Wanderley Luxemburgo está uma fera com Marcelinho. Se mal pergunto: de qual Marcelinho estamos falando, o do Corinthians ou o da seleção? Sabe-se que Marcelinho criou caso com o técnico. Se mal pergunto: com qual dos dois técnicos brigou Marcelinho: com o do Corinthians ou com o da seleção?
Luis Felipe Scolari queixa-se de Luxemburgo, dizendo que o colega teria convocado jogadores do Palmeiras, de caso pensado, pra facilitar a vida do time do Corinthians, mais adiante. Afinal de contas, Scolari criticou o Luxemburgo do Corinthians ou o outro, o da seleção? Ou, quem sabe, Scolari pretendeu pegar os dois de uma vez só?
Os dois casos configuram uma situação ambígua, uma situação equívoca, delicada, que poderia ter sido evitada se Wanderley Luxemburgo tivesse deixado a direção técnica do Corinthians no mesmo dia em que aceitou comandar a seleção. Pois estava na cara que o duplo emprego não ia dar certo. Jamais deu. Há muitos anos, a CBD sempre tentou acomodar as coisas. Como não tinha dinheiro pra bancar um técnico exclusivo, usava alguém que estivesse servindo a um clube. Até que foi criada a seleção permanente e, com ela, o técnico passaria a ser também permanente.
Wanderley Luxemburgo tem dito, repetidas vezes, que dá pra acumular. O Corinthians consente, a CBF idem. E vamos em frente. Mas não é bem assim. Há nessa situação uma face subjetiva que não escapa ao bom observador. Pois a verdade é que, sendo contratado do Corinthians, Luxemburgo está naturalmente jurado pela paixão clubística. Já não é um profissional acima de qualquer suspeita, como convém que seja o técnico da seleção. Sua reputação fica temerariamente exposta a mal-entendidos, a maledicências e, até mesmo, a ressentimentos.
O time do Corinthians não vinha sendo um furor no campeonato nacional? Claro que vinha. Por que então, terá começado a minguar justamente na semana seguinte à contratação de Luxemburgo pela seleção? A essa altura, já conta sucessivas derrotas. Sabem o que já se especula por aí? Que a primeira convocação de Luxemburgo teria causado uma profunda decepção aos jogadores do Corinthians.
Sinceramente, não vejo nenhum disparate nessa versão. Qualquer psicólogo de galinheiro admite que pode ter baixado no time do Corinthians um denso sentimento de rejeição. Quanto mais idolatrado é o homem, mais colo ele quer da vida. Todos ali sonhavam com a seleção. Se o técnico simboliza a figura do pai, Luxemburgo como que negou, publicamente, os méritos dos próprios filhos. Com exceção de Marcelinho e Vampeta, o resto deve ter pensado lá com suas chuteiras: quer dizer que eu sou bom pro Corinthians mas não sou bom pra seleção? Aí, a auto-estima foi parar na sola do pé. Podes crer.
Cabe, então, outra vez, uma pergunta: qual Luxemburgo pode ter esvaziado psicologicamente o time do Corinthians? O Luxemburgo do Corinthians ou o Luxemburgo da seleção?
Na ponta da língua

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