A lição de Tom
Dois jogadores de futebol, um mundialmente famoso, outro nem tanto, acabam de ser condenados pela Justiça Criminal. Edmundo e Edinho, filho de Pelé, vão ter que cumprir penas entre quatro e seis anos de prisão. Ambos são culpados de acidentes de carro, com vítimas fatais. As duas sentenças chocam o mundo do esporte. Infelizmente, a crônica policial está repleta de tragédias semelhantes.
A carreira de muito craque tem se arruinado assim, ao volante de carros luxuosos e potentíssimos que geram na alma dos rapazes um perigoso sentimento de onipotência.
O maestro Tom Jobim é autor de um pensamento que talvez pudesse figurar como advertência dentro dos carrões de nossos craques: ‘‘O corpo é frágil e as máquinas são pesadas’’.
Lingote de ouro
Jorge Gerdau, um dos donos do império Gerdau, é gremista de coração. Sempre que o clube está a perigo pede socorro a ele. Há coisa de um ano, o Grêmio estava na pior e pediu ao sócio ilustre um empréstimo. Levou 400 mil reais e deu, como garantia, 20 por cento do passe de um jovem jogador vagamente chamado Ronaldo de tal.
Vida que segue, agora, o passe do tal Ronaldo está avaliado entre 20 e 30 milhões de dólares. Jorge Gerdau, dono da segunda maior siderúrgica do Brasil, está na agulha pra receber entre quatro e seis milhões de dólares, correspondentes aos 20 por cento do valor do passe.
Gerdau deve estar convencido de que é melhor do que viver de lingotes de ferro é fabricar lingotes de ouro. Como Ronaldinho Gaúcho.
Jogo de acasos
Dou um lugar modesto no meu coração às vozes que me cobram mais críticas objetivas e menos devaneio sobre uma partida de futebol. Desavisados, mal sabem que, muitas vezes, o futebol é um jogo de sucessivos acasos, a própria vida rolando num chão de imperfeições. Efêmero como a bola que, mal passa, já é passado.
O sol de Capriatti
Jennifer Capriati é um prodígio do esporte. Tinha 16 anos incompletos e já figurava entra as 10 melhores tenistas do mundo. Então, em apenas um ano de quadra, chegaria à cifra de cinco milhões de dólares, em prêmios e patrocínios. Da noite pro dia, o pai, ganancioso, tinha transformado a filha numa mina de ouro. Cada bola que ela rebatia ressoava como o tilintar de uma caixa registradora.
Lembro-me de tê-la visto, certa vez, em Key Biscayne, em pleno restaurante do torneio, antes de um jogo, cercada de livros e cadernos, a fingir que fazia os deveres escolares. Na mesa ao lado, o pai regia a encenação por ele imposta à filha indefesa.
Era o começo dos anos 90. Na mesma época, Capriatti entrava em parafuso. Entregou-se à maldição das drogas. Maconha, cocaína, bacanais com jovens transviados. Acabaria presa, algemada, por consumo de alucinógenos e, pasmem, até detida em flagrante por furto de bijuterias, num shopping de Miami.
Foi internada numa clínica de viciados. Salvou-se da dependência e voltou a jogar tênis, recomeçando, naturalmente, lá em baixo, no fundo do poço do ranking. Hoje, ela já está entre as 50 melhores do ranking. É o reencontro de uma jovem com o sol da vida e do esporte.
A batalha de Capriati tem sido atroz. Libertou-se da autoflagelação, tem jogado bem, mas não consegue sepultar o passado adverso. Sempre que vence uma partida e que aparece na sala de imprensa, radiante, há sempre um jornalista, querendo saber se ela ainda é dependente de drogas. A pobre moça já pediu, já suplicou: ‘‘Me ajudem a esquecer uma experiência tão amarga, da qual já me libertei’’. Encareceu de viva voz e, numa das últimas entrevistas, leu uma carta comovente, implorando clemência aos jornalistas.
Leu a carta e desabou em soluços. Às vezes, tenho vergonha de pertencer a uma classe profissional empestada de abutres.
Rápidas e rasteiras
- O esporte brasileiro está escabreado com os três Ronaldos de sua estima: o próprio, o do Grêmio e o da maratona. O primeiro tem jogado pouquíssimo, o segundo, se não melhorar, vai pra reserva, e o terceiro, alegando stress, não entrou nas três últimas maratonas internacionais. A dinastia está em baixa.
- Em futebol, empate costuma ter vários sabores. Há empate com sabor de vitória, empate, com sabor de derrota. O do São Paulo com o Palmeiras, domingo passado, foi empate com sabor de empate, mesmo. Levaram o que mereciam: nada além de zero a zero.
- Ian Thorpe, o novo terror das piscinas, calça sapatos nº 54! Talvez esteja aí parte do fenômeno que a acaba de fazer dele o recordista mundial de 200 e 400 metros, estilo livre. Com apenas 16 anos, o rapaz já tem a impulsioná-lo na raia dois colossais pés de pato.

mockup