Luzes, câmera, ação! Em cena, Wanderley Luxemburgo. Dessa vez, porém, na maré baixa da insubordinação. Ele andou criando mais uma quizumba. Peitou o árbitro Cerdeira, em Salvador. É aquela situação já conhecida: o técnico, abusando de uma prerrogativa, fica em pé à beira do campo, orientando seu time e, ao mesmo tempo, coagindo a arbitragem.
Essa história começa numa decisão, por sinal, bem intencionada da FIFA. Vocês se lembram do Mundial de 90, na Itália. Beckenbauer, então técnico da Alemanha, acompanhava sua seleção, em pé, ao lado do banco de reservas. De lá, mandava discretas instruções a seus jogadores. Pessoa influente na FIFA, Franz Beckenbauer acabou conquistando pro técnico o direito de chegar à borda do campo pra dar instruções. Seria estender ao futebol o que já ocorre no basquete e no vôlei. Havia, porém, uma restrição: o treinador tinha - e tem - que ir à lateral, dar o seu recado e retornar ao banco.
Aqui, no Brasil, o que devia ser intermitência passou a ser permanência. O técnico fica em pé o tempo todo, a gesticular, fustigando o árbitro, o bandeirinha, inflamando time e torcida contra a autoridade do juiz. Em pouco tempo, o estádio entra em pé de guerra, insuflado pelo treinador. Foi o que se deu, agora, em Salvador, no jogo Corinthians x Vitória.
Pra variar, a CBF, que organiza o campeonato, não só se omite como até estimula a transgressão da norma pelos técnicos. Há dias, me dizia o próprio Scolari, técnico do Palmeiras, que o 4º árbitro tem lhe dado sinal verde pra se plantar o jogo inteiro na borda do campo.
O futebol brasileiro tem a vocação da baderna.
Basta de gringo!

mockup