O flagelo do futebol
Que o futebol vai acabar entrando nos eixos só não vê quem não quer. O interesse de grandes corporações, o dinheiro grosso que começa a rolar, a chegada de novos conceitos sobre comercialização no esporte – tudo isso junto parece indicar que o cartolismo está com os dias contados.
Alguém tem dúvida de que o futebol está virando carne de vaca? Que há jogos demais, seja no Brasil, seja na Europa, seja na Conchinchina? A FIFA, que sempre foi muito retrógada, já dá sinais de que é hora de mudar. Se ela não andar depressa, será engolida pelos clubes europeus.
Agora mesmo, o G-14, que reúne os 14 maiores clubes da Europa, já encostou à parede a veneranda senhora: quer uma drástica redução na frequência com que os clubes têm sido obrigados a ceder jogador às seleções nacionais. O G-14 quer, pra já, um calendário unificado, válido pro mundo inteiro.
A vulgarização do espetáculo é, hoje, o ponto mais crítico do futebol. Aqui no Brasil, é um escândalo. Aliás, na Europa, também. Mas lá, acredito, o problema se resolverá, logo logo, porque já se espalhou pelo continente a convicção de que é preciso voltar ao tempo em que futebol era divertimento só de fim-de-semana.
Melhor que a Mega-Sena
O futebol do meio de semana oscilou entre o mel e o fel. Mel de vitórias, fel de derrotas. O torcedor do São Paulo foi dormir feliz, quarta de noite, depois de um tranco no Vasco da Gama. O torcedor do Palmeiras, com mais razão, ainda, deitou com os anjos, tendo visto a virada de sua equipe: apanhava da Portuguesa de 2 a 0 e acabaria o jogo vencedor por 3 a 2.
O torcedor vascaíno, por sua vez, amargou uma derrota, mas sabendo que, na mesma hora, o Flamengo tomava de 3 a 0 do Atlético, até que deu pra suportar a desventura de uma noite chuvosa no Maracanã. Por sua vez, o rubro-negro só tolerou a derrota de Minas porque o Vasco também perdeu.
Em matéria de felicidade, porém, duvido que haja neste mundo alguém mais contente que o torcedor do Atlético Mineiro. Na mesma hora em que o Galo, em noite de trombetas, enfiava três a zero no Flamengo, o Cruzeiro penava na Bahia, apanhando feio do Vitória.
Pra um verdadeiro atleticano, uma noite assim é melhor do que ganhar a Mega-Sena.
Quando menos se espera
Na véspera do jogo São Paulo x Vasco, no Maracanã, o treinador Paulo Cesar Carpegiani me dizia, um tanto desconsolado, que seu time era muito bom na arte de atacar, mas muito frágil na ciência de defender. O time, observava ele, está cheio de craques mas isso não basta: o artista, hoje, tem que ser guerreiro também.
Pois bem, na noite seguinte, o time do São Paulo dava um nó cego no poderoso time do Vasco da Gama, jogando com arte, quando tinha a bola; quando não tinha, todos saiam combatendo e com tal tenacidade defensiva que acabariam imobilizando o temível quarteto vascaíno formado por Juninho-Ramon-Felipe-Edmundo.
E olha, gente, não é nada fácil conter o talento desses quatro jogadores juntos. O Flamengo que os terá pela frente, hoje, vai necessitar de muita inspiração e de muito mais transpiração, se quiser terminar bem o seu domingo.
Rápidas e rasteiras
- A Associação Americana de Neurologia, que sempre condenou o boxe como esporte, acaba de reiterar o conselho que vem dando, publicamente, há muito tempo: se você é praticante de boxe, amador ou não, desista enquanto é tempo, porque esse esporte provoca distúrbios neurológicos incuráveis.
- Evandro Carlos de Andrade me manda o seguinte correio-eletrônico: ‘‘Solidário com todas as posições de sua coluna de hoje, destaco a nota sobre o juiz Paulo Cesar de Oliveira. Desde que começou, ele me chamou a atenção pela coragem e serenidade com que reprime o jogo violento. A lama verborrágica de Armando Marques devia ser punida com demissão e até com ação penal’’.
- Um leitor, certamente desavisado, afirma, em e-mail, que, em meus artigos, ‘‘transparece uma posição clara contra o Corinthians.’’ O rapaz defende o jogador Rincón. Quer dizer: não entende nada nem de A.N., nem de Rincón. No meu caso, porque não sou nem contra, nem a favor do Corinthians. Muito pelo contrário. No caso de Rincon, porque certos gestos dele não o recomendam.
- Sergio Noronha, querendo discordar de mim, no caso de Paulo Cesar de Oliveira, me chama de Armando Marques. Não é a primeira vez que alguém confunde alhos com bugalhos. Há algum tempo, um moço, querendo demonstrar que estava me reconhecendo, gritou pra mim, no saguão do Santos Dumont: ‘‘Bom dia, ‘‘seu’’ Armando Marques!’’ Correspondi com um sorriso amarelo.
- Kevin Costner, que já viveu o papel de um golfista no filme ‘‘Tin Cup’’, é um excelente jogador. Gary Player, astro dos ‘‘greens’’ mundiais, garante que o ator tem um ‘‘swing’’ de profissional.
- A seleção americana de basquete masculino, desde quando é formada por astros da NBA, jamais perdeu uma partida oficial. Venceu 40 vezes, e sempre folgadamente. É o ‘‘dream team’’, sim senhor!

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