Na Grande Área (Armando Nogueira)
O melhor da série playoff do futebol fica pra amanhã. Sem desmerecer as duplas Corinthians x Grêmio, Sport x Santos, Portuguesa x Coritiba, o fino, mesmo, tem sido Palmeiras x Cruzeiro. Pena que estejam na mesma gangorra: um sobe, o outro desce. Deviam jogar a finalíssima. São duas equipes de notáveis virtudes: atacam e contra-atacam com vertiginosa rapidez; alinham jogadores de refinada técnica; ninguém quer ser a estrela principal da companhia; todos jogam coletivamente; a disputa é tenaz, porém, sempre leal.
Nas outras partidas, hoje, ligeira vantagem pra quem tem melhor saldo de gols no playoff: Sport, Grêmio e Portuguesa. Em compensação, os três jogam no terreiro do adversário, o que não deixa de ser incômodo. Temos, então, um quadro curioso: o visitante, com a vantagem aritmética do empate e o anfitrião, com a primazia psicológica de jogar em seu próprio quintal.
Já amanhã, a coisa pende pro Palmeiras, que entra em campo sobraçando as duas vantagens: joga em casa, com o alento de sua ruidosa torcida e tem a vantagem do empate, prerrogativa conquistada por sua campanha ao longo do campeonato. Se o Cruzeiro conseguir se sobrepor a tais dificuldades, palmas pra ele, que ele merece. Aliás, pelo que se viu nos playoffs, entre Palmeiras e Cruzeiro, como já disse, é que devia ser decidido o campeonato.
O olho vivo
Se a CBF estivesse realmente interessada no bem do futebol, mandaria um relatório à Fifa, contando a história do gol (furado) do Santos contra o Sport, domingo passado. O lance é exemplar: a bola entra, sim, mas por um buraco na rede lateral. O árbitro, a cerca de 30 metros, não hesita: gol do Santos. Típico erro de percepção a que está sujeito qualquer mortal.
À beira do campo, o quarto árbitro pergunta ao repórter da Rede Globo se a câmera registrou o lance, nitidamente. A câmera, cujo olho não pisca jamais, estava lá, mostrando que a bola passara pela rede lateral. O árbitro, então, dá o dito pelo não dito, usando, aliás, de um bom-senso que só o recomenda. Sem falar no desassombro que é rever uma decisão, contrariando o inflamado coração do torcedor santista.
Certamente, vocês se lembram de um lance semelhante, ocorrido há duas temporadas, no campeonato alemão. A Federação, louvada na limpidez das imagens, anulou um gol feito exatamente como o daqui, bola pelo lado de fora. Além de anular o gol, mandou repetir o jogo. A Fifa reagiu mal. Ficou indignada com os alemães. Repeliu a intromissão da câmera, tachando-a de subversiva da ordem e da soberania do árbitro.
Hoje, o novo presidente da Fifa, Joseph Blatter, já admite conversar sobre o recurso da câmera pra dirimir dúvida no caso extremo de gol. Só no caso extremo de gol.
O olho eletrônico da televisão já é aceito como testemunha no caso de agressão que tenha escapado à arbitragem. Não acham vocês que está na hora da Fifa reconhecer que uma boa e isenta câmera pode ajudar o árbitro a carregar a sua pesada cruz?
Uma resposta, um achado
Essa é o máximo em matéria de presença de espírito. Já contei aqui mas vale a pena relembrar. O time do Flamengo vai deixando o campo, depois de um clássico no Maracanã. O repórter de campo, empunhando sua sôfrega latinha, pergunta a alguns jogadores o que acharam da partida. Chega a vez de Nunes:
- E você Nunes, o que é que você achou?
E Nunes, num repente estilo bate-pronto:
- Olha, eu não achei nada, mas o Adílio... o Adílio achou um cordão de ouro, na grande área.
Rápidas e rasteiras
- Tenho recebido alguns e-mails, cobrando mais comedimento nas minhas opiniões sobre a conduta de Eurico Miranda como dirigente esportivo. Algumas mensagens são respeitosas e, por isso mesmo, respeitáveis. Outras são de tal forma rancorosas que me deixam perplexo: como pode alguém supor que eu inclua o Vasco da Gama nas restrições que faço a um de seus dirigentes? Aprendi a respeitar e a admirar o Vasco, não é de hoje. Minha memória é grata a figuras como Ademir, Maneca, Ciro Aranha, Danilo, Medrado, Barbosa, Zé Osório. Quando Eurico ainda sujava fraldas, eu já tinha grandes amigos no Vasco.
- Chega de viagem, cordial como sempre, meu velho companheiro de peladas, o professor Ivan Cavalcanti Proença. Traz notícias da melancolia que encontrou, mundo afora, pelo fiasco brasileiro na final da Copa. Por onde passei - relata Ivan - de garçons, balconistas, camareiras de hotel, boys - esse mundão latino-americano que rala nos Estados Unidos, todos, rigorosamente todos, se frustraram, comoventemente.
- Brasil 3 x Cuba 0. Não vi, mas gostei demais do jogo. Até, então, a seleção de Radamés só vinha pegando, não digo moleza nem refresco, mas feras domesticadas. Cuba era outra história. É bom lembrar que, antes de começar o Mundial, Radamés dizia: O Brasil tanto pode ser primeiro como décimo lugar. Bom, décimo já não será mais.
- Antonio e Angelina (casal que ama o tênis) receberam pra uma semana de confraternização no Hotel do Frade, a elite do tênis brasileiro. Dei um pulo (a rigor, um vôo de UL) até lá. Fui abraçar Kirmayr, Paulo Cleto, Ricardo Acioli, Dácio Campos, Jaime Oncis, Luis Mattar, Zé Amim, Meligeni, com os pais, e Guga Kuerten, por sinal, na maior alegria, com seu troféu de estimação o tempo todo pendurado no pescoço: uma ninfeta que pouco fala e muito beija.





