Mas fiquei sabendo, de fonte credenciada, que o técnico da seleção está mais preocupado com a cabeça do que com o joelho de Ronaldinho. Acha que interesses extra-campo acabaram desviando Ronaldinho de sua grande vocação que é a bola, o campo, o gol. De qualquer maneira, o técnico já estaria mais aliviado por saber, em segredo, que Ronaldinho decidiu vender a Ferrari, desfazendo-se, assim, não apenas de um carro de luxo mas, sobretudo, renunciando a um tipo de vida mundana da qual a Ferrari é um símbolo, pra não dizer um estigma.
Há ainda outra mente que estaria na mira de Wanderley Luxemburgo: é o outro Ronaldinho, o Gaúcho que, ao que se sabe aqui e ali, entrou em parafuso, o parafuso da alienação. Ronaldinho, todos se lembram, passou do total anonimato ao estrelato mais esfuziante em apenas dez segundos, justamente o tempo que teve pra fazer aquele gol contra a Venezuela, na Copa América. De lá pra cá, a cabeça teria desandado, a tal ponto que não será surpresa pra ninguém se Ronaldinho Gaúcho quiser comprar uma Ferrari. Quem sabe a do próprio Ronaldinho...
O gênio do tênis
A última partida de tênis do circuito mundial, a decisão de Hannover, tem dado o que falar, nas rodas mais afeiçoadas do esporte. Fala-se, naturalmente, da performance de Pete Sampras contra Agassi a meu ver, uma das mais perfeitas dele a que já assisti. Estamos todos de acordo: não pode ter havido, no século XX, tenista mais completo que Sampras. A ele não falta um só golpe. Sampras tem aquela virtude própria só dos mestres: escolher, sempre, o golpe mais simples, o mais perfeito. Sampras lembra o enxadrista que, diante de dois problemas, não hesita em ficar com o melhor. Nem chega a ser uma escolha; é uma decisão da inteligência institiva. Vem antes da vontade consciente.
Certa vez, alguém perguntou a Raoul Capablanca, gênio do xadrez, quantos golpes ele considerava, no momento de um lance capital:
Só considero o bom! - respondeu. Pete Sampras é exatamente assim.
Guerra de mercado
Perguntinha que me faz um leitor: quem poderá ostentar o título de campeão do mundo, agora com as duas versões, a Toyota e a Copa recém-criada pela FIFA? Bom, amigo, nesse festival de copas, criado no futebol mercantilista, quem faz a festa é o marketing. Dá pra sentir que a FIFA criou o mundial de clubes com a clara intenção de fulminar a Copa Toyota. Tanto isso é verdade que vou lembrar uma sutileza: quem entregou a taça ao Manchester, em Tóquio, foi Lennard Johnson, presidente da UEFA (a União Européia) e não Blatter, presidente da FIFA.
É a guerra feroz do mercado que, hoje, se instalou também no esporte.
Rápidas e rasteiras
- A bola, hoje, está mais pro Corinthians e pro Atlético que pra outra dupla São Paulo e Vitória. Não que sejam superiores, como equipe, e sim porque os dois levam duas chances contra uma dos adversários. À luz dos números, Corinthians e Atlético contam 66,7% de chance, contra 33,3% de São Paulo e Vitória. Mas é aquela coisa que o futebol tornou lei: quem entra em campo dependendo só da vitória entra com um ânimo, às vezes, insuperável de ganhar. E acaba ganhando mesmo.
- A ciranda dos técnicos pode dar no seguinte: Levir Culpi assume o São Paulo e Paulo Cesar Carpeggiani, o Flamengo. Ou se Carpeggiani ficar no São Paulo, Levir vai pro Flamengo. A primeira hipótese ainda é a mais provável porque Carpeggiani é unha e carne com o superintendente Gilmar, do Flamengo.
- O jornal O Fluminense, de Niterói, integra-se à cadeia que publica esta coluna e que, a essa altura, com a graça de Deus, já aparece em 66 jornais, em todo o Brasil.
- Ana Moser rende-se à artrose que, há cinco anos, vinha corroendo seus preciosos joelhos. Chegou a fazer três cirurgias duas num; uma no outro joelho. A primeira pessoa a quem Ana comunicou a decisão de encerrar a carreira foi Bernardinho, a bordo do avião que trazia de volta ao Brasil a seleção de vôlei. Ana Moser foi, a meu juízo, a maior atacante do vôlei internacional da década de 90.
- Luís Lima, 400 e 1500 metros, nada, diariamente, 18 quilômetros e só deixa a piscina sob pressão do técnico. É um atleta exemplar, dotado do mais alto astral.
- Entrevistei Claudinei Quirino na festa dos melhores do ano, eleitos pelo Sportv. Não conheço ninguém mais tímido. Em compensação, segundo os entendidos da matéria, Claudinei é candidato firme a medalha nos 200 metros rasos de Sidney-2000.
- A jogadora que mais sentirá a falta de Ana Moser, na seleção, é a atacante Leila que, durante cinco anos, dividiu o quarto das concentrações com a admirável cortadora que, agora, encerra a carreira. Por falar em Leila, ela está em lua-de-mel com o Rio e com a torcida do Flamengo, que começa a idolatrá-la. Certamente, pelo vôlei que joga e pelo par de olhos (lindíssimos!) que Deus lhe deu.
- Fernanda Keller, 3º lugar no Iroman, do Havaí, treina cinco, seis horas por dia. A prova de que ela participa há treze anos dura quase dez horas.
- Pelé foi o primeiro nome na lista dos 100 maiores atletas do século, da revista inglesa World Soccer. Na votação, entre os leitores, Pelé fez 1.550 pontos mais que Maradona e 2.111 pontos mais que John Cruyff. Pelé foi votado em todas as colocações, de primeiro ao décimo lugar. Total de votos: 5.499; Maradona: 3.949; Cruyff: 3.388; Beckenbauer: 2.780 votos.





