Geração passaporteDadá, Dedé, Didi, Dudu, Zizinho, Zico, Tuca, Vavá, Vevé, Vivi, Canhoteiro, Boiadeiro, Tostão, Beijoca, Jair Bala, Careca. Não é que sumiram os apelidos do futebol brasileiro? O leitor Fernando Rodrigues pergunta, intrigado, se eu teria uma interpretação pro fenômeno. De repente, tenho uma idéia.
Agora, só se vê, em campo, jogador com nome empolado. A safra é mais que abundante: Danrley, Athirson, Sidicley, Jackson, Warley, Kleberson, Clemer, Wesley, Welerson. A garotada já nasce com nome de passaporte. Prontinho pra ir jogar na Europa. Filhos, todos, da globalização. E, como agora, a moda é trocar a pelada de aterro pela escolinha de futebol, acabou-se também a cultura do apelido. Será que alguém chamado Beijoca teria chance de jogar no Milan ou no Manchester United? Um empresário metido a sebo deve achar que não. Os pais do menino, então, tratam logo de crismá-lo Donald ou Emerson.
Por isso, gostei do Edelvésio. O nome dele pode não ser bonito, mas, pelo menos a mim, me sôa bem brasileiro. Quem nos fala de Edelvésio é o Veríssimo, em deliciosa crônica que escreveu pro livro ‘‘Brasil, Bom de Bola’’, crônica que ouso resumir, não sem antes pedir desculpas ao inimitável Luis Fernando Veríssimo.
Edelvésio entra no treino de experiência, de um time do interior. Depois de observá-lo, o treinador, contente, conclui que o rapaz é bom de bola. No fim do treino, pergunta o nome dele. ‘‘Eu me chamo Edelvésio’’. O técnico estranha. Diz, com franqueza, que Edelvésio não é nome de jogador. Propõe-lhe um nome de guerra, compatível com o estrelato esportivo. Silas, por exemplo. Edelvésio resiste: ‘‘Me chamo Edelvésio’’. Sim, pondera o técnico, mas Edelvésio não vai colar. Que tal um apelido: Dedé... Vevé...? Com esse nome - E-del-vé-sio - você nunca vai chegar à seleção! Edelvésio teima: ‘‘Fico com meu nome: sou Edelvésio’’.
A conversa termina, o técnico, irritado, despachando bruscamente o renitente Edelvésio: ‘‘Então, pode ir embora. Está dispensado’’. O moço enfiou as chuteiras na sacola e se mandou, mais Edelvésio que nunca.
Dois meses depois, o time do tal treinador joga, em casa, uma partida de vida ou morte. Um atacante adversário está levando à loucura a defesa do homem. Pelas tantas, já de cabelo em pé, o técnico comenta, escabreado: ‘‘Acho que conheço esse cara; o jeito dele não me é estranho’’. Manda, então, um auxiliar ao banco de reserva do inimigo pra saber se é mesmo quem ele está pensando. O emissário volta com a informação: ‘‘Disseram que o nome dele é Teimoso’’...
De esquecer o banheiro...
Vamos conhecer, hoje, o time brasileiro na Taça Libertadores. Tudo faz crer em uma noite promissora. Afinal, há uma semana, Palmeiras e Corinthians jogaram uma partida radiosa. Até hoje, falo e ouço falar, com entusiasmo, daquele Palmeiras 2 a 0 que poderia, perfeitamente, ter acabado Corinthians, 2 a 0. São duas equipes igualmente poderosas - física, técnica, tática e mentalmente. Curiosamente, no plano tático, Corinthians e Palmeiras reaparecem fortalecidos com a volta de Junior e de Rincón, justamente dois jogadores que exercem funções primordiais nos planos de jogo do Palmeiras e do Corinthians. Rincón, pela grande consistência que dá à meia-cancha corinthiana. Grande tático que é, ele permite que Vampeta assuma ações mais afoitas, junto com Marcelinho, Edilson e o outro atacante, seja ele Dinei, Fernando Baiano ou Mirandinha. Já o lateral Júnior, de estilo impetuoso, opera na ponta-esquerda com notável desenvoltura. É peça valiosa do modelo realista de Scolari.
Dizer que o Palmeiras não está em situação mais confortável é ignorar uma realidade aritmética. Sua equipe entra em campo amparada numa tripla vantagem: a vitória, por qualquer escore, o empate e até mesmo uma derrota por um a zero. Já o Corinthians, pra não sair da Taça, terá que vencer por três gols de diferença ou, então, ganhar de 2 a 0, hipótese que levaria o jogo à decisão por pênaltis.
É de esperar que tenhamos, hoje à noite, um desses jogos que não dão a ninguém a chance de ir ao banheiro. A não ser no intervalo...
Rápidas e rasteiras
- Emerson Fittipaldi dá vida nova ao automobilismo no Rio. A festança em torno da Indy, no próximo sábado, é obra dele que está mobilizando meio mundo pelo sucesso da corrida. Tem razão o Reginaldo Leme: o homem é um iluminado.
- Eurico Miranda diz que não quer mais saber de Luizão no Vasco porque o jogador tem dois pecados imperdoáveis: é de sair pela noite e é, também, de tomar umas-e-outras. O vice do Vasco diz que prefere Edmundo. Como todo mundo sabe, não é nem uma coisa, nem outra... Eurico, o presbítero.
- Quem sabe um pouquinho que seja sobre desgaste emocional no esporte aposta todas as fichas no Flamengo, depois de amanhã, contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil. O Palmeiras terá saído, dois dias antes, de uma árdua batalha contra o Corinthians, pela Libertadores. Ressaca de adrenalina é de matar.
- Empurra-empurra na área do União Barbarense, no jogo com o Santos. Oscar Godoi marca pênalti, com a bola ainda em pleno ar. Fez o árbitro o que a imprensa vive pedindo, pra acabar com a zorra em que se transforma qualquer pequena área, à iminência de um corner. Pergunta da produção do programa: será que Godoi teria sido tão implacável se o empurra-empurra tivesse ocorrido na área do Santos?

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