A zaga e o miolo
Wanderley Luxemburgo tem trabalho pela frente. Seja na zaga central, seja no miolo. Não será Antônio Carlos um equívoco do treinador? Zagueiro que nunca chega a tempo de fazer o desarme é dor de cabeça na certa. E Antônio Carlos anda padecendo desse defeito.
Figueroa, mestre da posição, gosta de dizer que o bom zagueiro é aquele que induz o adversário a fazer a jogada que interessa a ele, zagueiro, e não a que convenha ao atacante. Ora, pra tanto, é fundamental que o zagueiro esteja no lugar certo, no momento certo. Pois é aí que Antônio Carlos tem ficado devendo: quando ele chega, já chega tão fora de tempo que não lhe resta outra saída senão a falta, quase sempre, exagerada.
Ao lado de Antônio Carlos, estreou o parrudo João Carlos. Entre pernadas e pescoções, volta e meia, até que ele tenta refinar uma jogada. Mas, não sei não. Luxemburgo vai precisar limar as arestas da bola de João Carlos. É de esperar que o técnico consiga também levar o apoiador Émerson a desarmar sem tanta precipitação. Calma, rapaz! Contra a Argentina você poderia ter estragado a festa, com tantas faltas em cima da meia-lua da área. Sorte que a Argentina não tinha um bom cobrador de faltas.

Bloco do eu sozinho
O atacante Paulo Nunes, falando de suas pendengas com o Palmeiras, me sai com a seguinte declaração: ‘‘Em um ano e meio de clube, eu dei três títulos ao Palmeiras’’. A frase, na primeira pessoa do singular, pode ser uma força de expressão, mas pode ser, também, um sinal de que o craque pode ter perdido o senso do que seja uma equipe. Até parece que o time do Palmeiras é assim: no gol, Paulo Nunes; na zaga, Paulo Nunes, quatro vezes; na meia-cancha, Paulo Nunes, três vezes; no ataque, idem, idem.
Paulo Nunes é um excelente jogador, mas alguém precisa dizer a ele que quem representa o clube é uma equipe. Afinal, futebol não é esporte individual. No esporte coletivo, não existe o bloco do eu sozinho. Um pouco mais de comedimento, meu jovem!

Nome e apelido
Há pouco tempo, publiquei, aqui, crônica falando de apelidos. Recebi, logo, um e-mail, do colega Luis Augusto Xavier, do jornal ‘‘Estado do Paranᒒ, contando o episódio de que foi personagem o ex-jogador Sicupira. Por sinal, hoje, um conceituado comentarista de futebol no Paraná. Conheci-o quando jogador do Botafogo. Era um bom atacante. O semblante lembrava a figura de Heleno de Freitas.
No dia em que Sicupira estreava no Corinthians, o comentarista Geraldo Bretas, voz irreverente do rádio e da tevê, não gostou nada quando ouviu o repórter de campo cantar, na escalação, o nome do estreante: Sicupira! Bretas não acreditou: ‘‘Que diabo de nome é esse? Sicupira! Não, não é possível. No Corinthians, não pode ser! Esse apelido é feio demais.’’ Pediu, então, ao repórter que fosse descobrir o nome próprio do rapaz. Dois minutos depois, vinha a informação: o verdadeiro nome de Sicupira é Barcímio. Isso mesmo: Bar-cí-mi-o! Bretas, então, conformado, encerra o papo:
- ‘‘Tá bom, esquece o que eu falei. Vamos de Si-cu-pi-ra mesmo!

Rápidas e rasteiras
- O basquete patinou e não passou no pré-olímpico. O desapontamento é geral, mas a grande verdade é que Hélio Rubens está refazendo a elite do basquete brasileiro, depois de anos de estagnação. O Grego, presidente da CBB, está sendo sensato, com a força que dá ao trabalho de renovação feito por Hélio Rubens.
- Afinal, quem determina o limite no atleta de alta performance? É a mente ou é o próprio corpo ou serão essas duas entidades em perfeita harmonia? Roberto Shinyashiki é quem me responde essa e outras questões, na entrevista que me deu e que será exibida amanhã, no Esporte Real, do SporTV.
- Um livro bem humorado é ‘‘É Golo, Pá!’’, escrito por dois brasileiros, os irmãos Marcos e Luis Bogo, um dos quais mora em Portugal. O livro mostra como são diferentes o português do Brasil e o de Portugal. É uma delícia ler textos esportivos da crônica de lá e a de cá. O subtítulo do livro diz tudo: ‘‘Edição bilíngue: Português-Português’’. Faz lembrar uma boutade de Bernard Shaw sobre a língua inglesa: ‘‘Inglaterra e Estados Unidos são dois países separados pela mesma língua.’’
- Recebi, com grande atraso, o convite pra festa de inauguração do Terminal Tom Jobim, no Aeroporto Internacional do Galeão. Uma pena. Gostaria muito de ter estado lá pra abraçar a querida amiga Ana Jobim, no momento em que se exaltava a memória do genial poeta e compositor brasileiro.
- A tantas pessoas que me têm felicitado pela nova fase do programa Esporte Real quero dizer o seguinte: quem merece parabéns, no duro, é toda a equipe de produção, composta de Theresa Walcacer, Geraldo Mainenti, Paulo Pessanha, Andréa Escobar e Juliana Rolim. Além, naturalmente, da bela e competente Renata Cordeiro, que apresenta o programa comigo.

Correspondências para ‘‘Na Grande Área’’: Cx.Postal: 34062 - CEP: 22.462-970 - Rio de Janeiro - RJ - http://www.armandonogueira.com.br - E_MAIL: [email protected]

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