Drible, passe, gol
O drible, o passe ou o gol? Esta pergunta já me foi feita centenas de vezes. Jamais hesitei: prefiro drible. Claro que um belo gol sempre me toca. Tal como um passe de primeira, daqueles com que Didi desterrava defesas inteiras. Tal era o meu entusiasmo pela beleza dos passes dele, que cheguei a escrever um pequeno ensaio com o título ‘‘Didi, o homem que passa...’’
Há gols, cuja execução eleva o futebol às culminâncias da arte. Como o do atacante Romário, certo dia, jogando contra o Corinthians. Mas, o gol, tem seu lado impiedoso: é riso, mas é lágrima também. Costumo pensar que o gol que consagra o artilheiro é o mesmo que martiriza o goleiro. O drible, não. O drible não magoa, é só riso.
O gol é o fim do caminho. O drible é meio caminho. Começa e acaba sempre antes. E tem uma virtude que os outros dois gestos não tem: enfeitiça e desconcerta, desfiando irreverências pelo campo afora. Drible é insurgência, é sublevação. O drible transtorna a geometria. Tonteia a multidão e deixa mareada a pobre vítima. Mas não abate, como o gol, que soterra o goleiro.
Quem dribla faz verso, de improviso. E se tantas virtudes não bastam pra consagrar o drible, lembro-te, mais uma, caro leitor: foi o drible que inventou Garrincha.
A fase crucial
O Campeonato Brasileiro está entrando, agora, no que se poderia chamar a fase crucial. Chegou a hora do sobe-ou-desce, do entra-ou-sai, do vai-ou-racha. São duas portas que se abrem a 22 equipes: uma, providencial, que leva ao nirvana do título de campeão; a outra, tenebrosa, por onde quatro times despencam no inferno da segunda divisão.
No meio da semana, houve uma rodada significativa do que acabo de dizer. Foram sete jogos, cada um mais espetacular que o outro. Choveu gol por todos os lados. Três goleadas, duas delas em clássicos: Palmeiras, 6 x Grêmio, 0; Corinthians, 4 x Santos, 1 e Vasco, 5 x Gama, 2. Os outros dois foram igualmente emocionantes: Guarani, 3 a 1, no Cruzeiro e Sport, 1 x Coritiba, 1. Na quinta, mais uma sarrafada: Atlético-PR 4 a 1 no São Paulo, e o empate 1 a 1, Inter x Vitória. Com o controle remoto na mão, passei horas, vendo um pouco de cada partida, vivendo, com o aparelhinho, uma gostosa sensação de ubiquidade...
Agora, não adianta retranca. O critério dos três pontos por vitória rebaixa o empate à reles condição de derrota. A ordem é soltar os cabos e ir à luta.
A inocência de Elisângela
Elisângela Adriano, medalha de ouro no lançamento do disco, em Winnipeg, está de quarentena: um exame antidoping, feito depois da Universíade, na Espanha, revelou traços de nandrolona na urina da atleta brasileira. Ela ficou perplexa com a notícia do achado químico. No momento, a causa de Elisângela está entregue ao médico Eduardo DeRose, que integra a comissão médica do Comitê Olímpico Internacional.
Uma informação que talvez venha absolver a moça é que, na composição da creatina, haveria traços de nandrolona. A creatina é um suplemento nutricional usado por todos os atletas, sem qualquer restrição da medicina olímpica.
Estou torcendo pelo reconhecimento da inocência de Elisângela.
Rápidas e rasteiras
- Shelda e Adriana são dois encantos. Jogam vôlei por música. Uma pressente a outra. Estão juntas há quatro anos, ganhando, quase sempre, de todas as duplas mundiais. Hoje, são recordistas de vitórias, tanto no circuito internacional como no nacional. Entrevistei-as no Esporte Real. Shelda, a cearense, defende com unhas e dentes. Adriana, por sua vez, é ataque implacável. Pelo andar da carruagem (de fogo), as duas estarão em Sidney-2000.
- O basquete americano da NBA quer chegar a 200 pontos por partida. Agora, a cobrança de lateral não será mais com o cronômetro zerado e sim travado. Trocando em miúdos: bola saída aos 20 segundos, no que torna à quadra, é pra ser lançada à cesta em quatro segundos.
- Por falar em basquete, morreu, nos Estados Unidos, Wilt Chamberlain, consagrado o melhor jogador da história, antes de aparecer Michael Jordan. Chamberlain é senhor de um recorde fantástico: marcou 100 pontos numa partida. - Quais os limites do homem no atletismo? Segundo os catedráticos, não há um fim na esteira dos recordes. Tudo bem, mas será devagarinho. A revista francesa ‘‘L’Equipe Magazine’’, de Paris, tomou os 100 metros e fez uma projeção em cima da marca de 1970: o homem, então, corria a prova em 9 segundos e nove décimos. Pelas contas da revista, no ano 2000, o recorde seria nove e 45. Não é. Maurice Greene, o atual campeão mundial da prova, está em 9 e 79.
- Futebol de gente séria é assim: o holandês Gaal, que a imprensa catalã espinafra o quanto pode, acaba de renovar com o Barcelona até o fim do ano 2002. Van Gaal já comanda o time do Barça há três anos.
- O Campeonato Brasileiro de futebol está indo ao vivo pros Estados Unidos. Em pouco tempo, a Globo, via ISL, estará mostrando jogos pra cerca de 20 países. - Baixou o santo de novo no atacante Edílson, do Corinthians. Contra o Santos, o baianinho esteve irresistível. Passava pelos adversários, veloz como o vento. Luxemburgo tem que dar uma nova chance a Edílson. Ele está demais!

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