Um leitor de maus bofes reclama contra o que classifica uma agressão ao idioma por mim cometida aqui, na coluna. Nega-me o homem o direito de criar, como criei, o verbo golfejar aplicado a Romário. A frase condenada pelo purista da língua dizia assim: ‘‘Na área, Romário golfeja.’’ Ora ‘‘seu’’ Waldomiro, todo cristão, novo ou velho, tem direito a um neologismozinho. Dá um certo prazer a audácia de inventar uma palavra. Que o diga o Guimarães Rosa, que o diga Manoel de Barros, que o diga o ministro Magri. Afinal, a língua não é assim tão imexível.
Se te enfurece o verbo golfejar, por sinal tão bem conjugado por Romário, mais ainda te enfurecerá a série de verbos que me ocorreu, depois de tantos golfejos de meu ídolo. Olha só: se o Romário golfeja, a Paula bandeja; se a Paula bandeja, o Carlão corteja; se o Carlão corteja, o Dida, bom arqueiro, arqueja; se o Dida arqueja, alguém vai negar que o surfista Peterson Rosa mareja e que Ione Lima dardeja como ninguém?
E, pra enfurecê-lo de vez, direi que em matéria de briga entre Luxemburgo e Marcelinho, os dois sobejam...
Futebol e arruaçaArmando Nogueira
Inglaterra
dá lição de
civilidade e
cidadania ao
punir zagueiro
agressor
O verbo
de cada um

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