Os quatro finalistas
É hoje que se vai ver quem está, mesmo, a fim de chegar lá. O Atlético Mineiro já chegou, despachando, justamente, o seu temível rival, o Cruzeiro, em duas exibições fulgurantes. Confesso, humildemente, que previa Cruzeiro e não Atlético, na final do Brasileiro. Pelo elenco brilhante, pelo padrão técnico excelente. Enfim, pela campanha. Quebrei a cara, mas quebrei, sem desapontamento porque o Atlético Mineiro deu dimensão épica à arrancada das quartas-de-final. Soube ser heróico.
Se minha sina é dar palpite errado, aqui estou, mais uma vez disposto a dar a cara a tapa. Direi, por exemplo, que o São Paulo talvez tenha perdido a chance de ir mais adiante, ao render-se à Ponte Preta, domingo, em Campinas. Em casa, a Ponte Preta sempre foi um desarranjo pro adversário. Domingo, o São Paulo foi sufocado o jogo inteiro. Fez um gol quando se esperava que tomasse dois ou três. Pelo que vi, nos dois jogos, a Ponte está sentindo um pouco mais o gostinho da classificação que o respeitável São Paulo, de Raí, Marcelinho e Rogério Ceni.
Restam dois palpites: Vasco x Vitória e Corinthians x Guarani. Aqui, não há como negar: jogando ao embalo de sua fervorosa torcida, o Corinthians está às portas da classificação. Em que pese toda a carga de sortilégios do futebol, ainda assim, o desfecho do mata-mata parece selado, de vez, pro Corinthians.
Por fim, Vasco da Gama x Vitória. A julgar pelos antecedentes, pode acabar bem pro Vitória. Venceu em Salvador, empatou em São Januário. É pra se bater palmas, de pé. Sucede que o quesito campo tem um peso decisivo. O estádio do Vasco será, hoje, uma colossal panela de pressão. Haverá o retorno de Edmundo, o possesso da Colina. Pode haver outro dado excitante que seria uma surpresa: a presença de Romário, na tribuna de honra, reforçando a alma da torcida. Sem falar do temor reverencial que poderá levar o árbitro a não querer desagradar Eurico Miranda.
Pra não dizerem que fiquei em cima do muro, como é costume, antecipo os quatro finalistas, contando com dados da lógica e com alguns toques de pressentimento: Atlético, Corinthians, Ponte Preta e Vasco da Gama.
Como dizia o saudoso Nelson Rodrigues: ‘‘Se os fatos ficarem contra mim, pior pros fatos...’’

O vacilo fatal
Quanto custa um vacilo, no futebol? A pergunta pode ser feita à equipe do Cruzeiro que, em dois segundos de hesitação, permitiu que o Atlético empatasse o jogo, ponto de partida de uma virada monumental que o levaria à classificação. Foi assim: uma falta, no meio-de-campo cruzeirense. Dá um branco na defesa inteira do Cruzeiro. Cobrança fulminante, bola cruzada, gol do Atlético.
Minha interpretação: o time do Atlético, que tinha pressa, surpreendeu o velho ritual das cobranças de falta, pegando o time do Cruzeiro, momentaneamente, desconcentrado. Esperava o que o Cruzeiro? Que o Atlético caísse na tradição da cera? O Atlético não tinha tempo a perder. Tinha que ser rápido no gatilho – e foi.
Não é a primeira vez nem será a última que acontece a cena. O futebol, cheio de vícios, cobra caro pela perda de concentração dos jogadores.

RÁPIDAS E RASTEIRAS
- A seleção masculina de vôlei perdeu o encanto. Está, praticamente, abaixo dos três que serão eleitos pra Sidney. Alguma coisa muito séria abalou a equipe. À primeira vista, teria sido uma excursão, fora de hora, à China. A seleção perdeu em força física e em elã. Estreou no mundial, no bagaço. Resta-lhe a chance do Pré-Olímpico, que será no Brasil e com equipes sul-americanas. Tem todas as chances de classificar.
- Um minuto de silêncio por Flávio Costa. Tal como Zezé Moreira, que se foi também há pouco tempo, Flávio tem lugar de relevo na gloriosa história do futebol brasileiro.
- Os gregos estão apaixonados pelo futebol de Giovanni. É pra estar mesmo. Ora bocejando, ora, se espreguiçando, Giovanni tem mil vezes mais bola que muito jogador turbinado que anda por aí.
- Pesco, por acaso, um fim de conversa, de dois passageiros da ponte-aérea: ‘‘... eu acho que esse Edmundo está precisando de um psiquiatra...’’ Fiquei sem saber de qual Edmundo estavam falando.
- A Sport Promotion, do boa praça Quico, vai fazer uma versão do Rio–São Paulo, com os quatro times de Minas e Rio Grande do Sul. Haverá um critério técnico pra permitir, também, dois do Paraná. É o Sul–Minas.
- Os times do Clube dos Treze, agora, dos 20, assinaram com a Rede Globo o contrato do Campeonato Brasileiro. Só dois não quiseram assinar: Corinthians e Cruzeiro. É a HMTF, hoje, empresária dos dois clubes, endurecendo a transmissão de futebol em TV aberta. A HMTF quer levar o futebol pra seu canal de cabo. Resumo da ópera: o Corinthians e o Cruzeiro podem acabar falando sozinhos.
- O futebol-de-praia, agora, chamado ‘‘beach soccer’’, é jogado com uma bola branca, branquinha como a areia da praia. Pus o dedo na ferida e vejo que deu certo: a Pênalti acaba de fabricar uma bola azul e amarela, duas cores que realçam no chão de areia branca. Por falar em areia branca, em recente visita a Salvador, fui ver de perto a lagoa de Abaeté, inspiração de uma bela canção de mestre Dorival Caymmi: ‘‘No Abaeté tem uma lagoa escura,/ arrodeada de areia branca, ôi de areia branca’’. É um poema.
- O festival de ações levadas do futebol à Justiça Comum vai acabar precipitando a criação da Liga do Futebol Brasileiro.

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