Na Grande Área (Armando Nogueira)
Perseverante é o Fausto, o resto é conversa. Ele quer porque quer saber qual a seleção dos meus sonhos. É imperativo mas concede: posso formar a equipe com figuras de todas as gerações, sem discriminações geográficas. O que deseja mesmo o Fausto é que minha imaginação viaje pelos campos da minha fantasia.
Sempre que posso, defendo-me do desafio de escalar o time da minha predileção. Tenho medo de esquecer alguém, coisa muito comum a quem já muito viu e mais ainda viveu no mundo do futebol.
Enfim, vá lá que seja, meu bom Fausto. Escalarei, no gol, a Luiza Brunet, a quem não se imagina senão voando - garça morena; na lateral direita, vou de Gabriela Sabatini, também morena, também bela e que joga contrita como quem reza; na zaga central, solenes, imperiais, Katherine Hepburn, a feia mais bonita do mundo, e Vera Fischer, alumbramento de uma nação inteira; na lateral esquerda, abram alas para Marilyn Monroe, canhota da cabeça aos pés, santinha de tantos demônios, a começar por mim; na meia-cancha, um quadrado mágico formado por duas destras brasileiras, Paulas ambas, uma Ana, a outra, Maria: bola cheia de graça, o Senhor é convosco. As outras duas, do meu quadrado são Greta Garbo e Marlene Ottey, a diva do atletismo, ambas canhotas como Marilyn e, como Marilyn, igualmente estonteantes. Lá na frente, tormentosamente, singularíssimas, insubstituíveis, Catherine Denueve e Cindy Crawford.
Na arquibancada, meu bom Fausto, só eu, torcendo pelo triunfo do belo que, segundo o bom Platão, é o próprio esplendor da verdade.
Chega de cafetinagem
A idéia de fazer o Mundial de dois em dois anos saiu da cabeça de Blatter e de mais ninguém. Típico balão de ensaio. Quem sabe, pega? Não pegou e, a essa altura, o presidente da Fifa já enfiou no saco a guitarra esperta. O homem não é bobo. A Copa é uma inesgotável mina de ouro. Em cada Mundial, a Fifa enche a burra de dinheiro. É patrocínio, é placa de TV, é direito de transmissão, é voto das confederações. O chamado negócio da China. Só a televisão vai pagar um bilhão de dólares pela Copa de 2002.
O poder absoluto da Fifa pode estar com os dias contados. Os clubes já fizeram as contas e estão decididos a entrar no novo século rangendo os dentes, mostrando sua força. Quem dá vida ao futebol é o clube e o clube está na pindaíba, no mundo inteiro, enquanto a Fifa, com quatro bilhões de dólares na Suíça, toma champanhe em taça de ouro.
Chega de cafetinagem.
Rápidas e rasteiras
- O preparador físico Toninho Oliveira, do Flamengo, fez um teste nesta fase de pré-temporada do time em Teresópolis: media o batimento cardíaco dos jogadores, sempre que tocavam na bola. O resultado mostrou que apenas um não ficava abalado: Romário. Com o craque, a coisa é diferente: quem se emociona é a bola.
- O São Paulo que o torcedor verá nesta temporada será um mix de jogadores experientes e vitoriosos (Raí, Márcio Santos e Jorginho) com jovens de talento que, por sua irregularidade, acabam taxados de presunçosos e auto-suficientes - casos de Sousa e Dodô, por exemplo. O grande desafio do técnico Paulo Cesar Carpeggiani será fazer com que esta combinação funcione a contento.
- Empolgado com os gols marcados por Batistutta, o presidente da Fiorentina, Cecchi Gori, já lançou a candidatura do atacante à presidência do clube. Ídolo em Florença, Batistutta tem formado uma dupla letal com o brasileiro Edmundo.
- O começo da Liga Nacional masculina de basquete mostra que o esporte finalmente conseguiu chegar ao equilíbrio desejado. Não está mais limitado a São Paulo. No Rio, Flamengo e Vasco aparecem como fortes candidatos ao título e o Uberlândia, treinado por Ary Vidal, também tem condições de brigar pelos primeiros lugares. O equilíbrio só fará bem ao esporte.
- Como foi que o americano ocupou seu tempo, durante o vazio de jogos na greve da NBA? Uma pesquisa da rede CNNSI revela que 36% dos fãs de basquete preferiam fazer amor. Sem prorrogação...
- O mundo do tênis está horrorizado com a leveza da pena que a ATP impôs ao tenista checo Petr Korda, que jogou dopado o torneio de Wimbledon-98: perda de 119 pontos e devolução do prêmio de 94.500 dólares. Os próprios jogadores exigem suspensão de um ano para Korda.
- Ronaldo, Suker ou Zidane? Um dos três será escolhido o craque mundial da Fifa, em 98. O anúncio será feito em Barcelona, dia 1º de fevereiro próximo. Votam 129 treinadores do mundo inteiro. Não sou treinador, mas, velho palpiteiro que sempre fui, dou o seguinte voto: Zidane, depois Suker e, em 3º lugar, assim mesmo com uma dose de indulgência, Ronaldo. Nosso herói jogou pedrinha ano passado.
- Linhas acima, defendo a eleição do francês Zidane como o craque da Fifa de 98. Aqui, vai a opinião de Platini sobre o mesmo assunto: Eleger Zidane é consagrar uma raça de jogadores em via de extinção: o meia-cancha criativo, talentoso que dá dimensão artística ao futebol. Tudo a ver.
- Começo de temporada é sempre a mesma história: cartolas ávidos por espaço na mídia anunciam o impossível. Vejam os casos de Flamengo e Fluminense. O primeiro cortejou Viola, flertou com Zinho e foi abandonado por Marcos Assunção em pleno altar; o segundo queria ser o primeiro time poliglota do Brasil e numa tacada veio com o italiano Berti e o belga Preudhomme. Tanto em vermelho e preto como nas três cores, as transações falharam. Aconselha-se a política das chuteiras ao rés do chão: menos palavras e mais ação.





