Agora, é pra valer
A seleção volta à ordem do dia. Dessa vez, é pra valer! Tem título em jogo. A Copa América representa, por aqui, o mesmo que representa a Taça das Nações pras grandes seleções européias.
Wanderley Luxemburgo está a mil e contente com o novo tempo por ele sonhado pra seleção. Encontro-o, em Foz do Iguaçu; QG da seleção. Em 15 minutos de papo, sinto que o homem está mesmo a fim de restituir à seleção a alegria de jogar. A alegria que a equipe nacional sempre teve e que, há anos, perdeu-se na noite dos tempos. Deus queira! ‘‘É a mesma cultura’’ - diz ele, convicto.
Wanderley Luxemburgo quer provar, com a seleção, o que já provou com o Palmeiras, antes, e com o Corinthians, recentemente: que é possível jogar futebol, aliando as tintas do talento às forças do coração. Nada de cabeças-de-área que mal soletram o jogo. Nada de futebol de resultados. Nada de esquemas rígidos, cadavéricos. ‘‘Quero liberdade com responsabilidade’’ - sentencia Luxemburgo
A equipe, segundo palavras dele, terá que organizar as ações ofensivas, povoando a meia-cancha só de craques, sejam os volantes, sejam os meias. Na lista de médios, estão Vampeta, Marcos Paulo, Emerson, Zé Roberto, todos eles bem dotados pra dialogar com os meias e com os atacantes. Principalmente, Vampeta, a meu juízo, o mais eficiente e o mais brilhante de todos.
-‘‘Dou a maior força para quem sabe driblar. Pode driblar. Se puder, pode enfiar a bola entre as canetas do adversário. Mas que seja no embalo da jogada’’.
Fica bem claro, na conversa com Luxemburgo, que ele vai rever a função dos laterais. Não quer zagueiro jogando, sistematicamente, como atacante. O papel principal do lateral, daqui pra frente, é dar consistência ao bloco defensivo. Com liberdade pra avançar, sim, mas só de vez em quando.
Igualmente, não passa pela cabeça de Luxemburgo a idéia de armar a defesa com três beques. Ele prefere escalar quatro beques, mesmo, aí incluídos os laterais.
Não deixe de ser uma evolução na forma de jogar da equipe. Mais que evolução, uma pequena revolução.
Final no Maracanã
O Botafogo decide, hoje, com o Juventude, a Copa do Brasil. O título, em si, não quer dizer grande coisa. Não tem a dimensão do Campeonato Brasileiro, nem tem a mística de um campeonato regional. Quem conquista o troféu, porém, tem favas pra contar. Além, naturalmente, de faturar uma vaga na Libertadores do ano 2000.
Pra chegar à decisão, Botafogo e Juventude deixaram pra trás um cortejo de grandes equipes. A fila é de respeito: o Botafogo despachou o Paysandu, o Criciúma, o São Paulo, o Atlético do Paraná e o Palmeiras; o Juventude despachou o Guará, o Fluminense, o Corinthians, o Bahia e o Inter.
Uma coisa parece inegável: os dois finalistas se equivalem na parcimônia do futebol que são capazes de jogar. O Botafogo, que tenho visto com mais frequência, não tem conseguido empolgar muito, a não ser, certamente, o torcedor fanático. Se chegou à final foi por ter consciência de suas limitações. O que não deixa de ser uma virtude, sem dúvida, mas uma virtude que só realça as fraquezas da equipe. Se não apelar pro coração, dificilmente, o time do Botafogo levanta esse título. Um exemplo edificante acaba de nos dar o Flamengo. Sua equipe discreta, tecnicamente, transformou em epopéia a conquista do Campeonato Carioca.
Pelo que vi jogar o Juventude, na primeira, em Caxias do Sul, nada mais parecido com ele que o próprio Botafogo. Daí, prefiro não especular muito sobre o desfecho da Copa do Brasil. Então, direi, com a cautela dos óbvios: que vença o melhor. Pra contentamento do próprio futebol.
Cascatas do Iguaçu
Leonardo é uma boa pessoa. Pelo visto, é também um romântico. Acredita em faz-de-conta. Sonhava com a braçadeira de capitão que, como todos sabem, no futebol de nossos dias, é uma ficção. Hoje, o capitão é o técnico. Leonardo não pretendia o lugar de Wanderley Luxemburgo. No discurso desarticulado de despedida, o jogador talvez quisesse dizer que queria ser o líder da seleção. Como se a divisa no braço simbolizasse as essências do coração.
Uma coisa é ser capitão, que não é nada, outra coisa é ser líder, que é muita coisa. Leonardo revelou-se um líder naquele jogo do Mundial-98 em que peitou Dunga, pra defender Bebeto de uma bronca teatral do capitão. Onde estava dona Suzy que não acudiu Leonardo, a tempo de salvá-lo de um gol contra?
Rápidas e rasteiras
- Fernando Meligeni retoma a árdua rotina do tênis, treinando pro torneio de Gstaad, Suíça, entre 5 e 11 de julho. Antes da viagem, vou entrevistá-lo no Esporte Real. O guerreiro refugiou-se no paraíso de Angra dos Reis, onde passeou de catamarã com os pais, com o treinador Ricardo Aciolly, hóspedes, todos, de meus amigos Antônio Borges e Angelina.
- Wimbledon que está sendo disputado esses dias, é longe, no Grand Slam, a temporada em que mais chove. Em 121 anos de história, a chuva atrapalhou nada menos de 117 torneios.
- Uma difícil de engolir: a Copa América, este ano, abriu uma vaga pro Japão. Oldemário Touguinhó pergunta, com uma ponta de malícia, o que é que tem a ver o Japão com a Copa América. O Japão é um bom mercado pra se vender, a preço de ouro, vagas nas placas das transmissões de tevê. Na geopolítica das mutretas, o Japão, agora, fica no cone sul do continente. Picaretas! O diabo que os carregue!
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