Se o leitor
me permite
E se a CBF, num surto de coragem, decide acabar com a zorra de técnico à beira do campo? E se o Clube dos Treze fizer um ‘‘mea culpa’’ e trocar por três os cinco cartões amarelos, em má hora concebidos? E se, pra felicidade geral da nação, a bela Piccinini, do Rexona, decidir posar nua em plena revista Playboy? E se o Eurico Miranda passar a acreditar mais no time do Vasco e menos na sua índole sempre irada? E se o cabeça-de-área for proibido de dar boa-tarde à bola do jogo? E se a FIFA, tomada de bom senso, adotasse o limite de faltas, pra redenção do futebol brasileiro? E se for verdade, mesmo, que a matéria atrai a matéria na razão direta das massas e razão inversa do quadrado das distâncias? E se as televisões parassem de encher a paciência da gente com o excesso de ‘‘replays’’ de jogadas irrelevantes? E se eu disser que mesmo milagre de santo forte será pouco pra salvar o Botafogo da segunda divisão? E se Steffi Graf, pra surpresa geral, der o dito pelo não dito e voltar ao tênis da WTA como se nada houvesse acontecido? E se o atacante Paulo Nunes deixar de lambança e tratar de jogar seu futebol, por sinal, eletrizante? E se a CBF requisitar o teipe do jogo Goiás x Joinville pra ver uma cotovelada que o árbitro viu e fez que não viu? E se o futebol brasileiro fosse mais ético, mais lúcido, menos selvagem, menos chocante, dentro e fora de campo? E se alguém dissesse a Ronaldo, do Inter, que jogar bem, sem precisar treinar, o futebol brasileiro só conhece um. E se Wanderley Luxemburgo repensa a convocação e chama Edmundo, por quem a galera clama?
E se não fosse o ponto de interrogação, o que seria de um cronista à míngua de assunto pra escrever esta coluna?
Viver bem (e mais)
Gente que faz exercício regularmente me escreve, perguntando quais os benefícios da atividade física regular. De tudo que tenho lido da Medicina e da Fisiologia Esportiva, aponto quatro vantagens indiscutíveis: rejuvenescer o corpo, fortalecer a mente, combater o ‘‘stress’’ e desenvolver a harmonia corpo-mente.
O duro é saber dosar o exercício. Há quem pense que fazer pouco exercício basta. Não é verdade. Como não é verdade que fazer muito exercício melhora o estado orgânico. Agora mesmo, o professor Kathy Waller, da Universidade de Ohio, nos EUA, acaba de comprovar que fazer exercício além da conta pode minar o sistema imunológico. Em vez de ficar mais protegida, a pessoa fica muito mais predisposta a doenças. O professor Waller vai mais longe: garante que estudos recentes demonstram que os maratonistas, sempre considerados o supra-sumo da resistência atlética, têm muito mais propensão a gripes e a outras infecções do que as pessoas comuns.
Resumo da ópera: o exercício é uma faca de dois gumes. Feito com moderação, dá saúde e até cura certos males. Exercício em demasia, porém, pode levar a pessoa a adoecer e, até mesmo, morrer, sem aviso prévio.
Rápidas e rasteiras
- Fernando de la Rúa, candidato à Presidência da Argentina, diz, nas páginas amarelas, que ‘‘não há em seu país sentimento anti-brasileiro nem no futebol’’. E pisa fundo, jurando que, quando o Brasil joga uma final de Copa do Mundo, a torcida argentina fica do lado do Brasil. Lorotas, mi hijo!
- Steffi Graf já esteve em Paris, mais de 50 vezes, por dever de ofício e por lazer, mas nunca visitou a Torre Eiffel. Ponto pra ela.
- Chama-se Monique Viele, é americana, tem 14 anos e já é profissional de tênis. A família dá força total à garota e está processando a WTA (Associação Feminina de Tênis) por dificultar a entrada da filha no circuito profissional. A mãe, Bernadette, diz que Monique é tinhosa.
- Tinhosa mesmo, é essa Milene. Não é à-toa que a jovem faz mil embaixadas sem deixar cair a peteca.
- O árbitro Paulo Cesar de Oliveira caiu em maldição. Um simples erro de fato, que foi a expulsão de Juninho no jogo Vasco x Paraná, pode abalar a reputação de uma bela carreira. O que Eurico Miranda, a CBF e a mídia destemperada estão fazendo é linchamento moral de uma pessoa.
- Rivaldo acaba de criar uma fundação pra ajudar menino pobre. Já começou a distribuir cesta básica pra mil crianças, em duas frentes: uma, em Jardim Paulista, o humilde bairro em que nasceu, no Recife, e outra, em Barcelona, onde há também muito menino desamparado.
- O que mais se ouve, nos últimos dias, é cartola negar, mas estou com Renato Maurício do Prado: a chamada elite do futebol brasileiro vai passar a borracha no critério de rebaixamento. Time de tradição não vai mais cair da 1ª divisão. Grifes como Fluminense e Bahia serão reintegradas ao clube do poder. Se não for, já já, será em 2001.
- O Flamengo, ao que parece, embalou mesmo. O Vasco, por sua vez, com Edmundo, Felipe, Juninho, Ramon, os quatro jogando uma barbaridade, não vai deixar por menos. Ia esquecendo de falar de Carlos Germano, a barreira do Vasco. Domingo, o Maracanã vai derreter de emoção.
- Franz Beckenbauer e o técnico Arsene Wenger defendem dez-contra-dez pra aumentar os espaços e melhorar tecnicamente o futebol. São duas vozes de peso dentro da FIFA.
- Na prática, o campeonato brasileiro já está chegando à fórmula dos dez – por outro caminho, mas está. A maioria das partidas tem terminado com um expulso de cada lado...
- A falta, tão estimulada pelos treinadores, é o grande flagelo do futebol no Brasil. No momento, a média de infrações, por equipe, é de 30 faltas. O jogo Palmeiras x Santos, um dos chamados clássicos do Brasil, registrou 65 faltas. O jogo durou 60 minutos. É mais de uma falta por minuto de bola corrida. Deplorável.

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