DE FRAQUE E CARTOLA
O que muito me agrada nas equipes treinadas por Wanderley Luxemburgo é que ele não complica o jogo: tendo craque à mão, ele escala. Vai escalando quantos possa. Do meio pra frente, então. E há outra qualidade nele que marca ponto, pelo menos, comigo: Wanderley tem bom senso pra escalar certos jogadores em função do adversário a enfrentar. É o caso de Alex, que está entrando, hoje. A Venezuela, com todo respeito, é fraquinha, . Por que escalar uma meia-cancha mais encorpada, com Emerson, Vampeta e Zé Roberto, se o adversário não é de fazer caretas pra ninguém? Vamos, pois de Alex, que é moço de belos passes, de belos dribles e que só aumenta o poder de fogo da seleção.
Mais adiante, quem sabe, será a vez de Zé Roberto. Aliás, diga-se a bem da verdade: Zé Roberto não chega a ser craque, mas está longe de ser um daqueles cabeças-de-área que nos levavam à loucura noutras seleções.
Conheço muita gente que diz ter abuso de Luxemburgo porque ele dirige a equipe, de paletó e gravata; parece um ‘‘mauricinho da Bolsa’’. A mim, pouco me importa. Eu quero é ver craque em campo e, de tal prazer, Luxemburgo não costuma nos privar. Por mim, se ele aparecer no campo de fraque e cartola, eu vou tirar o chapéu pra ele.
O CAVALO DO REI
Futebol é jogo de equipe, ponto. Mas, ainda assim, alguém pode, sozinho, por a perder o trabalho coletivo. Um bom exemplo foi a partida do Botafogo com o Juventude, pela Copa do Brasil. O Maracanã superlotado de botafoguenses viu, certamente, estarrecido, o técnico Gilson Nunes cometer erros clamorosos que levariam o time do Botafogo à perda do título pra um adversário apenas cauteloso e nada mais.
Cem mil pessoas no estádio, clamando por escalações óbvias como Rodrigo e Leandro e o técnico Gilson Nunes, indiferente a tudo e a todos, atirava no lixo 45 minutos de uma partida crucial pro Botafogo.
O técnico Gilson Nunes gosta de dizer que o futebol é parecido com o jogo de xadrez. Admito a analogia, mas, que diabo de enxadrista é ele que, no primeiro lance, já sai movendo o peão da torre do rei?
MORANGOS COM CHAMPANHE
Guga, sim senhor: quarto-finalista de Wimbledon. Mesmo sem jogar no estilo saque-voleio, marcante da grama, ele jogou uma partida vibrante, contra o algoz de Richard Krajicek, o suíço Lorenzo Manta. O jogo foi um duelo de ‘‘aces’’, fundamento em que Guga está chegando ao nível dos grandes sacadores, como Sampras, Krajicek, Ivanisevic e o próprio Manta.
Agora, Guga cruza com André Agassi, num jogo digno de quadra central de Wimbledon, com direito a morangos e champanhe. É certo que veremos tênis de saibro em quadra rápida. O jogo vai se decidir em dois fundamentos: saque e devolução, ao melhor estilo de trocas de bola, do fundo da quadra.
AS DUAS FACES DE RIVALDO
Por que será que Rivaldo é um, no Barcelona, e outro, na seleção nacional? Síndrome da camisa amarela? Incompatibilidade tática com o treinador? Fiz a pergunta a Wanderley Luxemburgo e dele ouvi uma resposta curta e grossa: ‘‘Liberdade!’ Acha o técnico que não se deve sobrecarregar de funções táticas um jogador rico de intuições como Rivaldo.
Rivaldo acaba de ser eleito um dos 11 melhores jogadores da Europa, na estação 98-99. Ele figura na seleção do continente, feita por jurados de 10 revistas esportivas da Europa.
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