Na Grande Área (Armando Nogueira)
Um saco de gatos
O desfecho da novela Sandro Hiroshi deixou bem nítida uma coisa: a CBF é um saco de gatos. E não é de hoje. O escândalo Ivens Mendes, o homem que forjava vitórias e derrotas no Campeonato Brasileiro aquela patifaria toda rolava pelos corredores, sem que a cúpula tomasse qualquer medida saneadora. É a casa da cínica mãe Joana.
Agora mesmo, no fervor do julgamento do caso São Paulo x Botafogo, o presidente do TJD, Sergio Zveiter, falou curto e grosso: O diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, e o Diretor de Registro, Luiz Gustavo Vieira de Castro, é que arruinaram o São Paulo, com interpretações e comunicados dúbios. O São Paulo, tudo indica, entrou de gaiato nessa história.
Cabe, então, ao São Paulo desembarcar nas instâncias maiores contra a CBF que autorizou a escalação do jogador. Se tiver que ir à Fifa, vá mesmo. Se precisar ir ao Vaticano, não perca tempo. Não desperdiçe energias com fofocas. O Tribunal não está, como se espalha, fazendo o jogo dos clubes cariocas. Mas foi o próprio TJD que contribuiu pra essa suspeita, deixando de punir o Vasco quando Eurico Miranda melou o jogo contra o Paraná, em São Januário. A versão de complô regionalista, porém, é insustentável. Se houvesse uma armação do Rio pra prejudicar o São Paulo, o Vasco da Gama não teria retirado ação semelhante à do Botafogo. Estaria, assim, empurrando ainda mais o São Paulo pro abismo do campeonato.
Na essência, os clubes todos têm culpa no cartório. Eles ajudaram a reeleger, por aclamação, Ricardo Teixeira. São todos farinha do mesmo saco.
Rainha da Inglaterra
Neste fim de semana, quatro novos clubes entraram no Clube dos Treze. São eles, Guarani, Portuguesa, Vitória e Atlético Paranaense. Lá já figuravam Sport, Goiás e Coritiba, além dos 13 fundadores. Agora, os treze, que já eram 16, passam a ser vinte. Esta aí o grande passo que levará o futebol brasileiro à primeira liga nacional. A segunda leitura que se deve fazer é a seguinte: consolida-se, assim, o poder dos clubes sobre a CBF.
O alto comando da CBF passou os últimos campeonatos reinando, mas de braços cruzados, crente de que tinha total controle do futebol brasileiro. Quando abriu os olhos, a varinha de condão já lhe fugia das mãos. A gestão do campeonato já está sendo feita, no duro, pelo Clube dos Treze; aliás, como devia ser mesmo. O Clube dos 20 é que negocia o contrato de transmissão com a televisão. Naturalmente, a CBF irá à luta contra a nova ordem. Mas não creio que tenha sucesso. O quadro é irreversível. Vai se repetir no Brasil o que se deu na Europa inteira. A Liga Inglesa, pra citar um caso, hoje é muito mais forte que a Federação.
Do ponto de vista político, já já, a CBF vai mandar no futebol, tanto que nós dois, caro leitor.
O grupo do desterro
Números, nas mãos de quem sabe, não mentem jamais. É o caso de meu guru informático Lauro Araújo. Pelas contas dele, o Internacional, de Porto Alegre, está realmente a perigo. Sua chance de escapar do rebaixamento é de 49 por cento. O diabo é que o Inter não depende de suas próprias forças. Tem que vencer o último jogo contra o Palmeiras e ainda contar com derrotas do Botafogo-RJ e do Gama. Esse, por sua vez, está mais pra lá do que pra cá. Chance de escapar: 47,5%. Pior, muito pior, é a situação do Paraná, com apenas 9,8%. Convenhamos, é uma taxa de misericórdia.
Quanto ao Botafogo-RJ, como escrevo antes do jogo com o Palmeiras, fico devendo. Pelas contas feitas, antes do jogo de ontem, o Botafogo-RJ tinha 93,7% de chance de não cair. Mais precisamente: com dois empates, estaria salvo do desterro da Segunda Divisão, onde, matematicamente, já estão o Juventude e o Botafogo-SP.
Rápidas e rasteiras
- O repórter de campo, sôfrego na latinha, canta lá em baixo: A bola bateu no braço do zagueiro e o juiz não deu o pênalti! Lá em cima, o Garotinho José Carlos Araújo dá um doce puxão de orelhas no seu auxiliar: Bola no braço é uma coisa, braço na bola é outra. Valeu, Garotinho!
- Leila é uma craque do basquete brasileiro. Em Winnipeg, a moça arrebentou um joelho. O COB e a CBB, até hoje, não deram a mínima bola pra perna avariada de Leila. Pois a Knorr, que patrocina o time de Karina, em Campinas, vai bancar a cirurgia de Leila, mesmo sabendo que não pode contratá-la, por questão de ranking.
- Além de cuidar humanitariamente de Leila, a Knorr está reforçando o time de Karina com as duas irmãs de Leila: Marta e Márcia Sobral.
- Felipe dá uma de leviano, some do Vasco e acaba sumariamente barrado do time. Um craque excepcional, esse Felipe parece que tem cabeça de vento.
- No jogo Cruzeiro 2 x Vasco 1, o jogador Nasa desferiu um carrinho tipo voador e, por um triz, não quebrava a perna do colega de ofício. O árbitro Eugênio Simon ficou no cartão amarelo. Aquilo é gesto pra expulsão e, até mesmo, processo. A benevolência da arbitragem é co-responsável pelo recorde de violência de que é detentor o futebol brasileiro.
- Aliás, esse jogador Nasa parece que nasceu pra mandar todo mundo pro espaço. Perde-se pelo nome.
- Erich Ribbeck é o técnico da seleção alemã de futebol. Pra variar, é mais uma opinião credenciada a eleger Rivaldo o melhor jogador do mundo, no momento. A revelação foi feita em entrevista ao Magazine da Fifa, mês de outubro.





