Uma das minhas cachaças é ver esportes na televisão. A não ser vale-tudo, que considero chocante, sou capaz de ver até críquete. Cochilo, sempre, é verdade, mas a primeira intenção é ficar até o fim do chá... Entre todos os esportes, o que mais cativa é o futebol. Mas, vou confessar uma coisa, caro leitor: na tevê, não está dando para aguentar. A transmissão virou um suplício. Quando não é o excesso de cortes, é o abuso do repeteco.
Noutros tempos, dirigi transmissões esportivas e, então, já brigava com os cortadores indóceis. Como o cara comanda seis, oito câmeras, ele fica o tempo todo, pulando de uma para outra, como se estivesse tocando piano.
O futebol é uma peça de intensa dramaturgia, que exige continuidade na ação. Interromper uma jogada para mostrar a torcida é uma heresia. Nada justifica que, estando a bola em movimento, mude-se de câmera. A menos que o mundo esteja indo abaixo. Pois o cortador não faz outra coisa senão ficar picotando a cena com takes absolutamente gratuitos.
O ‘‘replay’’ é apresentado sem o menor critério. A bola correndo em tempo real, e a TV mostrando o repeteco de um lance geralmente irrelevante.
Sinceramente, não está dando mais para suportar a folia de cortes de câmera nas transmissões de futebol da tevê brasileira. É picadinho de futebol.
Tênis bissexual

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