Na Grande Área (Armando Nogueira)
Os segredos de Dida
A Seleção Brasileira jogou bem contra a Venezuela, jogou mal contra o México, voltou a jogar bem contra o Chile e jogou mal contra a Argentina. Pelo joguinho do mal-me-quer-bem-me-quer, hoje é dia de jogar bem. Uma coisa, porém, é certa: se Rivaldo insistir em prender a bola, mal de que anda padecendo, também, Ronaldinho, aí, amigos, ficará difícil fazer gol no México. Ou já não basta a timidez dos apoiadores, em cujos pés, contra a Argentina, a bola era um tição em brasa viva? A crítica não vale pra Émerson que, sozinho, carregou nas costas os outros dois volantes - Zé Roberto e Flávio Conceição. A lastimar no futebol de Émerson, apenas, a precipitação no ato de desarmar. Ele não marca, atropela.
De um modo geral, a Seleção me desapontou no jogo com a Argentina. Salvaram a pátria, além de Émerson, o goleiro Dida, soberbo no pênalti, e o lateral Roberto Carlos. Além de jogar a contento, Roberto Carlos deu uma de líder, serenando os colegas mais excitados e peitando, sem bravatas, alguns argentinos que pretenderam se impor pela intimidação.
Na equipe argentina, palmas pro treinador Bielsa. O homem arquitetou um plano de jogo que deixou sem saída a seleção do Brasil. A peça principal da equipe é Riquelme. O moço tem um controle de bola impressionante. Tem, também, um senso de proteção da bola como poucos.
O herói do Brasil foi o goleiro Dida. Dida defendeu um pênalti, no momento mais patético da partida. Ele repetiu o rito do jogo contra o Chile. Fincou os pés no meio do gol, já profundamente concentrado. Nos dois pênaltis que defendeu, observei que Dida encara o rival, não como quem já se rendeu ao carrasco, mas, pelo contrário, fita-o com um olhar firme e valente. O goleiro começa a perturbar o adversário no ato de fulminá-lo, com aquele olhar soberano que castiga e não com os olhos penitentes da misericórdia.
No processo do chute, Dida não se precipita. Espera o desfecho do golpe. Só, então, projeta o corpo, no bote felino e certeiro. Eis a lição que ele passa aos goleiros mais afoitos: não se atirem, querendo adivinhar a intenção do cobrador. Aguarde o instante do chute. Se a bola for bem chutada, não haverá salvação. Se não for, a defesa ficará bem mais fácil. Dida tem me lembrado a máxima segundo a qual o pênalti é pena de morte em que, às vezes, a vítima acaba sendo o carrasco.
Sinal trocado
O relato que se segue tem muito a ver com artigo recente em que falei da ascensão do futebol feminino no Brasil. Aconteceu no clube de vôo a que pertenço, na Barra da Tijuca, o CEU. Deitado numa rede, embaixo de uma afetuosa amendoeira, ouço um interessante diálogo entre duas crianças que acabam de se conhecer: Gabriel, quatro anos, e Camila, oito anos. Gabriel, chupando um picolé de limão, pergunta a Camila:
- Camila, você gosta de brincar de quê?
- Ah, eu gosto de tudo, mas gosto mesmo é de jogar futebol.
- E você? - retruca a Camila.
- Eu gosto é de brincar com boneca - responde Gabriel.
E eu, de mim pra mim mesmo:
- É o sinal (trocado) dos tempos.
Coxas e mais coxas
O vôlei é o esporte que mais explora o veio da sensualidade. O casal mexicano Acosta, que manda no vôlei internacional, vive mexendo no uniforme das atletas, atentos, sempre, ao sentido do olhar masculino que se regala de ver na quadra corpos esplêndidos de moças não menos esplêndidas. E, dos moços também. Agora, o short da rapaziada tem que ficar bem acima dos joelhos, pra mostrar à platéia feminina o viço e o fulgor das coxas dos galãs do vôlei.
Dos cinco sentidos de Eros, olhar talvez seja o mais inofensivo, já que pode ser exercido, à distância, ao contrário do tato, do olfato, do paladar e da audição que pedem intimidade. Mas, nem por isso, há de ser menos picante.
É o vôlei tirando uma casquinha nas ardentes fantasias do amor.
Rápidas e rasteiras
- Gratíssimo a quantos - e foram tantos! - que escreveram e telefonaram dando a dica da canção que rondava a minha memória, sem se revelar, de todo. Chama-se O que é que eu faço e foi composta pela parceria Dolores Duran-Ribamar. Jairo Severiano foi quem primeiro me socorreu, valendo-se ele do pesquisador Rodrigo Faour, jornalista da Tribuna da Imprensa. Jairo me mandou uma fita, com duas interpretações: uma, de Clara Nunes, outra, de Nana Caimmy. Hermínio Belo de Carvalho me mandou a gravação de Isaurinha Garcia. As três, belíssimas.
- Ou a Seleção melhora ou que acabem logo essa Copa América. Do jeito que vai, o Galvão Bueno pode ter um troço no ar. Madeira, três vezes.
- Marcia Narloch, fundista brasileira, está pisando fundo nos pulmões. Ela vai correr os 10 mil metros, em Winnipeg, com chance de medalha. Entrevistei-a pro Esporte Real. O condicionamento físico da moça é de causar inveja. O coração de qualquer pessoa saudável bate entre 60 e 70 vezes, por minuto. O dela bate 30 vezes. Já não é um coração, é uma turbina.
- Luís Fernando Barros, de Pelotas, me pergunta quais são as quadras rápidas e quais as lentas do tênis. Respondendo em poucas palavras: lenta é a quadra de saibro e rápidas são as quadras de grama, as de carpete e as de cimento. Mas, dá pra fazer com que a lenta fique mais rápida e vice-versa. O diabo é que são tantos os artifícios, que daria, fácil, pra encher duas colunas inteiras.
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