Sonho e pesadelo
A seleção do Brasil jogou três partidas, na Copa América: venceu as três. Na primeira, contra a Venezuela, perambulou pelo campo. Foi noite de recreação; na segunda, contra o México, venceu mas desafinou e desafinou feio; na terceira, contra o Chile, mesmo colhendo um golzinho minguado, nos deu uma exibição como há muito não se via, na seleção. Esplêndida! Houve lances, no segundo tempo, em que cheguei a perder a bola de vista, tão vertiginosas eram as tramas de Zé Roberto, Flávio Conceição, Alex e os dois Ronaldos, o da Ferrari e o da Fiat Marea.
  Luxemburgo, que nunca foi um técnico convencional, não poderia fazer outra coisa, senão escalar, de novo, Zé Roberto e Flávio Conceição, o primeiro, pelo fôlego e pelo esplendor técnico e o outro, pela sobriedade e pelo rigor com que arma e desarma.
  Rivaldo, que trate de afiar as chuteiras. Até agora, não deu pra reconhecê-lo. Eu, se fosse ele, faria o impossível, hoje, pra acertar o passo com a bola, pois o Ronaldinho Gaúcho está ali, mesmo, os pés acesos. Aliás, já reparaste, leitor, no olhar do garoto? Ele tem olhos de lince. E, quando entra em campo, é como certos nevoeiros que, chegam, escondem a bola e acabam com o jogo.
 E digo mais: se o adversário de hoje não é a Argentina, de respeitável memória, ou Rivaldo ou Amoroso, um dos dois talvez fosse até barrado pra entrar Ronaldinho Gaúcho; ou, então, pra não sair Alex, que, sem ostentações, tem jogado com rara aplicação e finesse. Alex é um pintor dissimulado: de repente, ele surpreende, com uma pincelada de luz.
  Lá atrás, nem sei, com segurança, quem deveria sair: se Antônio Carlos, que é temerário, oscilando entre dois riscos: categoria em excesso e o pau-puro sem propósito; se Odvan, que, em certas rebatidas, anda tratando a bola como se ela fosse uma coisa qualquer. Assim, tinha que haver, mesmo, nessa equipe, um lugar pro zagueiro João Carlos, que, pelo menos, contra o Chile, deixou em todos nós uma grata impressão de solidez.
  O técnico Bielsa, da Argentina, comparou a Seleção Brasileira de Luxemburgo à legendária equipe de Telê, no Mundial de 82, na Espanha. Terá feito uma ironia, comparando as duas equipes? Ou quis louvar o esmero técnico de ambas?
  Realmente, as duas equipes se parecem, mas nem tanto. Primeiro: a equipe de 82 não tinha, nem de longe, o poder de combate da atual. Segundo: onde se lia Serginho Chulapa, leia-se Ronaldinho, que está voltando a ser o sonho dos brasileiros e o pesadelo do resto do mundo.
Se não é amor...
  O leitor já percebeu o meu fraco por música. Sobretudo, pela MPB. Volta e meia, gosto de misturar canções com esporte, samba com futebol. Quase sempre, troco autorias, tropeço na transcrição de letras. No dia seguinte, há sempre alguém que me vem puxar a orelha, publicamente. Faço as devidas correções e sigo em frente, sabendo que não tenho o ouvido absoluto dos privilegiados, mas por outro lado, com a serena certeza de que não sou um oligofrênico musical.
  Há dias, comecei a viver um pequeno drama: minha memória tem sido assaltada por um verso que diz assim: Se não é amor, por que que eu tinha de escrever esta canção? A letra me vem, à cabeça, invariavelmente, embalada numa frase musical muito familiar aos meus ouvidos. E assim, passo horas e horas, cantarolando, cantarolando, na esperança de reencontrar o fio da meada da canção. Em vão. É uma doce tortura que já está virando obsessão.
  Como não estou delirando, resolvi sair em campo, tentando descobrir que diabo de canção é essa que já me tirou algumas horas de sono. Telefonei pra meio mundo, falei com gente ilustre da MPB, os poetas Abel Silva, Paulo Sérgio Valle e Hermínio Bello de Carvalho; consultei Sargentelli, espécie de enciclopédia. Nada. Todos reconhecem a música, alguns chegam até mesmo a entoar comigo a primeira frase musical, mas até agora, ninguém foi capaz de identificar nem autor, nem intérprete. O Hermínio chegou a arriscar uma vaga hipótese: a canção talvez fosse do repertório de Isaurinha Garcia. Admirável Isaurinha! Mas, ele não garante.
  Pois, então, entrego minha santa dúvida aos leitores. Quem sabe venha daí a revelação? Alguém haverá de libertar de um pequeno suplício uma velha e cansada memória. Pena que eu não tenha como reproduzir, na coluna, a escrita instrumental da composição.
  Enfim, quem puder me ajudar, saiba que serei todo ouvidos...
Rápidas e rasteiras
O chefe da delegação brasileira à Copa América se chama Onaireves. O-nai-re-ves, lido de trás pra frente, é Severiano. Nos dicionários antroponímicos, Severiano deriva da palavra latina severo. Quem inverteu o nome como que adivinhou que o menino haveria de ser, na carteira de identidade, como na vida, justamente o contrário de severo e seus sinônimos: sério, grave, probo, honesto. Tenebrosa coincidência.
A seleção brasileira de basquete, liderada por Hélio Rubens, tem recebido aulas de mentalização, dadas pelo psicólogo Roberto Shiniashik, autor de best sellers como Sem Medo de Perder e Revolução dos Campeões. O psicólogo quer apurar a força mental dos jogadores, levando a equipe a andar, descalça, em cima de um braseiro incandescente.
Ano que vem, a Federação Internacional de Tênis começa a testar, na categoria juvenil, duas modificações interessantes: em quadra rápida, a bola será oito por cento maior, pra andar mais devagar; em quadra lenta, a bola será um pouco mais dura, pra andar mais depressa.
Está no Rio, deslumbrante, Gabriela Sabatini. Veio passar três dias, descansado, antes de seguir pra Alemanha. Negócios. Ela hoje, é empresária. Tem uma linha de perfumes que faz sucesso no mundo inteiro. Divina Gabi, que os olhos do tênis (e da vida) não esquecerão jamais.

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