No fio
da navalha
Ronaldo não é mais Ronaldinho. Cedeu o diminutivo a outro, que está chegando. Ao voltar a ser Ronaldo, o nosso craque precisa voltar também a ser o jogador excepcional que era, há quatro anos. Vozes italianas me contam que o reaparecimento de Ronaldo, no time do Inter, foi decepcionante. Ele se explicou, falando à imprensa: ‘‘Estou cansado!’’
Os jornais italianos, que sempre foram superlativos nos elogios a Ronaldo, começam a falar dele com reticências. Por sua vez, o técnico Marcello Lippi acaba de dizer à revista World Soccer, de Londres, que não hesitaria em deixar Ronaldo fora do time. Bastaria que ele repetisse o fiasco do último jogo contra o Roma. Nem precisou esperar tanto. Ronaldo já ficou ao sereno, no jogo contra o Parma, domingo passado.
Araújo Neto, minha fonte de fé, lembra que, no primeiro ano de Ronaldo no Inter, quando Lippi ainda treinava o Juventus, os dois tiveram um arranca-rabo, de público. Lippi ficou enfurecido com algumas declarações desprimorosas do craque contra o Juventus.
Ou o Ronaldo segura as pontas de seu lado frívolo, mundano, e volta a treinar seriamente, ou Marcello Lippi vai fritá-lo ao alho e óleo...
Fusão é confusão
Fusão, pelo menos no futebol, é sinônimo de confusão. O Goiânia e o Atlético, ambos de Goiás e ambos a perigo, andaram querendo juntar seus cacos, criando um terceiro clube. Conversa daqui, desconversa dali, chegaram até a escolher o nome da nova associação, que seria Goiânia Atlético Clube. As torcidas ficaram divididas na questão do símbolo. O distintivo do Goiânia é um galo; o do Atlético, um dragão. A fera já não cospe fogo e o galo, há muito, deixou de cantar. Um artista plástico concebeu um novo mascote: é um gavião, mas um gavião muito mais pra galo que pra outro ser qualquer.
O dragão voltou a cuspir fogo. A fusão vai dar em nada.
Gol sem siso
Todo gol contra é indefensável, pelo que contém de imprevisível. Todo gol contra é maldição, pelo que tem de incestuoso. Todo gol contra é patético, pelo que encerra de sofrimento. Há alguns, porém, que vão além, muito além da imaginação. Quem não se lembra do gol que Oséas fez contra seu próprio time, num Palmeiras x Corinthians, em 98? Foi uma testada incisiva, épica.
Domingo, vi coisa semelhante, no jogo do Inter contra o Gama, no Beira-Rio. O ponta centra, o goleiro do Inter dá um salto acrobático, já quase tendo a bola ao alcance de suas mãos. Subitamente, o zagueiro Enciso, num mergulho de trapezista, antecipa-se e desvia a bola, de cabeça, pra malha da rede. Fulminante.
Gol preciso, gol sem siso, gol Enciso.
Rápidas e rasteiras
- A seleção feminina de vôlei volta a jogar. Agora, disputa o sul-americano, amplamente favorita. A equipe está renovada. Sangue novo, alma nova na quadra. Fofão dá conta do recado, regendo a doce orquestra. Mas, confesso, tenho saudades de Fernanda Venturini. Braços erguidos, mãos espalmadas, ela manejava estrelas nas pontas dos dedos.
- Há menos de seis meses, o passe do volante Vampeta valia cerca de seis milhões de dólares. Da noite pro dia, o Manchester United mandou ver com uma proposta de 25 milhões de dólares pelo craque do Corinthians. Como bem calcula a revista ‘‘Veja’’, é uma valorização de 400 por cento. A única novidade na vida de Vampeta, que eu saiba, deu-se fora de campo: ele saiu nu em pelo, numa revista de aceno erótico.
- Eurico Miranda invade o campo, dá uma bronca no árbitro e trunca o jogo em que o Vasco empatava com o Paraná Clube (1 a 1). Duvido que a CBF tenha coragem de punir o tresloucado cartola. Infelizmente, no futebol brasileiro, a contrapartida da suposta injustiça é a desordem.
- Armando Marques é um pernóstico, sempre foi, mas não deixa de ter razão: a arbitragem só vai melhorar quando for inteiramente profissionalizada. Enquanto apitar futebol for mero bico, não sai disso.
- Por falar em arbitragem, estou impressionado. O corpo-a-corpo no futebol anda sendo agravado por um golpe dado com absoluta má fé: a cotovelada. Em disputa de bola pelo alto, alguém sempre leva uma cotovelada no rosto, na cabeça. Malignidade pura.
- Um jornal de Chicago fez uma pesquisa pra eleger o mais ilustre filho da terra, no século XX: deu Michael Jordan, disparado, à frente de três ganhadores do Prêmio Nobel.
- Rivaldo nunca foi um atacante pleno, desses que têm o privilégio de rondar a grande área, à espera de uma bola de gol. Sempre vem de trás, surpreendendo todo mundo com súbitos disparos à entrada da área. Pois ainda assim, Rivaldo já desponta como um grande artilheiro na história do Barcelona. Em duas temporadas, marcou 57 gols. Tudo por obra e graça do talento.

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