Parada
indigesta
Leio nos jornais que Zagallo foi ouvido pelo Conselho Regional de Medicina do Rio. Corre lá processo ético sobre a conduta dos médicos Lídio Toledo e Joaquim da Matta, na descosida história da escalação de Ronaldinho, na final da Copa-98. O CREMERJ quer saber se os dois médicos da seleção negligenciaram, autorizando o craque a jogar, depois de ter sofrido um acesso de convulsões, ainda na concentração. Zagallo foi incisivo: o comportamento dos dois médicos só mereceu elogios da comissão técnica.
Com todo respeito que tenho pelo CREMERJ, sinceramente não vejo como crucificar nem Lídio, nem da Matta. Ronaldinho tinha sido levado por eles a um hospital, onde médicos franceses não só o examinaram, detidamente, como lhe deram alta, sem restrições. No estádio, Ronaldinho, falando grosso, pediria pra jogar, assegurando que não estava sentindo mais nada.
Ora, gente, se não houve dolo; se ninguém morreu; se não houve erro médico, por que, então, descarregar em dois honrados profissionais a amargura de uma derrota mal digerida? Todos viram que Ronaldinho ainda foi um dos poucos que se salvaram naquela final. A bem da verdade, Ronaldinho já não vinha nada bem, tecnicamente. Se Zagallo não o vetou; se Ronaldinho saíra do hospital sem qualquer recomendação de cuidados clínicos, como poderiam os médicos impedi-lo de entrar em campo? Tratando-se de quem se tratava, consideradas as circunstâncias da partida, qual o médico que teria peito de barrar Ronaldinho?
Aquela parada, nem Hipócrates!
Cabeçada não dá pé...
Nunca se jogou tanta bola pelo alto como nos dias de hoje. Reflexo do futebol suadíssimo que empilha times inteiros na grande área. Zagueiros e atacantes, uns e outros, têm que se virar, cabeceando sistematicamente nas duas áreas, seja buscando, seja salvando gols. Vai daí que um grupo médico da Inglaterra decidiu aprofundar estudos sobre o dano que o excesso de cabeçadas pode causar ao cérebro humano.
A primeira observação médica diz que o impacto da bola pode provocar ‘‘sutis alterações na capacidade de raciocinar’’ do jogador. Por isso, já escolheram um grupo de 15 jogadores que serão detidamente observados ao longo da carreira. Os médicos ingleses já deram uma palinha da investigação em matéria publicada pelo jornal londrino ‘‘The Times’’.
Na verdade, há cabeçadas que valem por um bom ‘‘direto’’ no boxe. E é sem luva...
Um apito final
A tantos amigos que me perguntam aqui, ali e acolá, se deixei o Apito Final, da Bandeirantes, a resposta é a seguinte: meu contrato, que iria até agosto de 2000, acaba de ser rescindido. Fiz um acordo de cavalheiros com o grupo Traffic, que recentemente assumiu o Esporte da Bandeirantes. Desliguei-me, por vontade própria, do departamento esportivo, mas não da casa. Com a Bandeirantes, tenho vínculos afetivos, de gratidão, muito mais fortes que qualquer contrato.
Rápidas e rasteiras
- Pernambuco esportivo está mais bem servido de mídia. Luciano do Valle, agora dublê de apresentador e empresário, hoje morando em Porto de Galinhas, ganhou um canal de televisão em Recife e já está mandando ver. O projeto de Luciano é integrar o futebol do Nordeste, num grande campeonato regional.
- Radamés Lattari vai, aos poucos, renovando a seleção nacional de vôlei. Gustavo, Renato e o já consagrado Giba são capazes de empolgar qualquer platéia. Jogam um vôlei esplêndido.
- Por falar em vôlei, um registro de contentamento pela volta de Ana Moser ao ‘‘top’’ da liga feminina, assinando com o BCN. É o nome certo no lugar certo.
- O basquete feminino brasileiro deu-se muito bem, no Pré-Olímpico de Cuba. Trouxe a vaga sonhada de Sidney-2000. Saiu vice-campeã, em final que poderia ter ganho de Cuba. Bastava que não errasse tanto lance livre. Nesse item, a equipe ficou abaixo de 50 por cento. Absolutamente, sofrível. Além do que, a meu ver, a arbitragem canadense deu uma forcinha pras cubanas.
- A festa de lançamento do livro de Rivelino, no Valle Sport Bar, em São Paulo, foi um sucesso e tanto. Tal como é do merecimento de um grande herói do mundial de 70, sobre quem se pode dizer, em rima rica: Rivelino, supercraque desde menino! O título do livro, de autoria do repórter Osvaldo Pascoal, é ‘‘Sai da rua, Roberto!’’ Um achado que, por si só, já leva qualquer um a querer conhecer a ilustre história do menino.
- Vivemos a falar de Guga, que é realmente um tenista de alto nível. Mas, pensando bem, não estaremos todos nós devendo um registro de exaltação ao também brasileiro Fernando Meligeni? O tênis do rapaz deu um respeitável salto de qualidade, nos dois últimos anos. Meligeni tem jogado partidas realmente empolgantes. As mais recentes, contra Tim Henman, Pete Sampras e Pioline foram dignas de se tirar o chapéu. Ao fundo, Ricardo Acioly.
- Carlos Alberto Torres ficou uma arara quando lhe contei que o jornalista inglês Martin Chilton atribuiu a ele, ‘‘capita’’, um comentário restritivo ao futebol de Pelé. Que Pelé não chegava aos pés de Maradona. Carlos Alberto está querendo pegar um avião pra ir a Londres dar uns cascudos no fofoqueiro.
- Jaqueline jura que encontrou, em Ana Paula, a parceira ideal no vôlei de praia. As duplas femininas são de uma inconstância impressionante. A ciranda é mais ou menos assim: era uma vez, Jaqueline que jogava com Sandra, que jogava com Mônica, que jogava com Shelda, que jogava com Adriana, que jogava com Jaqueline, que joga com Ana Paula. Parece a quadrilha amorosa do poema de Drummond: João que amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém...

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