Na grande área (Armando Nogueira)
Rodrigo Pessoa está chegando ao Brasil, no fim de semana. Vem de medalha de ouro em punho, trazendo no peito o orgulho dele e do pai, Nelson, com quem conversei por telefone, ontem. Nelson está mais feliz que o filho, Rodrigo, é um campeão modelado à imagem e semelhança de Nelson, hoje, seu treinador e agente.
Peguei Nelson, no celular, a caminho de casa, em Bruxelas. A primeira satisfação que tive foi ficar falando, durante 15 minutos, sem que caísse a ligação. É assim: celular de país sério funciona. Nelson Pessoa compara o ginete ao piloto de Fórmula-1. Sem uma infra-estrutura poderosa, o cavaleiro pode dançar no primeiro obstáculo. Aliás, fico sabendo, no papo telefônico com Nelson, que, numa prova de hipismo, o cavalo representa 60 por cento; o ginete, 40. Mas é bom não ficar pensando na expressão puramente numérica da equação. Os 40 por cento do cavaleiro têm peso inestimável. Entram nessa conta valores subjetivos como determinação, dedicação, talento, afeto, muito afeto pelo cavalo.
Rodrigo monta desde menino. Aos 17 anos, já disputava o mundial júnior. Assim se explica que, agora, tenha batido um recorde: é a primeira vez que um moço de 25 anos vence o campeonato mundial de saltos. Até agora, os campeões, todos, tinham entre 30 e 35 anos. O ginete brasileiro é o mais moço campeão do mundo na história do hipismo. Os europeus estão de queixo caído com o exemplo de maturidade de Rodrigo. Talvez não saibam que aos 25 anos de Rodrigo somam-se os 62 do pai, que é um dos maiores cavaleiros do mundo há mais de 30 anos.
Rodrigo foi 1º lugar na eliminatória, deixando pra trás 99 cavaleiros do mundo inteiro. Nas semifinais, superou outros 24. Na final, liderou o percurso montando, sucessivamente, seu próprio cavalo e os cavalos dos outros competidores. E o mais impressionante é que, na decisão, o cavaleiro tem apenas o tempo de três minutos pra conhecer o estilo e o temperamento dos outros cavalos. Rodrigo mal alisava a crina, já era íntimo do cavalo.
Deve ser uma delícia ser campeão do mundo, tendo como parceiro, sem sombra de dúvida, a criatura mais formosa que Deus pôs no mundo. Depois da mulher, naturalmente.
Bate-bola em Washington
Se alguém puder me dar uma razão - umazinha, só - que justifique a ida da Seleção a Washington pra fazer um bate-bola com a seleção do Equador, por favor, serei todo ouvidos. Não vale mencionar o contrato com a Nike. A CBF podia perfeitamente honrar o compromisso, fazendo o jogo aqui mesmo no Brasil. Custaria menos dinheiro e a patrocinadora estaria bem servida de público, tanto no estádio quanto na poltrona.
Em Washington, a Nike terá que transformar os ingressos em convites e, ainda assim, mesmo de carona, pouca gente irá ao estádio, logo mais. Não adianta: americano gosta mesmo é de beisebol, de basquete e do futebol deles, duas falanges de brutamontes metidos em armadura, capacete de kevlar, rosto enjaulado e uma bola degenerada que não rola; quando muito, coitada, rebola, pra continuar viva.
Não me digam que o jogo conta pra renovar a Seleção. Três dias de convivência, um simples treino tático, um papo no saguão do hotel e outro no vestiário - que proveito pode extrair desse tour a comissão técnica de Wanderley Luxemburgo?
Garotinha-propaganda a Seleção quatro vezes campeã do mundo.
Rápidas e rasteiras
- Visitei, há dias, a seleção feminina de vôlei, que está hospedada no Luxor, em Copacabana. O dia-a-dia das moças não é a sopa que se vê no futebol. É treino duas vezes por dia. Depois do almoço, sesta ou, pelo menos, recolhimento. Todo mundo no seu quarto, telefone bloqueado, sem exceção. E as moças respeitam e adoram a liderança de Bernardinho. Em novembro, haverá mundial no Japão.
- Está no Rio, em breves férias, Bebeto de Freitas, técnico da seleção masculina de vôlei da Itália. É outro vencedor do vôlei brasileiro.
- Um conselho pra quem gosta de voar de ultraleve: nunca se meta a voar dentro de nuvem. Como diz meu amigo Lauro Ney Menezes, ás da aviação militar brasileira: Nuvem tem miolo duro.
- Dizem os espanhóis que Roberto Carlos anda jogando mal. Move-se pelo campo sem agilidade. Só pode ser excesso de peso. Roberto Carlos carrega nos dedos, nos pulsos e no pescoço mais ouro que a rainha de Sabá.
- O controle antidoping da CBF passa, agora, a investigar anabolizantes. O teste já vem mostrando sinais de esteróides no sangue de alguns jogadores.
- Bernardinho, com entusiasmo: a Ana Moser está em plena forma e a seleção não pode abrir mão dela. Eis aí um registro que faço com satisfação. Trata-se de um monumento do vôlei mundial.
- No que falei que o Corinthians facilitou demais a vitória do Flamengo, 4 a 1, choveu e-mail desaforado no meu computador. Há mais de 40 anos convivo com a paixão do torcedor. Sei que é assim mesmo: quando o time perde, queime-se a bandeira; quando vence, somos o maior e o melhor de todos. Pois eu ainda prefiro dar um tempo pra avaliar melhor a ressurreição do Flamengo.
- Agradeço a pilha de e-mails assinados por torcedores enternecidos com a crônica em que exaltei o Fluminense como legítima instituição do futebol mundial. E nem se pense que a correspondência é só de tricolores. Há rubro-negros, vascaínos e botafoguenses igualmente sentidos com o drama do Fluminense.Armando Nogueira
Nogueira não achou
uma única razão para
que o Brasil fizesse
o amistoso de hoje
De pai
pra filho





