O maestro Rincón
A coisa andou feia pra alguns, no fim de semana, no Campeonato Brasileiro: neguinho me escreve, espinafrando o Palmeiras dele que, apesar da vitória de Campinas, até agora não disse a que veio. Quer ver seu time falando grosso como o Corinthians. Neguinho tricolor, por sua vez, me escreve contando que, por causa do jogo do Fluminense com o Vila Nova, terminou o domingo brigado com a mulher. Meu médico, otorrino ilustre, misturou os assuntos, em plena consulta: dedicou um minuto à minha labirintite e quinze ao fiasco do Flamengo que apanhou do Grêmio, depois de ter mandado três vezes no placar. Meu ouvido médio não estava preparado pra escutar tamanha bronca na defesa do time do Flamengo.
Em compensação, a república corintiana anda que é luxo só. O time ainda não começou a ver a cor do dinheiro das velhinhas de Ohio, mas já contabiliza ‘‘lucro’’ de 100 por cento: sete jogos, sete vitórias, a última das quais contra o São Paulo, rival mais que malquisto. Também, pudera: o time do Corinthians é regido pelo extraordinário Rincón, certamente a peça mais importante do time. Se Wanderley Luxemburgo pudesse tê-lo na seleção nacional, ao lado de Vampeta, os dois amistosos com a Argentina poderiam ser bem mais fáceis. Rincón é de uma clarividência admirável. No jogo com o São Paulo, não o vi cometer um único erro técnico ou tático. Um maestro de olhar absoluto.
Há muito tempo, não aparece no futebol brasileiro alguém jogando na meia-cancha com tamanha majestade. Fred Rincón é um craque sobre o qual não resta a menor dúvida.
As guerreiras do vôlei
Se dependesse de mim, a seleção feminina de vôlei teria sido recebida com flores e esguichos de champanhe. A medalha de prata conquistada no Grand Prix da Ásia tem tanta realeza quanto a medalha de ouro conquistada imediatamente antes, nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg.
Bernardinho e sua brilhante equipe estão chegando de uma campanha extenuante, começada há cerca de 50 dias no Canadá, a que se seguiu uma sucessão de amistosos nos Estados Unidos e, por fim, a árdua maratona do Grand Prix. Na Ásia, as moças enfrentaram uma caminhada ainda mais espinhosa do que em Winnipeg. Amanheciam em aeroportos e anoiteciam nos ginásios. China, Macau, Filipinas! Ganharam sete partidas, perderam apenas uma, a final contra uma equipe de poderosas varapaus. Nunca vi russas tão grandes!
A seleção resistiu heroicamente, mas já na semifinal, contra as italianas, começou a abrir o bico. Radamés Lattari, comentando os jogos na Rede Globo, já vinha notando a queda de rendimento, tanto físico quanto emocional. Daí, o nocaute da equipe, na decisão contra a Rússia.
O vôlei feminino adulto do Brasil, em plena fase de renovação, acaba de fazer um belo papel, com sua reluzente medalha de prata. Honras, pois, à epopéia das guerreiras do vôlei brasileiro.
O golfinho Scherer
Se não tivesse nascido gente, Fernando Scherer gostaria de ter vindo ao mundo como um golfinho, o peixe da sua simpatia. É o que ele me confessa, em entrevista pro ‘‘Esporte Real’’. O encontro, à beira da piscina do Flamengo, no Rio, confirmou a impressão que sempre tive dele: Scherer é um superdotado. A água é o seu mundo. Ele já nadava nas águas sagradas do regaço materno.
Eis o resumo das declarações e revelações de Scherer: 1) um mês antes de uma competição, ele ‘‘nada’’, mentalmente, cronometrando o tempo da prova. Geralmente, bate certinho com o tempo real dentro da piscina; 2) Na prova de 50 metros, ele respira duas vezes: nos primeiros e nos últimos 15 metros; 3) Antes da prova, raspa o corpo, da cabeça aos pés, exceto a parte da sunga; 4) A raia preferida é a nº 1, de onde pode observar os nadadores das outras sete raias; 5) Gosta muito de namorar: passa a noite perdidamente apaixonado mas, na manhã seguinte, esquece tudo – e vida que segue.
Rápidas e rasteiras
- Steffi Graf teve o estalo de parar de vez com o tênis, a bordo do avião que a levava a San Diego, onde jogaria um torneio. ‘‘Fiquei de mãos e pernas trêmulas, mas decidi assim mesmo. Eu senti que não tinha mais prazer de jogar tênis.’’
- Os clubes espanhóis de futebol acabam de ser autorizados a vender ações na bolsa de valores. As participações, porém, serão limitadas: um acionista não pode deter mais de 25 por cento do capital. Três clubes esnobam a prerrogativa dada pelo Conselho Superior de Esportes da Espanha: o Real Madrid, de Osasuña, o Atlético de Bilbao e o Barcelona. A assembléia de sócios dos três é contra a transformação dos clubes em sociedade anônima.
- O prêmio das brasileiras, medalhas de prata no Grand Prix de vôlei, foi de 100 mil dólares. Divididos por 18 membros da delegação (jogadoras e comissão técnica) cada um ganhou cinco mil dólares e quebrados. O que, vamos convir, é um mero trocado por tantos jogos. Virna e Ricarda receberam mais: Virna, 15 mil dólares, como melhor atacante e a melhor jogadora, além de ter sido a maior pontuadora do torneio; e Ricarda, melhor defesa, cinco mil dólares.
- Ronaldinho Gaúcho tem dito que a fama não vai estragar sua cabecinha. Tomara. Confesso que tenho torcido pra ele não ir nas águas do outro Ronaldo, que já andou aconselhando o garoto a trocar sua Fiat por uma Ferrari. Pra que tanta pressa? Pega leve, meu jovem, que a estrada da fama é mais esburacada do que supõe a nossa vã filosofia.

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