Agora que Cruzeiro e Corinthians estão lá, é de esperar que se veja mais futebol do que na fase anterior. Foram jogos de pau-puro, principalmente os dois Corinthians x Santos. O primeiro, disputado em clima de guerra civil, levaria o segundo pelo mesmo caminho: no Pacaembu, quase 70 faltas e um troca-troca de retrancas, simplesmente exasperante. A tal ponto que nem o calcanhar de Edilson chegou a salvar a partida. Por sinal, há muito tempo não se via um calcanhar tão econômico. Um drible e um passe embutidos no mesmo gesto.
Entendo que, pro torcedor, tenha sido estupendo: a contra-dança do placar, o fio da navalha de um simples gol, separando o destino das duas equipes, o banho de suor de todos os jogadores, a excitação das torcidas - tudo isso terá dado ao jogo uma sobrecarga de emoções. Boa bola, mesmo, ninguém viu no Pacaembu. No Canindé, quem sabe, houve melhor futebol. Quem foi até lá pode dizer. O resto, não. A televisão não mostrou. Até nisso, a cartolice tem sido madrasta com a Portuguesa. Por não ser membro do Clube dos Treze, a Portuguesa e seus jogos têm sido condenados ao anonimato.
Que a tentação do empate não leve Wanderley Luxemburgo a encurtar, de novo, as rédeas do Corinthians, reduzindo o talento e o dinamismo ofensivo de Vampeta e Rincon a primárias ferramentas de obstrução, em nome do futebol de resultados. Os dois estilistas acabaram nivelados ao cabeça-de-área Gilmar, autor, por sinal, de uma agressão, chuteira em riste, como se pretendesse perfurar o abdome do franzino atacante japonês Maezono. E Sidrack Marinho, tão resoluto na expulsão de Viola, não podia ter sido mais omisso ao ver Gilmar abater o japonezinho do Santos com uma entrada estúpida.
Do Cruzeiro, o time mais refinado das semifinais, só podemos admitir que venha, como tem vindo, tocado pelo talento que é a patente da equipe. Muller, Valdo, Djair, Fábio Junior, Dida, Gottardo - craques, todos da mais fina estampa.
A sopa do Corinthians

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