Na Grande Área (Armando Nogueira)
Brasil, madurinho
Sandro Hiroshi é gato. Três pontinhos pra lá, três pontinhos pra cá. O Botafogo já levou os que queria. A fila é interminável. Quem perdeu do São Paulo também quer tirar uma casquinha. O campeonato está virando casa-da-mãe-joana. A Justiça esportiva diz que julga com isenção. A CBF nega que tenha culpa no cartório. O São Paulo jura que ignorava a certidão fajuta do japonesinho. Eduardo Farah arregimenta as tropas paulistas e ameaça uma debandada do campeonato. A Rede Globo, que comprou os direitos de transmissão, avisa: se jogarem areia na competição, vai cobrar multa de 50 milhões de dólares.
A vida do futebol brasileiro é risonha e franca. Fora, naturalmente, a dor de cabeça do bingo que, de saída, sacrificou um homem decente do esporte que é o professor Manoel Tubino. E fora, também, a omissão do governo que está vendo uma empresa comercial se tornar dona do futebol de dois grandes clubes, o Corinthians e o Cruzeiro, e não cuida logo de disciplinar a gestão do nosso futebol.
Na Europa, o capitalismo já tentou fazer jogada semelhante e esbarrou na União Européia de Futebol e na própria Fifa que consideram de alto risco pra ética do esporte que uma empresa opere, comercialmente, o futebol de duas equipes da mesma Confederação ou Federação.
Como se vê, o Brasil está madurinho pra fazer, aqui, o Mundial de 2006.
Sem hora pra amar
O atacante Emmanuel Petit, da seleção francesa campeã do mundo, diz, em entrevista a LEquipe Magazine, de Paris, que o calendário do futebol está infelicitando a vida familiar dos jogadores de futebol. Reclama que os clubes jogam de três em três dias, em países diferentes, e que ninguém aguenta mais a batida mercantilista do futebol atual. Admite mesmo o rapaz que, por insuficiência amorosa, mal servidas de afagos, as mulheres, já já, vão começar a trair os maridos.
O próprio Petit diz que já pôs as barbas de molho. As barbas, só?
Dama dos ventos
Não sou de honrarias, nem de rapapés. Em 50 anos de carreira, jamais sonhei com prêmios, medalhas, diplomas e outros parangolés. Sempre fui jornalista e jornalista não vence, nem perde nada; jornalista só empata. Sucede que, além de cronista, sou piloto esportivo e há de ter sido nessa condição que acabam de me fazer conselheiro do Instituto Histórico e Cultural da Aeronáutica. A distinção vem de um grupo de aviadores, todos brigadeiros-do-ar, homens que, como eu, passam a vida às voltas com nuvens, ventos, pássaros e estrelas.
No enlevo de voar, cabe-me o privilégio de ocupar a cadeira até outro dia ocupada por Anésia Pinheiro Machado. Daí, não ter eu a mais leve dúvida que sou uma criatura privilegiada. Anésia, mulher de exceção. Anésia, linha do horizonte, asas de luz entre o céu e a terra. Anésia, ama das nuvens, dama dos ventos.
Rápidas e rasteiras
- A revista espanhola Don Balon pega pesado contra Rivaldo. Em editorial, acusa o craque brasileiro de mentiroso e manipulador de situações. A agressão é feita, de passagem, num texto extremamente agressivo contra o presidente Nunez, do Barcelona, que não cumpre a promessa de melhorar o contrato de Rivaldo, promessa feita no começo do ano.
- Luis Felipe Scolari torce muito mas não está nada otimista sobre a recuperação de Junior Baiano, a tempo de poder jogar o mundial de clubes, em Tóquio. O joelho do zagueiro tem sido um pesadelo pros médicos do Palmeiras.
- O saque queimado já está valendo no vôlei. O tênis já pensou em fazer a mesma coisa, mas ainda não teve coragem. Como se sabe, se a bola triscar na rede e cair na quadra de serviço do adversário, o golpe deve ser repetido.
- Eurico Miranda fará das tripas coração pra ver o Vasco da Gama campeão mundial de clubes, em janeiro. Ele tem cólicas por que o Flamengo é campeão do mundo e o Vasco, não. Ainda não.
- Por falar em Eurico, o presidente Calçada não endossa a truculência com que seu vice trata e destrata jornalista que ousa criticar a administração do clube.
- Batistuta passou meses sofrendo com um dos joelhos avariados. Em conversa com um jornalista argentino, o craque da Fiorentina contou que corria, no seu clube, a versão maldosa de que sua contusão seria fruto de uma macumba feita contra ele por Edmundo. Diz que não deu a mínima bola pro que considera mera intriga.
- Ainda Batistuta: o moço é um garoto-propaganda dos mais disputados. Olha só: anuncia batata frita Frenchitas, por um cachê de 250 mil dólares. Tem contrato de quatro milhões de dólares, por quatro anos, pra promover o leite da Parmalat italiana. Tem um contrato secreto com a Pepsi-Cola e outro, também, valioso, com Banca di Roma. Por fim, leva um milhão e 500 mil dólares anuais pra ajudar a vender os artigos da grife Reebok. Sem contar a erva que recebe da Fiorentina.
- Há alguns leitores, querendo saber o que acho da conduta do Botafogo, indo cobrar no tapetão os três pontos do jogo com o São Paulo. Curto e grosso: esses tribunais esportivos não me merecem confiança. São órgãos políticos que decidem por conveniências. Hoje, o Botafogo leva, amanhã, pode ter que devolver. Ainda prefiro os pontos ganhos no campo de jogo, onde a bola que corre, sempre corre pra todos...





