Encerra-se, hoje, o campeonato brasileiro-98. Melhor, é improvável. Corinthians e Cruzeiro estão revivendo, nessas finais, o futebol com que todos sonhamos, anos a fio, e para o qual só agora acordamos, tocados pelas tramas de bola do Cruzeiro e pela cadência estonteante do time do Corinthians.
Futebol é jogo coletivo, mas nunca deixará de ser também o despontar de individualidades. A bola do Cruzeiro, a circular pelo campo, assume um ar de magia quando passa, célere, pelos pés de Muller. Centelha de gol no golpe fulminante de Fábio Junior. Me encanta a leveza na troca de passes com que o time do Cruzeiro sai pelo campo, a limar a bola, como que aparando-lhe as arestas.
Igualmente, me fascina a sintonia com que Vampeta e Rincon compartem a regência do jogo, num ritmo velado de astúcias. Na organização de uma jogada, o time do Corinthians desenvolve um andamento ‘‘allegro ma mon troppo’’. De repente, dá-se um clarão e Edilson surge, vertiginoso, numa ação inesperada, autônoma, individual, solista de piano sem partitura.
É isso e muito mais que pressinto no jogo de hoje pra consagração de um campeonato que chega à grande final com paladar de champanhe.
ESPORTE, REVEILLON

mockup