Bem-aventurado os que lutam pela glória de um escudo; Bem-aventurados os fiéis que perseguem a perfeição, cumprindo a primeira epístola dos corintos, que anuncia a fé e a ressurreição.
Bem-aventurados os cruzado; da epopéia do Corinthians e seus guerreiros de paz, nas mãos de Nei como nos pés de Gamarra; no coração de Batata assim como no radioso Silvinho;
Bem-aventurados os conquistadores peso-pluma que têm uma face demoníaca e outra divina: Marcelinho e Edilson.
Bem-aventurados os que, como Dinei, tardam mas sempre chegam trazendo, na mansidão de seu fervor espádua de São Jorge, padroeiro da cintilante saga corintiana;
Bem-aventurados os que sabem perder,porque dão dimensão superior ao triunfo dos semelhantes;
Bem-aventurados essas duas equipes que tão bem exaltaram as melhores virtudes do futebol brasileiro: Cruzeiro vice-campeão a ostentar os brazões da síntese técnica; Corinthians, campeão para todo o sempre.
Contemplo o Corinthians, a desfilar pelas ruas da cidade, braço erguido, empunhando a âncora bíblica de uma vitória épica.
Bem-aventurado seja o Corinthians, campeão do Natal, campeão do Brasil.
MAIS LUZ NO FUTEBOL
O boletim da FIFA, mês de dezembro, traz uma foto em que aparecem, num coletivo aperto de mão, as seguintes sumidades do futebol: Pelé, Bobby Charlton, Platini e Beckenbauer. No meio, contentes, Joseph Blatter, presidente da FIFA, e Angel Maria Villar, presidente do Real Madri e também membro da nova comissão de notáveis, criada por Blatter pra ajudar a FIFA a pensar o futuro do futebol. Diz Blatter, com tato político, que os ex-craques não vão se meter a falar de regras, seara exclusiva da Internacional Board. Conversa pra inglês dormir. A I.B. vai acabar docemente pressionada pelas idéias da comissão.
Quem sabe não sairá daí, por exemplo, um passo adiante na regra das substituições? Por que não fazer como fazem o basquete e o vôlei? O jogador não está jogando bem? Está cansado? Que seja substituído. Fica cinco minutinhos no banco, depois, volta, fresquinho. Claro que a troca só poderia ser feita, sempre, entre os mesmos dois jogadores. Claro, também , que seria mantido o limite de três substituições.
Garanto que faria grande bem ao espetáculo, ao jogador. O próprio técnico se sentiria mais seguro, podendo, a qualquer momento, redimir-se de uma substituição mal feita.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
O belo comercial ‘‘Revanche’’, que a W. Brasil fez pra ‘‘Rider’’, foi filmado, parte no Brasil, parte, em Mônaco, onde joga o goleiro campeão do mundo Barthez. Washington Olivetto me mandou o ‘‘making of’’. É uma produção de tal porte que só poderia dar no que deu: uma peça publicitária campeã. A participação do Barthez saiu graças aos bons ofícios de Raí, que é amigo do goleiro.
-O leitor Maurício Silva, que mora na Filadelfia, pisou nas tamancas contra a nota em que chamei o beisebol de ‘‘chicotinho queimado’’. Me trata de preconceituoso. Diz que não devo desmerecer um esporte em que a bola voa a 150 quilômetros por hora e em que um astro chega a valer 120 milhões de dólares. Mas conclui: ‘‘sendo sincero, aqui entre nós, acho o jogo bem chatoà’’ Preconceituoso o Maurício?
-O senador Arthur da Távola me manda a íntegra da Lei Pelé, acompanhada por pronunciamentos feitos por ele, na qualidade de Relator da matéria, no Senado. Arthur da Távola ( Paulo Alberto Monteiro de Barros) é um dos nossos, adora futebol, tênis, natação. Polivalente, lúdico, por excelência.
-O futebol do terceiro milênio há de vingar a bola de tanta barbaridade cometida contra ela pelos cabeças-de-bagre do futebol profissional. A bola terá, dentro dela, um ‘‘chip’’ inteligente: quando dela se aproximar um pé de chumbo, instantaneamente, a bola fica toda recoberta de espinhos, tal como um ouriço-cacheiro.
-Assisti, há dias, ao longa-metragem ‘‘Uma Aventura de Zico’’, produção de Luis Carlos Barreto. Zico dá um show de interpretação, vivendo dois personagens antagônicos: um, amante do futebol-arte, peladeiro, brasileiríssimo e o outro, robotizado, praticante e defensor do futebol-força. A fita é uma deliciosa alegoria, dividindo o futebol em duas escolas radicalmente opostas que acabam numa combinação bem dosada entre improvisação e sistema, entre o futebol da intuição e o futebol do método. A direção do filme é de Antonio Carlos da Fontoura.
-A FIFA está apostando suas melhores fichas no mundial feminino de futebol, em 99, nos Estados Unidos. E não é questão de palpiteiros. As ligas femininas de basquete estão levando muita gente aos ginásios. As jogadoras de hóquei no gêlo fizeram mais sucesso que os homens em Nagano, nos últimos Jogos de Inverno. As adolescentes Martina Hingis, Venus Williams e Ana Kournikova atraem tanto público quanto os astros do tênis.
-Pode parecer cultura inútil mas tem lá seu charme: a bola, aliás, bolinha, que anda mais rápido é a de golfe, com 273 km/h; depois, vem a de tênis, com 230 km/h, e , em terceiro, vem a bola de beisebol, com 162 km/h. É bom considerar que a bola de tênis poderia andar mais não fosse ela felpuda, o que representa um expressivo arrasto aerodinâmico. São dicas da revista italiana ‘‘Focus’’ que me manda o leitor Giulio Sanmartini.

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