Na grande área (Armando Nogueira)
Vida que segue, como gostava de encerrar suas entrevistas o finado ponta-esquerda Dirceu. É uma frente fria atrás da outra e voar de ultraleve que é bom, nada; o futebol cede, mais uma vez, o domingo à política: democracia faz bem mas devia cair, sempre, na segunda-feira, que ainda é o melhor dia da semana pros acessos cívicos.
No Campeonato Brasileiro, busca-se a matemática como tábua de salvação: até quem não tem chance de chegar faz conta de chegar; o Botafogo nem chega, nem sai de cima: é o time mais indefinível do ano: não é bom, nem ruim, nem medíocre, nem valente, nem covarde, nem forte, nem fraco, nem barro, nem tijolo, nem eira, nem beira; Flamengo, Inter, Vitória e Cruzeiro dividem a mesma cama de pregos que embala seus pesadelos; no andar de cima, tentando vislumbrar a linha do horizonte, valendo-se das próprias pernas, o Atlético Mineiro, o Vasco e o Grêmio. Dos três, o que pinta com mais chance é o Vasco que, além de ter um bom time, é dirigido por Eurico Miranda, o bam-bam-bam do futebol brasileiro: manda e desmanda, faz, refaz e desfaz. Tem imunidades pra dar e vender...
Vida que segue até que briguem de novo Marcelinho e Luxemburgo. Os dois, metidos num interminável torneio de egolatria, vão vivendo juntos a forma mais íntima e mais vulgar de guerra civil. A paz, sobrevinda sempre à luz dos refletores, é sempre selada com um beijo. Não o beijo santo do Cântico dos Cânticos, que simboliza a união, mas o beijo maroto de dois paladares: sabor limão, sabor sal grosso.
A borboleta
e o prostíbuloArmando Nogueira
Marcelinho e
Luxemburgo
vivem a forma
mais íntima e
vulgar de
guerra civil
O beijo
maroto





