Na Grande Área (Armando Nogueira)
O caminho do triunfo
Ah que saudades que eu tenho do ponta no futebol. Foi Zé Roberto que atiçou minha lembrança. Ele caiu pro lado esquerdo e, por ali, foi escancarando as portas que levavam à pequena área do México. Tão singelo! A seleção nem precisou pôr em risco Roberto Carlos, que, por sua vez, recobrou a solidez defensiva, jogando uma partida exemplar. Aliás, ele tem sido, pela seriedade, a figura mais poderosa da equipe.
O deslocamento de Zé Roberto, do meio pra lateral, resume o triunfo brasileiro. Como havia ponta de verdade, a malha defensiva dos mexicanos acabaria claramente vulnerável, aliviando, assim, a faixa central do campo, céleres caminhos de Rivaldo, Ronaldo e de Amoroso. E se mais gols não fez a seleção foi porque Ronaldo anda mesmo na maré baixa. Dizem que ele não gostou nada de ser substituído. Dona Suzy Fleury precisa dar um toque em Ronaldinho. Convém explicar a ele que, em certas horas, sair é bem melhor do que ficar. Na tempestade ou na bonança.
Mas, voltando ao jogo. Aos poucos, o futebol vai reencontrando o jeito de contornar o maciço defensivo que os estrategistas levantam na entrada da área pra frustrar os goleadores e enfeiar o futebol. A moda, já surrada, de transformar lateral em ponta, liquidou com a jogada de penetração pelos lados: o ponta partia em alta velocidade, driblando, driblando, chegava à linha de fundo e cruzava. A bola atravessava a boca do gol, rasteirinha ou à meia altura, pegando todo mundo de frente pro gol, inclusive os defensores de cujos pés poderia sair até gol contra.
Era exatamente assim que os grandes pontas transformavam em milionários atacantes de todos os feitios, dos medíocres aos mais bem dotados. Quem assistiu ao jogo semifinal contra o México ficou contente de ver Rivaldo menos fominha, mais solidário, ora, passando a bola, ora, jogando sem ela. Jogar sem a bola não é pra qualquer um. Requer, primeiro, discernimento, depois, despreendimento. Jogar assim é conceder ao companheiro a chance de brilhar, coisa que, à luz da promoção pessoal parece não convir a ninguém. Tostão era um que tinha talento e humildade pra passar de protagonista à coadjuvante.
Tomara que Wanderley Luxemburgo volte a escalar Zé Roberto no papel de ponta-esquerda. Daquele jeito mesmo: bem aberto, bem adiantado, como um verdadeiro ponta, daqueles que não tinham medo de chegar, feliz, à linha de fundo.
O caminho do título é por ali mesmo.
Longe do ponto
Luxemburgo está batendo na tecla certa: a seleção ainda tem muito que melhorar. E tem mesmo. A zaga central ainda está insegura. O lateral Cafu anda longe do jogador exuberante de outros tempos. Quer me parecer que os estrangeiros que jogam na Itália estão fora do ponto. Amoroso, Antônio Carlos, Cafu estão sem explosão. A barra do campeonato italiano é pesadíssima.
Do meio pra diante, sente-se uma desarmonia gritante. Émerson e Flávio Conceição são dois estranhos entre si. Rivaldo, por sua vez, está jogando muito abaixo do seu inegável talento. Ronaldo, esse, então, tropeça na própria ansiedade. Talvez precise de um bom colo, pra voltar a ser ele mesmo.
Ainda bem que o adversário de hoje é um time inexperiente. Não tem passado, o presente é discretíssimo e o futuro - o futuro pode até ser promissor, mas não dá pra chegar a ele em apenas 90 minutos.
Sedentários, cuidado!
Esteve no Rio, recentemente, o professor Kenneth Cooper. Fez palestras no Rio Sport Center, academia das irmãs Claudia e Soraya, na Barra da Tijuca. Um sucesso! Cooper reafirmou suas idéias, fruto de uma dedicação apostolar. Há meio século que esse homem vem pregando, com rigor científico, a salvação do corpo e da mente pelo exercício físico. Um dos presentes quis saber se uma boa caminhada faz tanto efeito quanto uma boa corrida. O professor foi taxativo:
á- Uma boa caminhada é melhor do que uma boa corrida. Principalmente, se a marcha for pra valer, acelerada, mesmo. A corrida castiga muito as articulações.
- E o atleta de fim-de-semana? - perguntou outro assistente. No ato, Cooper respondeu que considera de alto risco a pessoa querer descontar no sábado uma semana de vida sedentária. E concluiu com uma sentença patética:
- Sobre essa questão, eu só tenho uma certeza: o atleta de fim-de-semana vai morrer num fim-de-semana.
Rápida e rasteira
- Pergunta-me um estudante de comunicação: Há quanto tempo o homem está metido em esporte? Do que leio, pelo menos, há 4.000 anos antes de Cristo. Por essa época, já havia hieroglifos, falando de boxe, em todo o Vale do Rio Nilo.
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