Na Grande Área (Armando Nogueira)
A última cesta
de Michael Jordan
Michael Jordan amanheceu o dia, ontem, com uma revelação bomba, no programa Today Show, da NBC, dos Estados Unidos: ‘‘Minha carreira chega ao fim. Parei com o basquete.’’ É a segunda vez, em cinco anos, que Jordan se despede das quadras. Agora, porém, parece que a decisão é para sempre. A idéia já estava madurinha mas Jordan esperou o fim da greve da NBA. Não queria dar impressão de desertor. Michael Jordan, 35 anos, é tido como o esportista americano mais ligado na questão do marketing pessoal. Ele é reconhecido como o homem que melhor cuida de sua imagem. Jordan deu seis títulos ao Chicago Bulls e deixa o basquete no momento em que aparece uma pesquisa mostrando que 50% dos americanos acompanham a NBA porque gostam de basquete e outros 50% porque gostam de ver jogar Michael Jordan.
A decisão de Michael Jordan encontra já de bala na agulha o mercado editorial norte-americano. Estão prontos dois livros sobre ele: um, que é de memórias, bem popular, na linha ‘‘Coffee table book’’, para se ler em mesa de bar; o outro, de amplitude maior, é uma biografia em que David Halberstam conta a monumental história do maior atleta do século, na visão do renomado escritor americano, autor também de um livro sobre a importância do basquete na vida dos Estados Unidos.
Enrosquei-me todo
Pois é, meu bom Alberto Helena, pisei na bola. Escalei Donga no lugar de Sinhô na autoria do samba ‘‘Gosto que me enrosco’’. Foi como se alguém atribuísse a Marcelinho um gol feito por Edilson. Menos mal que os dois jogam no mesmo time da MPB. Bem que, a tempo, me dei conta do vacilo.
Cheguei a procurar o Sergio Cabral. Não o encontrei. Por sorte, encontrei o Sergio Augusto, que também conhece do riscado. O Sergio foi incisivo: o samba é do Sinhô! De passagem, até lembrou de um filme sobre a vida do Sinhô no qual o sambista foi representado por Bené Nunes besuntado de preto.
Em cima do laço, procurei falar com os jornais, pedindo que corrigissem meu texto. O JB, O Estadão e O Popular, de Goiânia, num ‘‘esforço de reportagem’’, livraram a minha cara. Os demais, não. Certamente, fui vítima do que se chama o adiantado da hora. Para não dizer que, antes, eu já fora castigado pela memória, essa implacável ‘‘cidade de traições’’. Enfim, não deixou de ser um gol contra e um constrangimento para quem, como eu, aprecia tanto a velha guarda do samba.
Gol contra
O segundo gol contra de um domingo sem futebol foi a ausência de João Havelange na homenagem que lhe prestava a CBF. Noite solene, no Golden Room do Copacabana-Palace. Convite pomposo: ‘‘Ricardo Terra Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol - CBF - tem o prazer de convidar para o jantar de outorga de títulos honoríficos a Jean Marie Godefroid Havelange e Nicolás Leoz.’’ Lá estavam o ministro Greca, do Esporte, o governador Garotinho, o prefeito Conde, o outro agraciado, o paraguaio Leoz, presidente da Confederação Sul-americana de Futebol.
A cerimônia devia começar às nove da noite. Nove, nove e meia, dez horas, dez e meia, onze horas. Todo mundo já impaciente. Nada de Havelange chegar. O prefeito Conde propôs às demais autoridades: vamos jogar a toalha. O ministro Greca preferiu não. Achou que a festa era da CBF e que todos deviam continuar em campo, apesar de esgotada a paciência regulamentar. Como Havelange não chegasse, a comenda acabou sendo entregue ao neto Ricardo Teixeira Havelange.
A explicação da ausência frustrante teria sido ‘‘motivo de força maior’’. A desculpa não cola. Quem conhece o fraco de Havelange por uma boa reverência sabe que o motivo deve ter sido de força sim, mas, muitíssimo maior. Os amigos realmente do peito sabiam que o ex-presidente da Fifa ia chutar para o alto a homenagem. Tanto que nenhum deles apareceu no jantar. Está na cara que Havelange quis afrontar o ex-genro; senão, teria mandado uma saudação por escrito. Não mandou nem recado.
Não há divergência política que resista a uma boa comenda de ouro. O caso de Havelange com Teixeira, porém, é mágoa estritamente pessoal. E mágoa, no coração do homem, nem o tempo é capaz de curar.
Rápidas e rasteiras
- A Copa São Paulo de Futebol Júnior mostra que o talento viceja nos campos brasileiros. Quem já assistiu aos jogos do Corinthians, Palmeiras, Lençoense e Vasco fez a constatação. No time do Parque São Jorge, tem um menino de nome complicado e técnica apurada: Ewerthon, assim mesmo com w e th, como sua mãe faz questão de explicar. Joga com simplicidade, toca de primeira, arranca em direção ao gol adversário e encanta pela precisão nos chutes; no Palmeiras há o Thiago, que já andou pela equipe profissional, na Copa Mercosul. No sábado fez gol de cinema contra o Flamengo de São Paulo; o Vasco tem Cristiano, atacante de porte, que sabe se movimentar pela área; e o Lençoense - de Lençóis Paulista - entra em campo com uma dupla de arrasar: Marlon e Espanhol. Dá gosto vê-los jogar, promessas de maravilha!
- Lá se vai Fábio Júnior pra Europa. Fábio Júnior entra no mercado externo pelo primeiro mundo do planeta bola. Situação bem diferente da que viveram Romário e Ronaldinho, que alcançaram o estrelato depois de um bom estágio holandês.
- Foi preciso que muitas rodadas se passassem até que se descobrisse o óbvio no Inter de Milão: time que tem Baggio, Zamorano e Ronaldinho não pode deixar nenhum dos três no banco. A goleada de 6 a 2 sobre o Veneza selou essa verdade.

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