A CBF acordou!
Ricardo Teixeira anuncia que vai apertar Armando Marques, cobrando mais energia dos árbitros. Sinal de que a CBF está sabendo o mal que lhe causa, politicamente, o recorde mundial de faltas no Campeonato Brasileiro. Já pensou: nos corredores da FIFA, a cartolagem lendo nos jornais que, em uma semana, em três jogos, houve 225 faltas no principal campeonato do Brasil? Vai pro espaço a reputação da CBF e, de cambulhada, o projeto de trazer pro Brasil a Copa de 2006.
Ricardo Teixeira tem que ir mais fundo, se quiser combater o flagelo da violência e do anti-jogo. Se não for por amor do esporte, que seja por esperteza política. Aliás, justiça seja feita: ele já mandou restabelecer a regra dos três cartões amarelos que, em má hora, os clubes tinham aumentado pra cinco. Não vai resolver o problema, mas, certamente, atenuará um pouco. Pelo menos, os treinadores voltarão a ser mais comedidos na hora de mandar travar a jogada, a qualquer custo.
Claro, o ideal seria determinar um limite de faltas, como em tantos jogos de corpo-a-corpo. Já imaginou onde estaria hoje o basquete sem a regra das cinco faltas? E o futebol-de-salão, que aí está florescente e que se salvou precisamente quando passou a adotar o limite de faltas?
A própria FIFA sabe que a saída contra o anti-jogo é punir, em campo, o abuso de faltas. A experiência em jogos amistosos já foi feita pela Federação Paulista e deu resultado animador: o jogo fluiu muito mais, o tempo de bola parada caiu expressivamente e o espetáculo ganhou mais brilho, sem perder nada em combatividade.
A esperança era que, trocando de presidente, a FIFA iria oficializar o limite de faltas. Pelo contrário: com Blatter, não se falou mais no assunto e, agora, Inês é morta.
Batida de frente
A multinacional Hick Muse já está bancando o Corinthians e, agora, quer bancar, também, o Cruzeiro. Consumada a negociação com o clube mineiro, estará criada uma situação que baterá de frente com medida provisória que o governo vai mandar ao Congresso, regulando as relações do capital com o esporte.
Pela medida, a mesma empresa não poderá gerenciar dois clubes que disputem a mesma competição. É o primeiro round de uma queda de braço, à vista, entre a ética do esporte e a lógica fria do mercantilismo que, acima de tudo, visa ao lucro.
Vai sair faísca, gente.
Os reis da cocada
Há jogador de futebol que leva uma vida, eu diria, traiçoeira. Ganha dinheiro, fica famoso, aí passa a se achar o rei da cocada preta. O mal é insidioso. Uma festinha hoje, uma boate amanhã. Depois, as duas tentações, na mesma noite. E tome de tomar umas-e-outras. O embalo é bom, o corpo é saudável, tira de letra a ressaca. Até que um dia, a casa cai.
Recentemente, dois deles, Beto e Caetano, se meteram em confusão e foram acabar na polícia. Ambos, por sinal, cuspindo fogo, proclamavam, nas barbas do delegado, que eram famosos e que ganhavam salários astronômicos. Queriam, portanto, que lhes dispensassem tratamento de heróis intocáveis. Um entendimento inteiramente destorcido. Afinal, por serem famosos e cortejados é que eles têm o dever de dar bons exemplos.
A crônica do futebol está repleta de jogadores que não souberam sobreviver ao cerco pernicioso da fama e da fortuna. De uma hora pra outra, desabaram no plano inclinado da ruína. Ficaram na miséria e sem saúde física, nem mental pra tentar a volta por cima.
Um leitor me escreve, falando, com admiração, do livro ‘‘Estrela Solitária’’, escrito por Ruy Castro, contando a vida e o calvário de Garrincha. Todo jogador de futebol, sobretudo os mais jovens, deviam ler esse livro.
É uma lição.
Rápidas e rasteiras
- Vejo na GloboNews excelente entrevista de Maria Beltrão com Michel Legrand, compositor francês da mais fina estampa. Legrand confessa que sempre teve medo de voar. Até que um dia, deu um basta no medo, aprendeu a pilotar, tirou a carteira de aviador, comprou um avião. Hoje, ao lado da música, seu maior prazer é voar. Bons ventos o levem, maestro.
- Guga chega a 5º do mundo, no ranking da ATP. Nunca vou esquecer aquela tarde, em Roland Garros, quando, ao ver Guga derrotar Bruguera, Luis Felipe Tavares me dizia: ‘‘Esse garoto ainda será o nº 1 do mundo’’.
- Jô Soares, que no ano 2000 já será astro global, fará parte do time que a Rede Globo mandará aos Jogos Olímpicos de Sidney. É medalha, na certa. Que bom se eu puder cruzar com Jô, por lá.
- A melhor dos últimos dias é a do larápio francês que tentou ‘‘aliviar’’ a bagagem de Maurice Greene, levando-lhe a mala, no aeroporto de Madri. Logo de quem: do corredor mais veloz do mundo (100 metros, em 9.79). Greene deu um pique e foi agarrar o malandro pelo gasganete.
- O Botafogo está na pior e não foi por falta de aviso. Todo mundo vinha dizendo que o time não tinha cacife pra disputar o Campeonato Brasileiro. Resultado: tudo indica que será engolido pelo ‘‘bug’’ do milênio.
- A seleção feminina de vôlei volta a enfrentar a italiana, sábado que vem. É a terceira vez que isso acontece, no Grand Prix na Ásia. Melhor que seja assim: as moças da seleção italiana refrescam qualquer olho masculino, com seus shorts sucintos.

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