Na Grande Área (Armando Nogueira)
São Paulo e Santos estão pertinho da final do Rio-São Paulo. Os dois jogam, hoje, com a primazia do empate, contra Vasco e Botafogo, respectivamente. Jogo por jogo, o do Morumbi me atrai muito mais. Em comparação com os outros dois, São Paulo e Vasco da Gama estão bem acima, em matéria de qualidade. É pena que um dos dois tenha de ser eliminado em plena semifinal. A decisão do torneio ficará mais pobre a partir de logo mais à noite.
O jogo do Maracanã, Botafogo x Santos, não me cheira tão bem. A começar por um dado negativo: o anti-futebol, no qual, por sinal, a equipe de Leão tem se destacado, tristemente. Jovem, imoderado, o time santista já é, longe, o recordista de faltas do torneio. Não tem conversa: perdeu a bola, tome falta! Ninguém ali perde viagem. Se é ordem do treinador, não sei. Sei, sim, que o sisudo Leão já devia ter chamado às falas a sua garotada. Os meninos estão pegando pesado. No mínimo, o técnico peca por omissão. Não é possível que uma equipe cometa tantas faltas, numa só partida, sem que mereça, sequer, uma advertência, seja do próprio treinador, seja do árbitro do jogo.
Fica-se, então, numa situação difícil. Não dá pra saber direito se o time do Santos chegou às semifinais por ser bom de bola ou se foi por ser bom de faltas. Curioso é que, com a posse de bola, o Santos dá muito trabalho às defesas. O diabo é que na hora de se defender, a equipe não tem um pingo de espírito esportivo. Confesso que me dá brotoejas quando vejo uma equipe só preocupada em truncar o jogo, faltosamente.
Só pra dar uma idéia, o time do Santos faz, em média, 34 faltas por jogo; os outros fazem 28. Sem o Santos, a média de faltas por jogo fica abaixo de 50. Com o Santos, a média salta pra mais de 60, no torneio.
Do Botafogo, só dá pra dizer que é uma equipe de padrão medíocre, em que prezem a solidez de Wagner e o dinamismo de Sérgio Manoel. O time é capaz de passar uma partida inteira sem nos dar um único instante de brilho. Ou por outra, no horizonte alvinegro, o mais que pode ocorrer é uma vaga centelha de talento nos passos de Bebeto, estrela solitária, numa equipe de obreiros, não mais que obreiros.
De repente...
Vânia: epo é fria
Vânia é minha vizinha de esteira, na academia Rio Sports Center. A moça é fera. Queima cerca de mil calorias, por dia. Quanto mais peso perde, mais pernas tem pra correr. Agora, que já ronda os 40 anos, ela quer dar uma meia trava no tempo, que passa, impiedoso. E me pede uma luz sobre o EPO, a Erythropietine, vulgarmente conhecida como hormônio do crescimento e já eleita como o milagre da eterna juventude. Por sinal, usada por atletas e condenada como doping da pesada.
Prometi levantar informações sobre a tal droga. Fui à luta e encontrei um testemunho que é um verdadeiro libelo. É do neuro-biologista francês Yann Rougier, médico do time de futebol Mônaco: O EPO é bem mais que uma roleta russa. Você toma, logo-logo, vai se sentir muito bem, fisicamente. A droga aumenta o número de glóbulos vermelhos, elimina a fadiga do corpo, acaba com as cãimbras e com a perda de concentração. De repente, porém, forma-se um coágulo numa artéria e a pessoa sofre um fulminante ataque cardíaco ou, então, entra em coma fatal.
Vânia, o EPO é fria total.
Silêncio saudoso
A brutalidade do trânsito carioca atropelou e matou, há dias, uma das pessoas mais adoráveis que conheci na vida: Suelly. Suelly Machado Lima de Souza. Começou a batalhar, mocinha ainda, no Esporte da Globo, onde fomos colegas de equipe. Tocava com eficiência e ternura, a logística eletrônica de todos os grandes eventos esportivos da rede. Profissional exemplar. Figura impecável. Bonita, por dentro e fora.
Um silêncio de lágrimas saudosas, por ti, serena Suelly.
Rápidas e rasteiras
- Cai mais um larápio no COI: é o representante do Chile Sérgio Santander. Recebeu dinheiro e favores pra indicar Salt Lake City como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno. Até agora, já dançaram seis conselheiros, todos por corrupção. Samaranch, presidente do COI, finge que não é com ele. Cara-de-pau olímpico.
- Recebo e-mail de Giulite Coutinho, solidário com minha repulsa ao continuísmo nos cargos de mando no esporte. Quando era presidente da CBF, Giulite conseguiu emplacar, na Assembléia Geral da entidade, proposta que limitava a uma reeleição o mandato presidencial. Pois foi ele sair, chutaram pro alto a saudável inovação democrática.
- Caixa DÁgua volta a proclamar seu insultuoso desprezo pela opinião pública. Só lhe interessa o mundo velhaco da baixa cartolagem. Aí está alguém de quem se pode dizer: é um monstro de escuridão e rutilância.
- Quem me dá notícias de Sargentelli? Antes do carnaval, o imperador das mulatas internou-se pra trocar a tubulação cardiovascular. Espero que esteja voltando novinho em folha.
- A Fifa aprova a experiência de jogo com dois árbitros, ambos correndo o campo todo e não um em cada meio-campo, como se imaginava. Vai dar encrenca. A idéia não me seduz. Pra melhorar o futebol, preferia, mil vezes, qualquer coisa como o limite de faltas, a que correspondesse um castigo bem pesado, tipo chute direto, da meia-lua da área, sem barreira.
- Dois pombinhos foram eliminados do campeonato nacional de vôo, na Suécia. No exame de doping, pós-prova, apareceu cortisona no sangue dos dois bichinhos. A droga provoca estado de euforia. Traste perverso é o homem.





