Na Grande Área


Armando Nogueira




COLUNA DO MEIO
Wanderley Luxemburgo está feliz com a seleção. Será que é pelo jogo com o Barcelona? Se for, o nosso treinador que me desculpe: aquela partida foi apenas um festivo passatempo, sem outro propósito a não ser celebrar o aniversário do anfitrião e, quem sabe, ajudar a Nike a vender mais sapatos de tênis.
Por acaso alguém ainda põe em dúvida o valor de cada jogador convocado? Alguém desconhece a índole ofensiva das idéias de Luxemburgo? Claro que nada ali estava sob observação estritamente técnica ou tática. A rigor, ninguém da seleção se considerou em teste. Talvez Roberto Carlos. E até dá pra entender: ele mora longe mas já deve ter ouvido falar em Serginho e em Felipe...
No mais, a partida, como diz o Noronha, só faltou ser interrompida, de surpresa, pro Luis Henrique soprar um bolo de velas, ao som de um, pra variar, desafinado ‘‘Parabéns pra voc꒒.
Em tempo: ia esquecendo de dizer que o amistoso de Barcelona registrou duas intervenções velhacas da arbitragem: o pênalti em Ronaldinho, ignorado, e o gol de Anderson, límpido, que o juiz anulou, politicamente. Dois lances distorcidos, com a clara intenção de levar a partida a um empate . E acabou levando, mesmo, ao melhor estilo de Romualdo Arpi Filho, também conhecido por aqui como o juiz ‘‘Coluna do Meio’’, mestre na esperteza de construir escores pré-fabricados. Aliás, por onde andará o Romualdo? Pra ele, o grande resultado de um jogo era o empate. Chegava a defender a cínica tese em palestras que fazia pra colegas mais moços. Romualdo aperfeiçoou o princípio geral de Direito segundo o qual ‘‘in dúbio, pro réu’’. Com ele, a coisa funcionava melhor, assim: ‘‘in dúbio, pros dois...’
TABELINHA COM ROMÁRIO
Flashes da entrevista que Romário me deu, no Café do Gol, e que saiu no Esporte Real, da última segunda-feira: 1) Os maiores craques que viu jogar são quatro: Garrincha, Pelé, Maradona e Tostão; 2) O melhor treinador com quem trabalhou: Johan Cruyff, no Barcelona; 3) O melhor companheiro, dentro de campo: Dunga; 4) O livro que mais gostou de ler: ‘‘Quem matou Getúlio Vargas’’, de Jô Soares; 5) O gol que ainda não fez e que gostaria de fazer: gol de letra, mas tem que ser de fora da área, que é mais difícil, requer mais potência e mais precisão; 6) A melhor equipe que já viu jogar: a seleção brasileira campeã de 70; 7) Em campo, só pensa numa coisa: fazer gol. É assim desde criança e assim será até o fim da carreira; 8) Já vestiu a camisa 10, mas prefere a 11, que simboliza a fecundidade (haja gols); 9) Quando entra em campo, já sabe qual é o ponto fraco do goleiro adversário; 10) Sempre detestou fazer treino físico mas, hoje, descobriu o jeito ideal de apurar a forma: pedalar em bicicleta ergométrica; 11) Tal como Pelé, gosta de fingir de morto, na área, pra surpreender o adversário com um bote certeiro.
No final da entrevista, pedi que me dissesse quem é o melhor jogador do mundo, na atualidade. Romário transferiu-me a pergunta: ‘‘Pra você, quem é?’ Apontei pra ele: ‘‘Voc꒒. E Romário, com um sorriso maroto: ‘‘Concordo com você...’
RÁPIDAS E RASTEIRAS
Depois de tamanhas e sucessivas bisonhices, o time do Botafogo surpreende e dá um incrível chega-pra-lá no São Paulo que vem sendo o mais brilhante, o mais consistente dos times paulistas do momento. - Louvores mil ao novo Romário que, de cabeça (re)feita, tem celebrado seus gols, mostrando, na camiseta de baixo, uma mensagem pro bem da humanidade. A primeira, contra a guerra; a segunda, contra a brutalidade nos colégios e a terceira, contra a droga. Se não fosse pedir muito, seria melhor que os acenos de Romário fossem todos escritos em português. Estou sabendo que o objetivo do craque é dar amplitude mundial a seu recado, mas, ainda assim, acho que o alcance primeiro deve ser a juventude brasileira. - Michael Jordan parou de jogar no pico da carreira. Que o diga o faturamento dele, na temporada de 98, agora revelado pela revista ‘‘Sports Illustrated’’: 69 milhões de dólares. Mais de cinco milhões por mês! - Na mesma revista, uma pesquisa interessante: 17 por cento dos americanos usam os jogos da NBA como desculpa pra não comparecer aos chamados jogos do leito... - Nalbert, capitão da seleção nacional de vôlei, num papo de estúdio, comigo: ‘‘As duas maiores figuras da nova geração do vôlei brasileiro são o Giba, atacante de ponta e Gustavo, meio de rede. - Pra quem ainda acha que o tênis de Guga não é lá essas coisas, aqui vão alguns dados que consagram o talento do garotão catarinense: ele já acertou, só este ano, 219 aces de 1º serviço. O que faz dele o sexto no ranking do golpe; com 80% de aproveitamento em 1º serviço, Guga classifica-se em 3º lugar, abaixo, só mesmo, de dois gigantes do saque: o holandês Richard Krajicek e o australiano Philippoussis; em 26 jogos, Guga quebrou 54 vezes o serviço dos adversários, firmando-se, assim, como o segundo maior quebrador de saques depois do supradito Krajicek. - Paula declinou da seleção mas, ao que sei, é só em 99. Ano que vem, a diva do basquete pode voltar, nos Jogos Olímpicos, em Sidney. - Então, professor Armando Marques, vamos ou não vamos dar um jeito no vergonhoso empurra-empurra dentro da área, na cobrança de córner? Está pegando muito mal pros árbitros.

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