Na Grande Área (Armando Nogueira)
Botafogo amargo
Guilherme Bezerra participa, a quem interessar possa, que acaba de renunciar a seu título de sócio-proprietário do Botafogo de Futebol e Regatas. Em mensagem que amanheceu na minha casa, quinta-feira, o cidadão confessa que não dá mais pra aturar tanta humilhação. Posso imaginar o desespero de Guilherme. Que noite não terá passado esse moço, depois de ter visto o seu Botafogo sofrer a terceira goleada em poucos dias de Campeonato Brasileiro? Perder é do jogo, como é da vida.
Mas o time do Botafogo passou da conta. Anda apanhando feio, de todo mundo e o que é pior: sem altivez. Vem levando surras colossais, dentro e fora de casa, como se não tivesse um nome a zelar.
Estrela Solitária, estrela cadente.
Quem, botafoguense, viu o jogo de quarta-feira, contra o Atlético Mineiro, só pode estar sofrendo muito pelo momento melancólico que vive o seu clube. Eu não me lembro de nada mais constrangedor na história alvinegra. O escudo do Botafogo é um símbolo de bravura. Por acaso estão querendo transformar em mortalha a camisa que vestiu Heleno de Freitas, Nilton Santos, Didi e Garrincha?
O Mundial de 2006
A CBF quer trazer pro Brasil o Mundial de 2006. O Brasil bem que merece. O cartolismo, porém, não merece, de jeito nenhum. A começar pela própria CBF, sempre omissa no seu dever de zelar pelo conceito do futebol brasileiro. Agora mesmo, estamos vendo o flagelo de faltas que é o campeonato nacional. Não há um gesto, uma atitude dos órgãos técnicos contra o anti-jogo, a degradação do espírito esportivo.
Onde já se viu coisa igual? Partidas de 65, de 85, de 105 faltas! É a consagração da torpe decisão que passa de três pra cinco cartões amarelos o castigo da suspensão automática. Positivamente, não é mais tolerância; é cinismo puro.
Já vem tarde...
João Havelange adere à campanha da CBF pelo Mundial de 2006, no Brasil. O ilustre cavalheiro está tão a fim de ajudar que não hesitará em fazer as pazes com Pelé, que, todos sabemos, é o grande trunfo brasileiro mas, a quem, pelo menos até agora, o projeto não lhe cheira bem.
Não deixa de ser surpreendente que só agora, no ocaso do poder, Havelange queira ver uma Copa do Mundo no Brasil. Quando tinha o queijo e a faca na mão, presidente soberano da Fifa, Havelange trouxe o mundial três vezes pro continente americano: uma pra Argentina, em 78, outra pro México, em 86, e a terceira, pros Estados Unidos, em 94.
É ou não é de estranhar que o Brasil não tenha tido a sua chance, justamente quando no comando do futebol havia um brasileiro e que brasileiro? Havelange, então, reinava no futebol mundial como um verdadeiro monarca. Seria oportuno que o ex-presidente da Fifa explicasse à opinião pública do futebol porque ele preferiu dar ao México e não ao Brasil a Copa de 86 que, a Colômbia não teve condições de bancar.
Enfim, presidente Havelange: antes tarde que nunca.
Rápidas e rasteiras
- No estúdio do Sportv, pai e filho trocam medalhas de ouro: Hélio Rubens, treinador da seleção de basquete, recebe, feliz, a de Helinho, em Winnipeg-99, e Helinho, fica, orgulhoso, com a do pai, no Pan de 71, na Colômbia. Bati um bom papo com os dois, no Esporte Real.
- Ana Moser, simplesmente esplendorosa no Grand Prix: na partida contra a Itália, sexta-feira, emplacou 24 pontos. Quase um set inteiro! Que jogadora soberba essa guerreira Ana Moser. O braço direito dela, quando dispara a cortada, é um mosquetão.
- Ainda o vôlei: quem não viu Brasil x Itália perdeu uma aula de vôlei, dada, na transmissão da Globo, pelo técnico Radamés Lattari. Com mais duas ou três canjas de Radamés, vou começar a dar meus palpites eu que sou analfabeto de pai-e-mãe em matéria de vôlei.
- A diretoria do Botafogo está brincando com brasa. Alguém, de preferência o Fluminense, precisa dizer aos cartolas alvinegros que quem cai pra segunda divisão fica mais perto da terceira que da primeira. É a lei da gravidade.
- Quem se dispuser a engrossar o time de patrocinadores da natação vai se dar bem com a rapaziada brasileira: o cardume liderado por Gustavo Borges e Scherer pode conquistar nada menos de nove medalhas, em Sidney. Em Barcelona-92, só conquistou uma solitária, com Gustavo, nos 100 metros. É o chamado salto de qualidade.
- Há dias, escrevi uma crônica, deplorando a figura do cabeça-de-área, estafermo que ameaça ressurgir no futebol brasileiro. Nunca recebi tanto e-mail, felicitando a coluna. Moral da história: o torcedor brasileiro não engole a empulhação de alguns treinadores.
- Duvido que alguém possa estar contra a inclusão do América na Série C do Campeonato Brasileiro. Fora, naturalmente, o Caixa DÁgua. O América tem excelente posição no ranking; tem, agora, estádio próprio e tem a cor da luta, do fervor, que Lamartine Babo soube exaltar no hino do América: A cor do pavilhão é a cor do nosso coração.
- Vem de Manaus pedido de socorro, feito por um torcedor. O rapaz está assombrado. Numa conversa de futebol, ouviu de um amigo as seguintes blasfêmias: que Garrincha não jogava nada, que Tostão foi zero à esquerda em 70, e que Pelé é rei de coisa nenhuma. E me pergunta o que deve fazer com o amigo. Respondo, de bate-pronto: interna, depressa, antes que ele te morda.





