Na Grande Área (Armando Nogueira)
NA GRANDE ÁREA
Armando Nogueira
O bolero de Romário
O América do México está a fim de Romário, no ano 2000. Já mandou ver uma proposta de oito milhões de dólares. O craque diz que vai, sim, mas tem que ser 10 milhões. A negociação avança. Romário, que está com 32 anos, simpatiza com a idéia de ir jogar no exterior o que talvez sejam as duas últimas temporadas de sua prodigiosa carreira.
O lance do América chegou a Romário por intermédio do agente Leo Rabello que tem fortes ligações empresariais com o futebol mexicano. A proposta prevê a ida do artilheiro já no próximo mês de janeiro.
O Flamengo não tem como impedir a transferência. O passe de Romário já é do craque, há muitos anos. Além do que o clube está devendo a Romário a bolada de quatro milhões de dólares e não tem como pagar. O presidente do clube, Edmundo Santos Silva, tem esperanças de liquidar a dívida com Romário, valendo-se da parceria com a ISL. Acontece, porém, que a conversa com a multinacional suíça já foi mais promissora. Há quem diga, nos bastidores rubro-negros, que estaria esmorecendo o entusiasmo da ISL pela gestão gerencial do futebol do Flamengo. O negócio, nas bases impostas pelo clube, teria deixado de ser compensador, levando-se em conta o valor do investimento.
Armando e sua corte
O jogador do Vasco da Gama vai cobrar o córner. O árbitro Cerdeira vem correndo, pára e manda corrigir a posição da bola. O jogador obedece. O árbitro insiste, enérgico: quer ver a bola mais um tiquinho pra dentro do quadrante da bandeirinha. O jogador obedece, reverente. O árbitro, implacável guardião da lei, exige mais um retoque. Coisa absolutamente insignificante. Por fim, a cobrança é autorizada. Na área, os jogadores se engalfinham num verdadeiro pega pra capar. O árbitro, ao longe, finge que não está vendo nada.
Na mesma partida, o mesmo árbitro não dá a mínima bola pras barreiras que, dos dois lados, encurtam a distância da bola, indo à frente como centopéias.
Armando Marques e sua corte de árbitros sofríveis pensam que somos todos uns trouxas e que vivemos de comer alfafa.
Futebol de areia
Não tenho hábito de ver jogo de futebol de areia. Nem pela tevê, nem de corpo presente. Vi domingo a final Brasil x Portugal. De saída, me desgosta o nome Beach Soccer. Nas areias da Califórnia, tudo bem. Aqui, no Brasil tem que ser é futebol de areia ou de praia. Foi assim que nasceu, nos anos 30, a famosa pelada de praia, em Copacabana. E que nos daria Heleno de Freitas, Otávio, Haroldo, os irmãos Nabir. O jogo, já então, enchia de gente o calçadão da Avenida Atlântica. Os lendários Neném Prancha e Cartolina eram técnicos de grandes equipes. Nos dias de folga, estavam sempre jogando craques dos grandes times do Rio, inclusive, da Seleção Brasileira, como Machado.
Beach Soccer, me desculpem, é frescura de um país que não sabe respeitar a sua própria língua.
Em tempo: bola branca na areia branca! Não parece um contra-senso? Será que a bola não poderia ser green ou yellow?
Rápidas e rasteiras
- O cidadão Guilherme Mendes SantAnna caminhava com as filhas pela rua Álvaro Chaves (Laranjeiras, Rio) quando viu passar, na contramão, em alta velocidade, por cima da calçada, um Fiat Palio prata, metendo susto e medo em todo mundo. Parou na porta do Fluminense perguntou se o porteiro sabia quem era aquele insano que acabara de sair do clube. O porteiro respondeu: Aquele é o Valber. SantAnna, que é sócio do Fluminense, representou contra o jogador. - Transcorre, equilibrado, o jogo Flamengo x Vasco, no Maracanã. Chega a hora de trocar jogadores: o Vasco tira Felipe (!) e põe Ramon. O Flamengo tira Beto e põe Maurinho. O Vasco passa a jogar ainda melhor. O Flamengo decai. Hoje, mais que nunca, ganha jogo quem tem mais bala no banco.
- Ainda o Flamengo: o jogador mais promissor do clube já foi Iranildo, o armador que melhores bolas dá aos atacantes. Iranildo comprou carro importado, assumiu uma linda morena e, pelo visto, empedrou.
- Serena, que, no tênis é, a caçula das Williams, derrotou a irmã, Venus, na decisão do Grand Slam Cup, em Munique. Juntas, as duas embolsaram, a campeã, 900 mil dólares, e 400 mil, a vice. Um milhão e trezentos na caixa-única da família Williams. Com esses dois belos monumentos de esplendor atlético, chega às quadras femininas o tênis de grande força física. Antes das irmãs Williams, o tênis era técnica pura, leveza, quase brandura. Mesmo na geração Navratilova, o destaque era a habilidade e não a força. Da mesma forma, na era Graf-Sabatini-Selles. O tênis de Mônica pode até sugerir potência, mas o que sobreleva mesmo, no estilo Selles, é a técnica repassada de agressividade.
- Palmas pro doutor Zveiter, presidente do tribunal da CBF. No que o homem falou grosso, já começou a melhorar o padrão disciplinar do Campeonato Brasileiro. Os técnicos que ficavam o tempo inteiro em pé, à beira do campo, estão, agora, indo e vindo: chegam à lateral, dão seus recados e retornam ao banco. Já não é sem tempo. A figura inflamada do treinador à borda do gramado é um estímulo ao destempero de jogadores e mesmo de torcedores. O jurista Sérgio Zveiter só fica devendo é uma explicação: por que o TJD não puniu a invasão de Eurico com a perda dos pontos pelo Vasco?





