Poucas
e boas
Haja olhos e ouvidos pra acompanhar, atentamente, a vertigem dos fatos no mundo esportivo: o Vasco da Gama cai do galho e, agora, só lhe resta uma luzinha no fundo do túnel que é o campeonato carioca. Um grande time descendo o plano inclinado do desencanto. Em São Paulo, o Palmeiras tem, agora, meio caminho andado na Libertadores: levou a primeira contra o Corinthians e, quarta-feira que vem, entra em campo com três chances de classificação: ou vitória, seja qual for o placar, ou qualquer empate ou, até mesmo, derrota por um-a-zero. No basquete, uma, de boa fonte: Magic Jonhson vai mesmo levar Magic Paula pra jogar três meses na WNBA. Provavelmente, na Califórnia. Vá, Paulinha. Dará certo. A tua bola tem o dom da palavra. Fala qualquer idioma.
E tem mais: o Troféu Brasil de Natação, na primeira semana de junho, atiçará, ainda mais, a rivalidade Vasco-Flamengo: Gustavo Borges, pelo Vasco, Fernando Scherer, pelo Flamengo, enfrentam-se, no mínimo, em duas provas. Águas ferventes, na piscina do Julio De Lamare.
O Botafogo, todos viram, vai cumprindo sua nova sina de ser inconstante: é pequeno contra pequenos e grande contra grandes. Despachou o São Paulo, da Copa do Brasil, e derrotou o Atlético do Paraná, na primeira do vai-e-vem.
Mais desconcertante que o Botafogo só mesmo a FIFA, que está querendo proibir mensagens humanitárias na camisa do jogador. Pedir pela paz no mundo é proibido. Pregar contra as drogas também é. Já carrinho por trás, isso pode. Desrespeitar a distância da barreira também pode. Encher o uniforme com propagandas mil, tudo bem. Esfalfar os atletas com a superposição de copas também pode.
Ah, como eu gostaria de ver a torcida do Maracanã celebrar um gol, mostrando ao mundo a seguinte mensagem estampada no peito da camisa da multidão: ‘‘A FIFA É UM PORRE!’’
‘A fera da Rua Larga’
O amigo leitor já ouviu falar em AD TIME? Se não ouviu, certamente já terá visto o pequeno milagre que a engenhoca - uma engenhoca eletrônica - é capaz de fazer. O AD TIME troca, de estalo, os anúncios estampados nas placas em redor de um campo de futebol. Na Europa, já é usado nos principais estádios. Aqui, ainda não se espalhou mas vai acabar entrando em todos os campeonatos. Um minuto de exposição custa os olhos da cara.
Outro dia, vendo uma mágica do AD TIME, num jogo do campeonato paulista, lembrei-me de um velho companheiro, o húngaro Janos Lengyel, já morto. Figura adorável. Foi o Janos o introdutor da primeira geração do AD TIME no Brasil. No intervalo do jogo, no Maracanã, aparecia um cortejo de garotos, em fila indiana, levando nos ombros, como varais, extensas faixas de pano com os anúncios pintados em letras garrafais. ‘‘Basta ser um rapaz direito para ter crédito na Exposição’’ - pregava um dos cartazes, lançando, então, no Rio, a moda do crediário numa loja de roupa masculina.
Era a prefiguração do AD TIME. Certamente, mais barato, mais singelo. Confesso que me dava certo prazer ver a volta olímpica do ‘‘Dragão, a fera da Rua Larga’’, no intervalo dos clássicos no Maracanã. Tenho saudades. Não sei se a saudade é dos reclames do Janos ou se é de mim mesmo...
Rápidas e rasteiras
- Do vasto baú de informações de Reginaldo Leme, o cobra da Fórmula-1 (comentarista da Globo): existem 80 pilotos brasileiros correndo pelo mundo afora. Só em 98, essa garotada venceu um total de 104 provas. Um portento.
- O futebol brasileiro é mesmo das arábias: querem tirar o peso do cartão amarelo, passando de três pra cinco a cota pra suspensão de jogador. Como bem diz minha colega Renata Cordeiro, o cartão amarelo vai virar cartão de visitas do árbitro aos jogadores.
- Autoridade é autoridade: o árbitro Paulo Cesar de Oliveira, um graveto, com apenas 25 anos de idade, impõe um respeito que os outros coroas, como Sidrak Marinho, não são capazes de impor. Paulo Cesar de Oliveira apitou Palmeiras 2 x Corinthians 0, um jogo tórrido, e não perdeu o pulso da partida um instante sequer.
- O livro-álbum ‘‘Brasil, Bom de Bola’’ é mais uma jóia da literatura esportiva brasileira. Todos os louvores pras fotos e pros textos. Em cada página da obra, um craque: Veríssimo, Aldir Blanc, Manoel de Barros, Walter Firmo. Enfim, uma seleção.
- ‘‘Deus é ser supremo; Dadá é a dádiva’’. Esta é uma das tantas frases com que Dario enriquece o livro de Lúcio Flávio Machado, contando a vida e a obra do colibri-artilheiro. Chama-se ‘‘Dadá Maravilha’’.
- Antes que os leitores pernambucanos me crucifiquem, de vez, direi, com absoluta humildade, que cometi um vacilo. Foi o seguinte: relacionei 13 goleiros de categoria no atual futebol brasileiro. Omiti um nome: Bosco, do Sport Clube Recife. Foi, realmente, uma injustiça. Involuntária, mas foi. O goleiro Bosco é de uma firmeza, de uma sobriedade invulgares. Quando saiu do campeonato brasileiro de 98 era o goleiro menos vazado.
- Amigos me telefonam, querendo notícias de um ‘‘ultraleve que caiu em São Conrado’’. Cá estou eu, tendo que corrigir mais uma distorção da mídia: o aparelho não caiu, coisa nenhuma. Surpreendido por uma falha no motor, o piloto (meu bom Edmundo) fez um pouso perfeito com seu anfíbio. O mar, um tanto encapelado, de onda em onda, acabou levando o aviãozinho a ser moído pela arrebentação. O piloto e seu colega saíram ilesos.

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