Trocando figurinhas
Edilson-Dinei-Dinei-Edilson: gol do Corinthians. Alex-Paulo Nunes-Paulo Nunes-Alex: gol do Palmeiras. Há quanto tempo não se via uma tabelinha na entrada da grande área? Que eu saiba, desde o advento da retranca. Mais precisamente, desde que surgiu, o chamado cabeça-de-área. Maldita hora da qual ainda não nos livramos de todo.
Quem gosta de futebol saudou, embandeirado, a tabelinha, que é, sem sombra de dúvida, a mais empolgante jogada do futebol, depois de um bom drible. Promessas de gol. Tostão, hoje, brilhante comentarista, relembrou suas tabelinhas com Pelé. Louváveis evocações.
Pelé e Coutinho eram de emocionar qualquer um. Os dois começavam a ‘‘palestrar’’ ainda na intermediária do rival. Um vinha pensando pelo outro; a bola pelos dois. Às vezes sobrava tempo até pro Zito vir de trás e meter sua colher naquela panelinha.
O goleiro Barbosa me contou, certa vez, que tremia todo quando os dois vinham tramando astúcias, em alta velocidade. ‘‘Meu Deus, quem será que vai chutar?’ - suspirava o goleiro do Vasco.
A verdade histórica, porém, recomenda que façamos justiça a um certo Pagão. Foi ele quem primeiro trocou figurinhas com Pelé. Antes, muito antes dos gregos, Pelé e Pagão já dialogavam em maravilhosas acelerações.
Desconfio que venha, de então, o entusiasmo com que Chico Buarque de Holanda até hoje fala de Pagão, pra ele, o maior atacante, depois de Pelé.
Pagão, a quem vi jogar poucas vezes, me impressionava pela finesse de estilo. Não só a mim. Houve gente que foi até longe demais no julgamento do futebol de Pagão. O mais ilustre terá sido o técnico Vicente Feola, do São Paulo e da seleção.
Logo depois do mundial de 58, chega ao Brasil Gabriel Hanot, então, o mais respeitado jornalista esportivo da Europa. Hanot do ‘‘France Football’’, apaixonou-se pelo futebol brasileiro, e veio conhecer, de perto, o fenômeno Pelé, que o deixara embasbacado, na Suécia. Feola recebeu-o em São Paulo e, quando o cronista francês disse que queria assistir a um jogo do Santos, Feola não só o levou ao estádio do Pacaembu como alertou o ilustre visitante: ‘‘O senhor veio ver Pelé, mas vou lhe dizer uma coisa: o senhor vai ver mesmo é um atacante chamado Pagão ele é o verdadeiro Pelé.’
Um breve cochilo do bondoso Vicente Feola. Que Deus o tenha.
Guga de maré cheia
Guga, reencontra o pódio do tênis mundial. Não tem conversa: o saibro é mesmo o chão preferido dele. Em Mônaco, Guga repetiu Barcelona, onde já tinha derrotado, pela Davis, dois dos três melhores tenistas de saibro da Espanha (e do circuito internacional): Moya e Corretja. Faltava um, não menos soberano que os outros dois, que é Felix Mantilha, 15º do ranking da ATP. Mantilha é uma pedreira.
Está certo: a final, contra Rios, não conta. O chileno jogou a toalha, no segundo ‘‘set’’, por causa de uma distensão muscular na coxa esquerda. Em compensação, valeu a semifinal. Ali, Guga começou a justificar o título de campeão que alcançaria, dia seguinte, domingo.
Mantilha é reconhecido como o mais determinado entre os grandes jogadores da dinastia do saibro. Tanto que era o favorito dos catedráticos, em Mônaco. Chegou a assustar Guga, no primeiro ‘‘set’’. Pois Guga, que anda cada dia mais consistente, saiu do sufoco e foi ganhar os dois sets seguintes. Guga, uma vez mais, devastador! Um dado a considerar na recuperação de Guga é a forma física. Está bem melhor de pernas e de pulmões.
A vitória de Mônaco deixa Guga em situação bem confortável pra defender mais adiante, os pontos do ano passado, quando chegou à semifinal de Roma. Sem falar o que Super-9 de Mônaco, pelo peso do torneio, só vai lhe dar mais confiança pra disputar Roland Garros, na virada de maio-junho. Lá em Paris, esperamos revê-lo, em tardes de lua cheia.
Go Guga! - como dizem, carinhosamente, os americanos.
A trupe da Nike
A Seleção Brasileira joga hoje, na festa do centenário do Barcelona. Alegria, alegria, tudo bem. Só não me falem em preparação da equipe pra alguma coisa. Por favor! Todos sabemos que, cinco vezes por ano, a seleção sai pelo mundo, fazendo o papel de garota-propaganda. Hoje é dia da Nike. Não deixa de ser um constrangimento, mas não há o que fazer. São os ossos da mercantilização do futebol.
Rápidas e rasteiras
- Os escoceses estão ouriçados: esta semana, saiu no jornal britânico ‘‘The Mirror’’, que foram eles e não os ingleses, os verdadeiros inventores do futebol. Descobriu-se que, no século XVI, a rainha Mary, da Escócia, já dava o ‘‘pontap钒 inicial das partidas de futebol, atirando, da sacada do palácio real, a bola do jogo, feita, por sinal, com bexiga de porco.
- Alguém viu o sem-pulo de Narciso, no jogo Santos, 4 x Corinthians, 2? Foi a coisa mais bonita do futebol, no fim-de-semana. O sem-pulo corresponde ao voleio do tênis. Não o voleio convencional, golpe curto, seco, enxuto, mas, o chamado suingue-voleio. Um portento.
- Rodrigo Pessoa, tal como Guga, tornou mais feliz o nosso domingo. Ao olhar estudioso do Alan Smith, comentarista inglês de Hipismo, Rodrigo é um prodígio: ‘‘Aos 26 anos, Rodrigo mostra a frieza e a maturidade de um verdadeiro campeão.’
- Guga vence o Super-9 e relembra Ayrton Senna, seis vezes herói da Fórmula 1, em Mônaco. Rodrigo vence em Gotemburgo e nos leva, de volta, a 1958, quando o Brasil venceu o mundial de futebol, hospedado em Gotemburgo. Lembro-me bem: a cidade de Gotemburgo torceu pelo Brasil na final com a própria Suécia, em Estocolmo.

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