Um jogo pra história
Bem que, domingo, eu pretendia mudar de canal pra ver um pouco de cada jogo: uma hora, no Corinthians x São Paulo, outra hora, no Atlético x Vitória. Infelizmente, acabei tendo que deixar o jogo de Minas pros melhores momentos. Era humanamente impossível trocar o Morumbi pelo Mineirão, um minuto que fosse. Um jogo como aquele Corinthians x São Paulo não acontece a toda hora. Eu só não diria que foi um jogo inimaginável porque o futebol é justamente um esporte capaz de ir além da imaginação.
Em 40 minutos de partida, já havia quatro gols, dos quais três simplesmente magistrais. O de Raí e o de Ricardinho, simplesmente irretocáveis.
E, numa partida de supremacia dos ataques, acabaria sendo um jogador de defesa o grande herói da noite: o goleiro Dida, que defendeu dois pênaltis, tornando ainda mais extraordinária a vitória do Corinthians. Nas duas intervenções, Dida demonstrou que é um goleiro singular – talvez o único em todo o mundo que não pretende adivinhar em que canto das traves vai chutar o atacante. Rogério, que também esteve diante de um pênalti, pulou prum lado, a bola de Marcelinho entrou no canto oposto. Rogério já devia ter observado a ciência com que defende pênaltis o seu colega Dida.
Tomara que o próximo jogo entre São Paulo e Corinthians transcorra sob inspiração do jogo de domingo passado. Um show de futebol sem coadjuvantes. Um jogo em que cada jogador foi um ator de realce.
Corinthians, 3 x São Paulo, 2, foi uma partida de fazer sonhar até mesmo o mais desavisado amante do futebol.
A vez do Corinthians
Agora, o comentário deve começar assim: as ações do Manchester United disparam, na Bolsa de Londres. Delírio popular, que é bom, fica pra segundo plano. Vale a frieza das cifras. O ar glacial de David Beckham diz tudo: ele tratou a glória do título como se tivesse acabado de tomar o chá das cinco. O britânico sabe ser dissimulado.
O jogo de Tóquio até que foi satisfatório: de um lado, a objetividade da escola inglesa; do outro, o ardor e a técnica individual do brasileiro. O Palmeiras teve por mais tempo a posse da bola, o que não significa que tivesse o pulso do jogo. Atacava mais; porém, sem maior poder de conclusão. O Manchester, contra-atacando sempre, e sempre ameaçando converter em gol seus contragolpes.
Como o Manchester vem disputar outro mundial, em janeiro, no Brasil, resta esperar que Corinthians e Vasco da Gama possam vingar o Palmeiras, o que, no caso da feroz rivalidade Conrinthians x Palmeiras, não deixa de ser uma ironia do futebol e da própria vida.
Entre Agassi e Sampras...
Pete Sampras é o tenista do século, eleito, no mundo do tênis, com 53 por cento dos votos. Em segundo lugar, vem o australiano Rod Laver, que reinou nas quadras do Grand Slam, nos anos 60. Mais abaixo, aparecem Borg e Connors.
Na semana de sua eleição, Sampras sagrava-se campeão mundial em Hannover, arrasando em três sets colossais o atual nº 1 do mundo, da ATP: André Agassi. Vi o jogo, extasiado. Sampras, mal chegado de uma inatividade de três meses, pontuou a quadra alemã com um repertório de golpes que só ele tem: aces aterradores, no primeiro e no segundo serviço, voleios incisivos, ‘‘smashs’’ perfuro-cortantes. Enfim, foi uma soberba lição de tênis dada pelo imperturbável tenista da Califórnia.
Sampras exerce sua soberania com aquela naturalidade de quem está apenas brincando. Agassi, por sua vez, dava a impressão de presa fácil, irremediavelmente hipnotizada. Nem parecia o temível nº 1 do mundo. Simplesmente arrasador o Sampras.
Eleita, também, a tenista do século, Steffi Graf, assistia ao jogo – por uma ironia do destino, com o coração, talvez, dividido ao meio: no amor, parceira de Agassi; na glória, parceira de Sampras.
Rápidas e rasteiras
- O Clube dos Treze é que vai fazer o regulamento do campeonato brasileiro do ano 2000. É a Liga que chega, de mansinho. Antes, o regulamento era tarefa da CBF. Com os clubes, ficava só a negociação de direitos de televisão.
- Embora se fale muito em ISL e HMTF, dois pesos-pesados da nova era do futebol brasileiro, o modelo mais elogiado, entre os clubes, é o do Vasco da Gama com o Bank of America. Entre os outros motivos, porque o Bank of America não dá um pio na gestão técnica do futebol e ainda bota grana nos esportes amadores. Dá pra entender porque o Vasco da Gama é, hoje, a maior potência olímpica do Brasil.
- A mídia espanhola entrou firme, defendendo a candidatura do atacante Raul ao título de melhor jogador do mundo, eleito pela FIFA. Além de Raul, concorrem à distinção o brasileiro Rivaldo, o russo Shevchenco e o inglês David Beckham.
- De tanto ler essa história de jogador que falsificou a idade, o chamado gato, me lembrei de um bordão que Garrincha repetia, a toda hora, no Mundial de 58: ‘‘Esse crioulo é gato’’ - martelava Garrincha, referindo-se à voz adulta do, então, garotão Pelé...
- Edmundo Santos Silva, presidente do Flamengo, deixa claro, em entrevista ao Esporte Real, que o superintendente Gilmar está mais firme que o Pão de Açúcar. A facção descontente pode tirar o cavalinho da chuva que Gilmar não sai.

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